Arte de Conviver

Aprendi que conviver é uma difícil arte, que nos faz perceber que nem sempre temos por perto uma pessoa em quem podemos realmente confiar, mas a pessoa que está perto de nós sempre pode nos ensinar, até quando não está disposta a nos dar atenção, nos ajudar e ainda parece querer nos prejudicar consciente ou inconscientemente. Estou aprendendo que o necessário é buscar o equilíbrio e utilizar-se da cautela.

Porém, vamos cair sim; vamos errar muito; vamos nos equivocar, algumas ou muitas vezes; vamos nos decepcionar com aqueles que amamos e também iremos decepcioná-los. Agora, quando começamos a ser ajudados POR PESSOAS ESPECIAIS QUE SURGEM EM NOSSAS VIDAS EM MOMENTOS ESPECÍFICOS, OU POR AQUELAS QUE ESTAVAM SEMPRE ALI, MAS NOSSO OLHAR POR ELAS NEM SEMPRE ERA DEMORADO E PROFUNDO, e ao iniciarmos esse processo de melhor olhar, passamos a entender que a dificuldade de nem sempre conseguir atuar com maestria nesse palco que é a vida, é inerente a todo ser humano; todos nós temos essa dificuldade, mas quando estamos vulneráveis, corremos o risco de achar que só nós temos esse problema; porém, a questão é que nem sempre conseguimos expressar a melhor palavra, as más interpretações parecem sempre se instalar em nossos convívios sociais. 

O mundo está carente de Amor Verdadeiro em suas mais diversas formas e repleto de falsas e passageiras formas de busca pelo prazer e segurança, e por isso, é muito fácil as desconfianças, o medo, a insegurança e a competitividade ditarem as regras de convívio social e da busca pela felicidade, tranquilidade, alegria e paz.

O importante é não deixar essas situações, próprias do convívio humano, afetarem nossa conduta social, profissional e pessoal. Esse contexto é muitas vezes mesquinho, medíocre; porém, em outras ocasiões se faz até necessário tais conflitos, pois podem nos tirar da "zona de conforto", trazendo luz às nossas reflexões, pois somos eternos aprendizes da Vida; não nascemos prontos, estamos em constante processo de feitura e precisamos questionar sempre sobre o ser humano que estamos conseguindo e nos permitindo ser...

A vida não deve ser levada tão a sério e o bom humor, o sarcasmo e a ironia, às vezes podem aliviar situações aparentemente cheias de focos de tensão. Se podemos simplificar, por que então complicarmos?

Nesse momento, estou me lembrando de uma anjo bom terreno, que Deus me concedeu a honra de conhecer, para que eu pudesse, através de sua ajuda, rever tantos aspectos peculiares de meu comportamento humano. Sinto-me grata e inspirada a expor, tudo de bom que já me foi transmitido com tanto cuidado...
Nada há de mais vivo e poético do que saborear os pequenos momentos da vida e mudar o foco da tensão, com brincadeiras, palavras doces e/ou com o silêncio terno e não aquele gélido e “recheado” de desprezo...

Os pequenos problemas, não podem afetar nossos valores, o que acreditamos e aquilo que queremos realizar de útil aqui nessa vida terrena e passageira. Os temores não podem afligir nossa alma, precisamos escapar deles ilesos; devemos confiar em Deus, invocando-o em todas as situações e com paciência devemos aguardar a Consolação Fiel e Única, que só vem de Jesus.

É muito difícil não criar expectativas sobre o outro, e quando ele não corresponde a essas expectativas, passamos a sentir mágoa, raiva, tristeza, ingratidão, dor na alma, enfim, sentimentos não maduros aparentemente, e ao mesmo tempo, velhos demais, permeados pela carência e apego, os quais devemos evitar, pois são sentimentos que aprisionam e sufocam os relacionamentos entre as pessoas num determinado contexto social.  
Será que as crianças sentem mágoa, raiva, dor, tristeza e sentimento de ingratidão por muito tempo? A resposta é: não! Então, nossa alma e nosso coração precisam ser mais leves, mais ingênuos, puros, infantis, no bom sentido, para que possamos perdoar, isso não significa abraçar sem ter vontade, sorrir por obrigação num curto espaço de tempo; precisamos ser realistas, pois existem atitudes maldosas e/ou realmente imaturas e devemos nos precaver delas.
 
Evitar criar grandes expectativas em relação aos outros, deve ser uma constante busca em nossas vidas, para evitar frustrações e decepções. Precisamos de decisão e preparação para entender que só amando, cultivando a alegria, a misericórdia, seremos merecedores de uma vida mais plena de alegrias e ao não reclamar da vida e em todas as circunstâncias, dar graças a Deus, vamos nos amadurecendo na fé, no amor e nossa alma vai se tornando leve, nosso sorriso vai saindo radiante e natural, emanando luz, e quem estiver convivendo conosco, verá a nossa mudança e a sentindo, através da luz que assim poderemos emanar, o outro também poderá iniciar seu processo de mudança, ou pelo menos refletirá melhor sobre sua vida...

Ensinamos com nossos exemplos. Mas como amar? O que é amar? Amar é nas provações, não abandonar a Deus; na incompreensão do sofrimento, dar graças e louvar a Ele, que é o puro Amor, entregando tudo em Suas mãos, pois ao seu tempo, iremos compreender para que estamos sendo provados. 

Deus nunca quer que soframos, mas quando isso acontece, seja por um problema real, imaginário, pequeno ou grande, Ele faz, se assim o permitirmos, com que tiremos grandes proveitos desse sofrimento, nos levando muitas vezes a viajar pelo nosso interior, para examinarmos nossa consciência, nossos vícios, manias, pecados enraizados, atitudes inconscientes, apegos a coisas e pessoas, supervalorização do estresse da convivência; enfim, nos ajuda a reconhecer que, ao  amarmos demais ou de menos; cuidarmos pouco de nossas emoções; não termos uma qualidade de vida, no sentido de valorizar as pequenas coisas; cedemos muito fácil aos apelos do mundo: correr em excesso para ganhar muito dinheiro, gostar só de quem gosta da nossa pessoa; ajudar só a quem conhecemos para também receber algo em troca; ir pelo caminho mais rápido e fácil; não trabalhar de forma esforçada e árdua...

É triste, mas parece ser essa a mentalidade do mundo de hoje! Não podemos fugir dos nossos problemas, mas podemos ser felizes, apesar deles, basta que cultivemos a alegria, a paz, os pensamentos positivos, pois não somos o que os outros falam de nós; não somos o que os outros pensam sobre nós; somos o que pensamos acerca de nós e o que deixamos que Deus faça e realize por nós.

Buscar uma ajuda espiritual, profissional é imprescindível, quando nos deparamos com crises existenciais ou de outra ordem, pois nem sempre sabemos gerenciar nossas emoções e vamos caindo em “terrenos desérticos”, que nos tiram de nós mesmos; e assim só um olhar diverso e externo em relação a nossa corrente de vivências, pensamentos obscuros e sentimentos desequilibrados e ainda  não submerso no cômodo fechado em que se encontra nossa alma, poderá nos orientar e nos conduzir ao nosso caminho de busca às mudanças necessárias de nossa personalidade e de nosso modo de encarar as dificuldades. 

Esses anjos terrenos existem, e ao seu tempo e se nos permitirmos ser ajudados, eles surgem em nossa vida para fazer toda a diferença que faltava. Não são seres escolhidos por nós; simplesmente,os encontramos, e tal encontro é designação divina.
Aprendi que para cada momento em que estive bem feliz, existiram outros momentos em que sofri, e o sofrimento me ensinou mais, talvez porque compreendi na prática da vida diária, que felicidade não significa ausência de sofrimento.

Aprendi também que muitos dos nossos sofrimentos são imaginários e não reais... As críticas construtivas quase não existem em nosso tempo; somos especialistas em achar que conhecemos os outros, mas, às vezes, o que pesa para o outro, não é nada para mim; o que amo; às vezes o outro não aprecia; todos têm seus limites, cruzes, dores e alegrias, parece que o mundo nos ensina a sempre concorrer para ver quem tem mais problema e/ou a questionar por que para o outro é mais fácil viver, mas quem disse que é? 

Deus dá o “fardo que cada um suporta carregar!” e aquilo que para mim é desprezível e vil, pode ser ocasião de alegria e/ou tristeza para meu próximo; o que eu penso, o outro nem imagina em muitas situações, mas ninguém quer ser diferente e tem que se incomodar com quem resolveu partir em busca de caminhos diversos, especialmente, se aquele decidiu optar por uma vida Cristã, cheia de abnegações; porém, por outro lado, às vezes, a religião pode oprimir um ser, uma religião tem que servir para a libertação das ideias e para o serviço ao próximo; quando se começa a esquecer da caridade e da servidão, permitindo-se que muitas vezes, a vaidade interfira na vivência religiosa, algo precisa ser revisto. 

Ultimamente tornou-se um hábito rotular os seres, construir análises superficiais, elaborar críticas destrutivas...Os tão presentes pseudo-intelectuais estão por todos os lados; leem um pouco de tudo; acreditam que são especialistas em qualquer área do conhecimento e podem opinar sobre todos os assuntos e melhor, desprezam determinados profissionais, já especialistas e/ou experientes, mas não sabem, o quanto custou para aquele profissional chegar ao posto em que se encontra. 

Mas não podemos viver para ficar contemplando, aceitando e/ou nos preocupando em demasia com o que os outros acham de nós, mas isso não significa, nos fechar totalmente; querer transformar os outros no arquétipo (modelo) ideal de pessoa, que só existe em nosso pensamento; a idealização é perniciosa, tanto para quem a pratica, tanto para quem é o objeto dela. Da mesma forma, a distância sem diálogo algum é orgulho e o desprezo com o intuito consciente ou inconsciente de ferir, não é produtivo. 
Permanecer um período de tempo sozinho é bom; distanciar-se para evitar pequenas discussões, costuma ser uma atitude madura e saudável.

Ficar sozinho é também necessário quando não estivermos cultivando culpas, rancores, ressentimentos e sim, se estivermos avaliando nossas falhas, para nos reconciliar com o nosso passado e assim rever metas; mudar nossas condutas de convivência social e ainda mudar, mesmo que num processo de sofrimento, defeitos de nossa personalidade que atravancam nossa capacidade de amar, de sermos amados, compreendidos e respeitados.

Ferimos e somos feridos, magoamos e somos magoados, por isso temos que saber quando e com quem devemos falar e nos oferecer para ajudar, ou pedir para sermos ajudados somente por aqueles que nos dão espaço. Porém, tudo isso são apenas dilemas do cotidiano, que muitas vezes não sabemos encarar de forma neutra, sendo passionais demais, acabando por valorizar excessivamente eventos que deveriam ser desprezíveis e/ou pouco considerados.
Às vezes as palavras são desnecessárias, ou porque a pessoa nos conhece de menos, analisando-nos erroneamante e não vai nos entender, ou nos conhece demais e já nos aceita sem explicações e justificativas.  

Aprendi a duras penas e por meio da Ajuda Divina e de alguns anjos bons terrenos, que as explicações e justificativas tornam a vida pesada...  
Para mal entendidos e incompreensões, o silêncio é a melhor resposta! Ou a palavra dita na hora certa e do jeito certo pode edificar o emissor e o interlocutor (quem recebe a mensagem), mesmo que num primeiro momento, ele não aceite, pois às vezes, demoramos a assimilar certas lições para nossas vidas.

O fato é que a verdade sempre aparece, quando entregamos as rédeas de nossas vidas a Deus. Hoje sei, mas ainda quero aprender muito mais, acerca da compreensão de que problemas só são do tamanho que os deixamos ser e não são as situações que nos entristecem, mas sim, o modo como as encaramos. 

Não é uma tarefa fácil, mas acredito particularmente, que a cada dia, não somos os mesmos; mudamos, mas nem sempre percebemos as pequenas mudanças, que vão ocorrendo nessa nossa eterna jornada: a Vida. Um dia, essas pequenas transformações surtirão efeitos e seremos seres mais espirituais, evoluídos e desapegados, basta preencher nossa vida com atitudes de solidariedade, generosidade, paciência e trabalhar com amor e dedicação, pois Deus ampara os trabalhadores dedicados, empenhados e esforçados.

(Dedico este texto às pessoas que conviveram comigo no período de 2007 a 2010). Em especial a todos os meus alunos, professores da Faculdade, do Estágio (Enfermeiros), Médicos, Auxiliares e técnicos de Enfermagem.

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