“A Criação inteira é uma obra miraculosa, ordenadamente planeada e funciona em contínuo e imutável equilíbrio. Tudo o que vive se encontra em movimento. Movimento é vida!Amai e protegei os animais e as plantas, pois são criaturas feitas pelo mesmo Criador.”Ensinamento SumérioO Planeta azul movimentava-se no imenso teatro do Universo, emoldurado por imensas luzes trémulas em palco escuro, cenário aprimorado por mãos diligentes e sábias. Nuvens cinzentas sombreavam o horizonte. A chuva caía fina alimentando o solo ressequido, numa paisagem, que de tão silenciosa, carpia recolhimento. Nem homens, nem animais, se aventuravam ao movimento. A natureza era dona e senhora do espaço. Ao longe, rios de luz iluminavam os céus, criando formas aleatórias circundadas pelo som do trovão.Os enteais, obreiros meticulosos, trabalhavam diligentemente para manter a saúde e equilíbrio do Planeta, morada de espíritos humanos; faziam-no indiferentes ao comportamento dos hóspedes, a quem serviam, rectificando os danos causados por estes à maravilhosa natureza, cópia do Paraíso eterno. A paisagem estava humanizada, cada vez mais; ao longe, dedos eriçados, morada dos homens, rasgavam os céus; indiferentes, construíam e alimentavam a máquina devoradora, para sua própria destruição: transformar o Planeta. Os servos do Criador, que tinham por função manter o Planeta limpo e equilibrado, sentiam um misto de perplexidade e incompreensão, por um lado, cumpriam incondicionalmente a Vontade de seu Senhor, por outro lado viam a eficácia da máquina destrutiva dos homens, que diligente e metodicamente iam destruindo o que eles construíam e reparavam. E era a estes seres que eles deviam servir e auxiliar como hóspedes na casa de seu Senhor!Cinzento era o céu, o sol escondia-se atrás de nuvens pesadas, escuras como chumbo, prenhes de água viva. O silêncio era expectante, presságio do que estava por vir. Os animais, silenciosos e atentos, seguiam os sinais da natureza e de seus obreiros. Os homens, cegos e surdos, monitorizavam nos seus equipamentos o evoluir da situação, presos às difíceis decisões do seu intelecto, mantinham a fraca ilusão de que tudo passasse e os danos minimizados. A cidade estava abarrotada de gente, como desloca-la em ordem? As estradas entupiriam, o tráfego causaria o pânico e criaria uma imensa e fatal armadilha, obra de si próprio. A teia envolveu a aranha!Os pequenos obreiros da natureza retiraram-se e deram lugar aos grandes enteais dos elementos que com fulgor fizeram o que lhes estava destinado. Zeus, senhor do Olimpo, a tudo assistia, com ar triste, mas firme. Era necessária a depuração, a ordem deveria ser restabelecida e eliminada a fonte do desequilíbrio, que tanto sofrimento causava aos animais e à natureza. Zeus, servo do Altíssimo, cumpria com os desígnios da Lei que a tudo rege, no cumprimento da Vontade de seu Senhor. Tristeza era o sentimento dominante, o homem falhara na sua missão… nem todos, e por esses poucos uma nova oportunidade nasceria da depuração e o Planeta ficaria mais belo do que nunca, pátria de humanos e seres enteais que em uníssono vibrariam na Vontade e cumprimento das Leis do Altíssimo, cumprindo assim o seu desígnio, criar na Terra a imagem do Paraíso eterno.Acordai criaturas humanas, o Planeta agoniza sob o efeito da nossa evolução tecnológica, desventrado nas suas entranhas para sustento de uma sociedade desregrada e caoticamente perdida nos braços fortes do consumo e especulação. A natureza tende a regenerar-se e a procurar o equilíbrio com os seus próprios meios, tempestades, terramotos, vulcões, etc.Ela não castiga a Humanidade pelo seu comportamento, esta é que se encontra no seu caminho!Alma Lusa Acrescentar como Favorito (438) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3070
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