A crise da sociedade ou a sociedade da crise?

Vivemos numa sociedade em profunda crise de valores. Todos os dias somos bombardeados com notícias escabrosas sobre o estado caótico, a nível cívico e moral, dos nossos concidadãos.

 

As televisões passam vídeos de filmagens “selvagens” feitos propositadamente para incriminar pessoas – em vez dos assuntos serem resolvidos no seio das instituições - que eventualmente praticaram actos ilícitos mas sem fazerem um juízo de valor sobre o próprio crime das mesmas filmagens. Passa-se a ideia aos jovens que vale tudo para denunciar pessoas e para as trazer para a praça pública. Para agravar a situação essas filmagens podem ser prova num casos e não ser noutros o que cria um ambiente de suspeição sobre a justiça e uma grande insegurança nos profissionais de qualquer ramo. Ninguém pode garantir, de agora em diante, que qualquer profissional não esteja a ser filmado pelo utente que está a atender e que essa filmagem não possa ser revelada ao pais no telejornal da noite de qualquer estação de televisão. Os analistas, chamados a comentar estes casos, geralmente são pouco pedagógicos em relação às camadas mais jovens e deixam ambiguidades no ar sem rebater veementemente o facto de que ser delator é a pior conduta que se pode ter, alguma vez, na vida. O próprio conceito de delação nem sempre é bem explicado e misturam-se conceitos tais como os de conversas de amigos com denúncias serias de actos ilícitos. A confusão é geral e geralmente pagam os justos pelos pecadores. As escolas são neste momento o único espaço de formação moral e cívica uma vez que os pais, na sua maioria, de demitiram por ignorância ou falta de tempo, de transmitir valores e dar o exemplo, no seio familiar, dos mesmos. A sociedade como conjunto de células doentes transformou-se numa escola sem regras onde ensinam políticos na vez de professores e os cidadãos como os alunos deixaram de acreditar nos seus exemplos de vida. Pior ainda – os cidadãos tal e qual como os alunos não têm a bagagem cívica e moral para denunciar as situações de forma correcta e transparente e servem-se dos meios mais escabrosos e anti-democráticos para o fazer. Os meios parece que justificam os fins mas mal vai uma sociedade que é baseada na falta de lisura e de ética e que, para sobreviver, se serve da torpe delação de má memória!

José Dias Egipto

23 Mai 2009


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