A lenda do Desejado! |
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Grande era a azáfama no corredor dos passos perdidos, fidalgos em trajes coloridos e elegantes circulavam com ar matreiro, bandeando a cabeça em cumprimentos de ocasião.As andanças da política propiciavam novas com o Rei menino, Sebastião da casa de Avis, neto de D. João III o Piedoso, homem de muita fé e fervoroso católico. O Rei menino, educado por Jesuítas, seguiu-lhe os mesmos passos e revelou-se uma personalidade de fé, devoto ao catolicismo, mas ao mesmo tempo, insensato, motivado pelo ambiente que se desenvolvia ao seu redor, hipocrisia e adulação. Assim cresceu o futuro Rei de Portugal, Sebastião. Dele cantou Camões, em presença: E vós, ó bem-nascida segurançaDa lusitana antiga liberdade,E não menos certíssima esperançaDe aumento da pequena cristandade;…Ouvi: vereis o nome engrandecidoDaqueles de quem sois senhor superno,E julgareis qual o mais excelente,Se ser do mundo rei ou de tal gente. O império estava feito, a fé inabalável, o sonho era cantado em verso e o olhar fixou-se em África, onde o infiel sarraceno fazia sortidas piratas sobre a navegação cristã. Conquistar o reino de Marrocos deu espaço de empresa em seu espírito jovem. O sonho falou mais alto do que a experiência de generais experimentados na arte da guerra, que em alta vozes o avisavam sobre o mau juízo e insensatez de tal atitude. Triste sina a de quem não houve a verdade e conselho experimentado!Foi triste a manhã nas planuras de Alcácer-Quibir, el-Rei D. Sebastião tinha desaparecido e o seu exército jazia quieto sob o sol escaldante do deserto. Portugal quedou-se silencioso ante tal tragédia e lágrimas pesadas encharcaram o chão! A longa noite ia começar.Lusitânia destemida que enfrentaste as legiões de Roma, pariste Portugal a haver mundos por descobrir… cresceu, cumpriu… e desfaleceu em Alcácer-Quibir!Chorai tágides que el-Rei D. Sebastião morreu! Murmúrios clamam pelo encoberto que virá numa manhã de nevoeiro ressuscitar a Lusa Pátria da tristeza e da ignomínia e perdura na memória do tempo, do povo e do poeta: Onde quer que, entre sombras e dizeres,Jazas, remoto, sente-te sonhado,E ergue-te do fundo de não-seresPara teu novo fado! E o povo nega-se a acalentar; quem vem viver a verdade que morreu D. Sebastião? Lenda que perdura nas tradições e lendas de Portugal! Alma Lusa Fontes de informação:Os Lusíadas, Canto I, estrofe 6 a doe 10, de Luís de CamõesA Mensagem, poema o Desejado e o Quinto Império, de Fernando Pessoahttp://pt.wikipedia.org/wiki/Sebasti%C3%A3o_de_Portugalhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastianismo Acrescentar como Favorito (422) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3719
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