Obama a face feminina do poder?

Muito se tem escrito e falado da eleição do senador Obama para presidente dos Estados Unidos da América.

 

Enaltece-se o facto de ser negro, de ter trazido uma esperança para a paz no mundo e um novo fôlego para a resolução da crise financeira mundial. São análises realistas de cariz político e sociológico e de muito interesse, mas há outras formas de abordar o sucedido levando o caso para um plano mais espiritual. De facto, há várias correntes esotéricas que falam no advento de uma nova era de tolerância e de paz que nos traria a fraternidade entre todos os povos, independentemente das culturas das raças e das religiões. Fernando Pessoa, Agostinho da Silva, António Vieira falaram nela, de forma diversa mas com a mesma essência. Alguns vêm nisso a “mão” ou o “sopro” do Espírito Santo e é interessante encontrar nessas visões alguns pontos coincidentes com o que se passou. O Espírito Santo como “anima mundi” corporiza as forças do progresso humano na sua vertente mais espiritual, o que parece ter renascido nesta eleição. Assim, como diz Pedro Loução, a acção do Espírito Santo encontra-se no centro do mundo onde as ideias puras se transformam em ideias com forma. Portugal teve durante sete séculos o culto do Espírito Santo muito enraizado no coração da nação. Nas festas em sua honra – que ainda se realizam em algumas localidades – coroa-se o menino-imperador simbolizando a pureza das ideias e um renascer para uma outra vida; liberta-se um preso como símbolo da libertação da alma bloqueada pelas ideias densas que nos cercam; por fim, come-se numa grande mesa uma refeição comunitária em que os ricos e poderosos servem os mais fracos e desprotegidos. Foram estas reflexões que me ocorreram quando vi aquele homem, descendente de escravos, “coroado” pelos votos e servido, no futuro, pelos poderosos. Natália Correria dizia que o Espírito Santo era a face feminina de Deus e eu apetece-me dizer que Obama poderá ser a face feminina do exercício do poder, a nível planetário, através da maior potência do mundo. Só espero que, como muitos homens sonhadores e corajosos, não acabe martirizado pelas forças ocultas que o hão-de perseguir. Prefiro vê-lo sempre a transmutar o pão que alimenta o corpo em rosas que alimentam a alma, como a nossa sábia Rainha fazia...

José Dias Egipto

7 Nov 2008

 


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