|
Após as descobertas chegaram ao reino abundantes riquezas, provenientes da Índia e tributos de régulos. Diz Ribeiro Sanches, que do Brasil, apesar dos enormes recursos do território, apenas recebíamos, nessa época: papagaios, madeira e açúcar.Essa colossal riqueza - se fosse bem administrada, tornaria Portugal numa próspera nação, - foi desbaratada pelas classes dominantes, em: vestes sumptuosas, jóias, festanças vergonhosas, corrupção desenfreada e costumes estragados.Tudo era adquirido no estrangeiro, mormente: Inglaterra, França, Itália e Flandres. Por cá, apenas se edificavam conventos, poucas igrejas e ainda menos palácios.O reino estava paupérrimo, os caminhos intransitáveis, a indústria destruída Tudo vinha do Oriente ou da Europa e a agricultura, por escassez de braços, foi abandonada.Com o despovoamento do campo, houve carência de alimento. Para colmatar a falta, o Rei D. Manuel, em 1519, libertou o trigo importado, de impostos.Esse desgoverno foi agravado pela Inquisição, ao afastar do País ricos mercadores judeus, que emigraram para: Londres, Hamburgo e outras cidades europeias, levando conhecimentos de comércio e navegação portuguesa, aproveitados para fundarem a Companhia da Índia da Holanda e da Inglaterra, por volta de 1600.Assim a Europa foi enriquecendo à custa de Portugal. Desenvolveu a agricultura, a ciência e a Arte. Em 1534, no reinado de D. João III, devia-se quatro anos das receitas do reino, e os juros, em Antuérpia e Medina del Campo, elevavam-se a 16%!O povo não teve outro remédio senão emigrar: primeiro para a Índia, depois para o Brasil, após a descoberta do oiro e diamantes.Tudo que foi dito vem a propósito da grave crise, ou tragédia, que recentemente se abateu em Portugal.Com o fim do Império e a guerra, que levava dinheiro e vidas, pensou-se que finalmente o País iria tornar-se numa nação próspera. Puro engano!Como outrora, também os milhões e biliões de euros que recebemos da UE, em lugar de enriquecer o povo, levaram-no à situação semelhante à do reinado de D. João III.Verdade é que há magnificas estradas, bons hotéis, obras que se podem chamar faraónicas, e algumas das nossas empresas tornaram-se multinacionais; mas o povo?Exceptuando os que auferem vencimentos principescos, muitos por influência política, ou os que usufruem pensões de largos milhares de euros, a maioria da população jovem, só tem duas hipóteses: servir a elite ou emigrar, se quer fugir ao desemprego e baixos salários.Como no passado, encontramo-nos endividados, com juros galopantes, com agricultura pouco desenvolvida, a comprar tudo ou quase tudo no estrangeiro.
Portugal foi, é, e (será?) eterno perdulário. É a triste sina dos portugueses.
Acrescentar como Favorito (344) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2844
Só utilizadores registados podem escrever comentários. Por favor faça o login ou registe-se. |