Brasil |
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Seria como traduzir a palavra Brasil para um estrangeiro, como definir, como explicar? A começar pela extensão territorial, poder-se-ia facilmente tomar de início a grandeza e a variedade com que esta terra foi brindada pela natureza, com mares, lagoas, rios, praias, sertão, frio, calor, e necas de terremoto. Bem, talvez um ou outro tremor por aqui e acolá. Poder-se-ia também falar da culinária, e pelejar para explicar um acarajé, uma moqueca, uma galinha de cabidela, ou ainda passar pela receita de um tutu de feijão que é diferente de um virado, mas ambos levam os mesmo ingredientes e o modo de fazer é quase igual e. Daria muito trabalho. Talvez falar da gastronomia típica de São Paulo, como o sushi, o churrasco, a pizza, a esfiha, o pastel de feira, o arroz com feijão, será que alguém entenderia tamanho ecletismo? Talvez mais fácil fosse partir para o visual e mostrar uma séria de postais: Corcovado, Lençóis Maranhenses, Pantanal, Ouro Preto, Pelourinho, Corcovado, Avenida Paulista, falésias do Ceará. Um espetáculo de cores e formas, um êxtase para os olhos, um convite à beleza, mas ainda não definitivo, incompleto. Talvez uma opção fosse a vestimenta e partir para desenhar uma bombacha ou com mais facilidade um fio dental, ou ainda um esforço hercúleo para fazer compreender o uso de terno e gravata no meio do sertão, em pleno Centro- Oeste do país, num clima dos mais secos de toda grande extensão dessa terra e torcer para que acreditem que o uniforme símbolo de Brasília é um terno de 100% lã fria. Ou ainda optar pela sonoridade e falar deste imenso e variado idioma português ou seria melhor dizer brasileiro? Falar que em Minas um trem pode ser muito mais do que um meio de transporte, que mina pode ser m deposito de minério, uma jovem ou ainda arbustos de erva-mate, ou ainda que uma máquina possa ser um fruto da revolução industrial, um carro ou mesmo um revolver. Melhor fosse usar expressões: “Ae, tu viu a parada?”, “Tem é Zé”, “Mais metido que dedo em nariz de piá”, ”Ela é lesa que só”. Impossível, seria difícil até para os próprios brasileiros, que dirá para fazer entender ao um estrangeiro. E como explicar borimbora (vamos embora no Amazonas), cusco (cão vira-lata para os gaúchos), pondiôns (ponto de ônibus em Minas), queijim (rotatória para os goianos)? Talvez uma síntese de todo esse continente chamado Brasil fosse dizer que o calendário daqui é um calendário especial. Não bate com o ano novo chinês, não tem coincidência com Rosh Hashana, nem com o calendário oriental. Até mesmo difere do calendário ocidental, pois que aqui as festas de final de ano principiam em novembro, quando todos já se preparam para o Natal e tem jantar de confraternização, amigo secreto todos os dias. Depois da ressaca alimentar da ceia de Natal emenda-se a bebedeira de Ano Novo e o costume de pular ondas, estourar champanhe e se vestir de branco.Tudo para se preparar para as férias. São férias escolares, férias forenses, férias parlamentares, férias. Todos ficam de férias, se preparando para a grande festa que é o Carnaval. Então alguns vão para a avenida, muitos para as praias, alguns vão sambar, outros correm atrás dos trios elétricos e muitos ficam no axé. E depois de todas essas festas finalmente o ano começa. E que venga a crise e que venga Obama. Agora estamos preparados para ouvir as noticias do mundo, abertos a um novo ano que se inicia. Feliz 2009! Acrescentar como Favorito (391) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3367
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