"Furriel" era o seu nome |
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Ao
"Para ele o mundo era um
quintal enorme
dotado de compartimentos
separados por água,
e fenómenos como as chuvas, as
tempestades,
ou mesmo os ódios dos homens
carregados em navios
enormes, eram gotículas para
qualquer sorriso desfazer"
Ondjaki, “E se Amanhã o Medo"- contos
Por hábito, vinha manhã cedinho,
para o cais, e por ali se deixava ficar, o dia todo, embrenhado em pensamentos
longínquos, sentado em qualquer caixote velho que o esquecimento dos homens ali
faria apodrecer. Noutras alturas, quando o coração lhe ditava certo desassossego,
fruto das saudades daquele que lhe deu o nome, mais que o
nome, a vontade de viver,empoleirava-se no mais alto amontoado dos fardos de
algodão da COTONANG, à espera de vez para o embarque no
cargueiro que não tardaria em atracar, e olhava o oceano distante
Saía do seu sonho
"Acorda negro de merda, acorda que o teu furrier foi 'mbora no puto, já no vorta mais."
Saltava dali
Para lá da porta
grande parava e, por um instante breve, olhava o relógio que lá no alto da
torre marcava o tempo
"Furriel" lhe chamou, depois de não saber por que nome lhe chamar. "Furriel"
lhe chamou, depois de apontar para o dourado das
divisas que lhe enfeitavam os ombros
e dizer
"Eu furriel, tu furriel, também!" e "Furriel" ficou, de nome de baptismo, na Missão Católica do Cacolo.
Uma última olhadela ao relógio da torre existente ______
por Alvaro Giesta, pseud do autor, em "entre nós CUMPLICIDADES" Acrescentar como Favorito (307) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2581
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