É a própria vida que tem que mudar!

Os distúrbios dos últimos dias na Grécia devem merecer da nossa parte a maior das atenções.

 

Quando a juventude vem para a rua sem qualquer tipo de reivindicação a não ser o desespero, algo vai muito mal na nossa sociedade. Estamos politicamente e economicamente num beco sem saída. Criámos os nossos filhos ao “Deus dará” e agora fugimos sob a chuva de pedras que eles nos atiram. Que futuro pode ter um jovem que terminou a faculdade com um tipo de formação essencialmente prática e que não consegue emprego porque as empresas que foram pensadas para ele faliram ou estão a despedir pessoal? Sem outras bases que não sejam as que aprendeu na faculdade sentem o vazio total à sua volta e vêm berrar para a rua que: “ É a própria vida que tem que mudar! Arrivistas de todos os países liquidem-se! “ Este fenómeno que começou em França ao nível da periferia das grandes cidades, mas que estava mais relacionado com a péssima integração das comunidades emigrantes, acontece agora na Grécia com outro tipo de protagonistas, mais próximos dos nossos filhos afinal, o que torna o fenómeno altamente contagioso e preocupante. Nestes momentos de crise geral há que pensar no que todos nós fizemos para que chegássemos a este estado das coisas. Deixámos o poder económico mandar no poder político, reduzimos o sucesso aos bens materiais conseguidos das formas mais fraudulentas, endeusámos o consumo, desprezámos as vertentes humanísticas no ensino e tornámo-lo pouco exigente; matamos a espiritualidade nas escolas e na vida e queremos ainda que os jovens sejam cultos e bem-educados! Quem lhes deu a cultura e a educação? Ninguém. Apesar disso eles não são rascas, como alguém lhes quis chamar, porque têm a lucidez de quererem mudar de vida e gritam-no com línguas de fogo aos nossos surdos ouvidos. Até quando?

José Dias Egipto

16 Dez 2008

 


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