Angola vai adoptar o Acordo Ortográfico?

Ainda recentemente o Jornal de Angola (JA), através de um dos seus habituais e (in)caraterísticos editoriais, alguns sob assinatura, criticava o estímulo à adopção do novo Acordo Ortográfico porque, afirmava e bem, que havia coisas “na vida que não podem ser submetidas aos negócios”.

por Eugénio Almeida* 

 

Acrescentava o JA que ninguém “mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português”,.

Recorde-se que, até agora, tal como Moçambique e Guiné-Bissau, Angola ainda não ratificou o Acordo.

Bom, qual não foi a minha surpresa hoje, ao ver no Deutsch Welle, que Angola está a estudar a implementação do Acordo “sensível” no País.

De acordo com o portal alemão, na sua boa secção lusófona, Angola, que preside à CPLP, está avaliar procedimentos para adoptar a nova ortografia em conjunto com países que já aprovaram o acordo (no caso, Brasil, Cabo Verde, Portugal, São Tomé e Príncipe, e Timor Leste).

Segundo parece, o ministro das Relações Exteriores de Angola e presidente do Conselho de Ministros da CPLP, Georges Chicoti, terá revelado que uma equipa técnica de peritos angolanos está pronta para apresentar – ou terá já apresentado – um estudo visando essa adopção. Chicoti terá dito que pela importância “que ele representa, os ministros recomendaram que este estudo fosse apreciado na próxima reunião dos ministros da Educação, em Luanda, e em função disso eventualmente serão feitas recomendações que serão tidas em conta no Acordo Ortográfico vigente”.

Pessoalmente, e já todos sabem disso, não sou contra ao referido Acordo embora continue – e enquanto o aceitarem – a adoptar a versão portuguesa que me ensinaram no meu País e nas minhas escolas (da vida e académica).

Se necessário for, saberei, na altura própria perder alguns “pês”, certos “cês” e demasiados hífenes. Não sou, nem nunca fui um retrógrado empedernido, mas gosto da minha estabilidade linguístico-emocional.

Vamos lá a ver se, realmente, vai haver alterações na língua e como é que todos a vão conseguir adoptar. Recordava um país que ainda agora adoptou a língua portuguesa como oficial e já vai ter de a alterar sem ainda haver quem a saiba falar. Por certo sabem de quem falo, tal como os equato-guineenses o sabem…

*Investigador do CEA-IUL (ISCTE-IUL)
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