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LIBERDADE DE EXPRESSÃO, ENTRE A MENTIRA E A VERDADE As ideias que acedem à mente são permanentes e inesgotáveis. No entanto sâo premurosas e filtradas, às que descem ao papel!O porquê, vem expontaneamente dado pela fluidez natural com que o nosso cérebro incandescentemente dispara as lavas de pensamentos e que no entanto para a sua sedimentação, fica retraída com a viagem para a exteriorização!Os medos, as vergonhas, os receios (humanos, instintivos, morais, éticos, sociais e políticos) exercem involuntariamente um controle e uma censura invisível e autónoma, como se fossem uns zelosos servidores da imediata imagem do autor dos pensamentos que este pretende solidificá-los e serem úteis à vida.A brutalidade com que os pensamentos se criam, exigem naturalmente a realização de um processo elementar de lapidação ou simplesmente de cura de ordenação através dos instrumentos e formas da linguagem, para consolidar com êxito a sua exteriorização. Mesmo aqui, um repetido processo de censura se verifca, ou tende a verificar-se. Se tal não acontecer, o pensamento manifestado escrita ou verbalmente, cumprirá quase unicamente os desejos do indivíduo que o faz, abstendo-se em grande escala com o que poderia ser considerado antecipadamente - a reacção dos outros! Assim fazendo, aparta-se da auto-censura prévia, que lhe exigiria os vetos morais, éticos e outros ainda, que lhe conferem a certeza e a necessidade da imagem a conservar. Neste caso, a liberdade da expressão, conterá grandemente os traços brutos ou selvagens donde proveem. As ideias ou os pensamentos, fluirão como numa corrente de rio, onde o ritmo é variável – maior ou menor, dependendo da quantidade de chuva caída – e que leva consigo outros elementos, por vezes não lhe pertencendo naturalmente, mas que se juntam e misturam na sua corrente.São neste caso: as divagações, as lógicas paralelas, os juízos extra-individuais e até mesmo, o que não é de todo aceitável pelo autor.Contudo aí existe uma pureza total; pureza bruta essa, que é, ou que seria em suma, a liberdade de expressão integral!Um procedimento assim, obviamente serve a produzir a verdade bruta ou selvagem. A verdade que decerto pode não ser de todo elegante, porém, cria a Verdade. Ora, se como numa atitude que tem que adotar formas sociais, como a da exteriorização de um pensamento, que não fica portanto limitado a uma recepção isolada ou particular, se obriga por regras externas a curar e a moldar todas as imperfeições da pureza mental, a verdade bruta e selvagem assim exposta, tal qual a força incandescente do vulcão cerebral, sem véus, nem vetos da ética e da moral, sem a hipocrisia dos princípios ou o cinismo da educação, apresenta-se única e lamentavelmente como obra de um aventureiro louco e socialmente desclassificável!Este é automaticamente banido de qualquer consideração séria e os juízos que se pudessem extrair da positividade ou negatividade deste reprovável autor, ficam simplesmente, não apenas jogados, como inprestáveis, (como se pode imaginar), mas conservados secretamente, pela inteligência dos curadores do conservadorismo conveniente. Este estranho gesto, deve-se ao facto de que, para lá da psicologia volutamente guiada das massas, para que não haja muita dispersão e perigos de choques, pela existência de muitos pensamentos livres, conservam estes, os “produtos perversos” nos laboratórios da conveniência e da hipocrisia, para melhor perscrutarem o seu conteúdo e a forma de melhor congelarem e retardarem a evolução dos embriões indestrutíveis que inevitavelmente contém.Como párias rechaçados pelos astutos proprietários dos status-quos – seja: intelectual, cultural, religioso, social ou político – o exército imparável de pensadores exteriorizando, fora das regras e dos vetos da moral e da ética e convertendo-se inconsciente (e conscientemente muitas vezes) em loucos aventureiros e socialmente desclassificáveis, será sempre impiedoso. Atravessando tempos e sociedades de diversos tipos e geografias, os seus batalhões pululam aberta ou anonimamente, desenvolvidos por soldados temerosos e atrevidos ou por outros cautelosos e modestos. Partindo natural e involuntariamente da matriz da sua condição humana e que naturalmente também introspecta o que lhe ocorre do seu exterior, com a mesma brutalidade, com que se opera, reflectindo ingénua e integralmente o calor dos efeitos, anulando as censuras da vida e das regras do viver, porque isso serve no fundo, mais à verdade do que à mentira! Mário Dd Santos - jornalista
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