|
NÃO TENHAM MEDO
Mia Couto fez um belo discurso na
Conferência do Estoril, Desafios Globais, Respostas Locais, realizada entre os
dias 4 e 6 de maio de 2011, na Freguesia Portuguesa, sobre o medo e a questão
da segurança mundial.
Parafraseando o poeta nascido em Moçambique e o seu
texto intitulado ?Murar o medo?, quis fazer algo semelhante na esfera
existencial e profissional para os nossos formandos, meus afilhados acadêmicos,
a quem dedico essas linhas:
Alexandre Axileas Haritos;
Andrea Pannunzio
Coelho;
Andréia Pinto de Toledo Barbosa;
Bruno Poth Sicala;
Caroline
Franco de Oliveira;
Catarina Garcia Deleo;
Clayton José da Rosa;
Flávia Augusta Pereira da Luz;
João Carlos Pimenta de Souza;
Lucas
Gustavo de Souza Silva;
Marcelo André Ferreira da Silva;
Marcelo Thomaz
de Aquino Filho;
Márcia Bueno de Souza;
Muriel Mitsuco Kogima Kiyuna;
Murillo Henrique Ramos Pontes;
Raphael Embelicieri Júnior;
Rodrigo
Pinto de Toledo;
Sabrina Mirnada Fiori Lima;
Tiago Vinicius de Oliveira
Brachini;
Vera Lúcia de Oliveira Pinto;
NÃO TENHAM MEDO DA VIDA,
Ela é a única chance material que temos, neste corpo, de potencializarmos
nossos sonhos e de sermos felizes;
NÃO TENHAM MEDO DO TEMPO,
Quanto
ao PASSADO, não podemos alterá-lo, que ele nos sirva apenas de experiência para
o presente e futuro; quanto ao FUTURO, não creia que ele seja fruto de sorte ou
da graça divina apenas para alguns; ele é, sem dúvida, resultado de nossas
escolhas, livres e conscientes;
NÃO TENHAM MEDO DA FRUSTRAÇÃO,
Que
ela seja nossa companheira em nosso dia-a-dia. Ela nos será um problema quando
julgarmos que conosco ela nunca acontecerá. É importante sabermos que nem sempre
as melhoras escolhas implicam em excelentes resultados; saber equilibrar,
tolerar, aceitar, levantar a cabeça, ajuntar os cacos e seguir adiante são
fundamentalmente pontos de hombridade para vencedores. Nem sempre será possível
mudar a vontade alheia ou alterar o mundo circundante. Apenas poderemos ter o
controle sobre nós mesmos. Como dizia Aristóteles, ?ter raiva é fácil, mas ter
raiva, na hora certa, na proporção certa, pelo motivo certo, contra a pessoa
certa, não é fácil?. Portanto, não tenhamos medo de nos frustrarmos.
NÃO
TENHAM MEDO DA AMIZADE,
Ela é, segundo o pensador Epicuro, filósofo
hedonista do século III a.C., a razão de nosso viver. Uma amizade é mais
duradoura do que os laços sanguíneos de parentesco. Nossos amigos são
deliberadamente escolhidos por nós, nossos familiares não, nem nossos
descendentes... A amizade é fruto de nossa sensibilidade, de nosso acolhimento,
de nossas renúncias e valores comuns. Nos dias tristes e solitários, enquanto
todos se afugentarem, NOSSO AUTÊNTICO AMIGO será nosso único conforto presente.
NÃO TENHAM MEDO DO TRABALHO,
Errar é humano. Diferenciamo-nos dos
demais seres, pois transformamos a natureza em cultura, do qual o trabalho é uma
conquista eminentemente humana. Através dele, concretizaremos nossos sonhos e
teremos uma vida melhor. É relevante salientarmos que nem sempre seremos
reconhecidos por nossa competência e talento, nem sempre teremos uma remuneração
proporcional a nossa aptidão, nem sempre alcançaremos aquele cargo que
pleiteamos. O fundamental é termos maturidade, responsabilidade, autossegurança
e, sobretudo, serenidade, retidão, paz de espírito.
NÃO TENHAM MEDO DA
DOENÇA,
Saúde não significa vida, doença não significa morte. Cuide bem de
seu corpo, ele será seu veículo que irá conduzi-lo na direção de sua meta.
Lembre-se que o que fizermos com ele hoje, amanhã seremos cobrados
impiedosamente por ele.
NÃO TENHAM MEDO DA MORTE,
Ela é a única
certeza da existência. Sua ideia é apavorante, estarrecedora. Mas como dizem os
filósofos materialistas, ela, para nós, é um nada, pois com ela tornamo-nos
insensíveis, imunes às dores. Para os pensadores espiritualistas, a morte é uma
possibilidade de existência infinita, resultante daquilo que fizermos hoje,
agora. Com efeito, vamos nos preocupar com outras coisas, visto que ela é
inadiável e intransferível. Portanto, façamos o melhor, esforcemo-nos
consideravelmente, porquanto quando ela chegar possamos ter feito àquilo que
podíamos fazer, após ter dado o máximo de nós.
E, POR ÚLTIMO, não
tenhamos medo de SERMOS FELIZES,
A felicidade não é utopia, nem palavra
exclusiva da Ética de Aristóteles. Ela é uma realidade e deriva de nossas
melhores e triunfantes escolhas. Concluo como Mia Couto em seu discurso:
Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é
imperioso sustentar fantasmas (...). E ao citar Eduardo Galiano conclui: (...)
As armas têm medo da falta de guerras (...).
Sendo assim, dediquemo-nos o
melhor de nós para coisas que valem a pena: a família, a realização das pessoas,
a felicidade própria, o amor a Deus e a alegria em se tornar hoje um Gestor da
Tecnologia da Informação.
Parabéns e que Deus abençoes seus sonhos, eu e
minha esposa estaremos em oração pela felicidade de cada um e pela supressão de
todos os seus medos.
BENEDITO LUCIANO ANTUNES DE FRANÇA 38 ANOS
Coordenador do curso de Gestão da Tecnologia da Informação da FATEC Bragança
Paulista. Professor de Ética e de Metodologia da FATEC Bragança Paulista e da
FATEC Americana. Professor de Filosofia da EE João Franceschini, em Sumaré/SP.
Paraninfo da 1ª turma de Gestão da Tecnologia da Informação da FATEC Bragança
Paulista, discurso proferido em 08/03/2012, na Secretaria Municipal de Segurança
e Trânsito da Cidade de Bragança Paulista, em ocasião da Colação de Grau da
Primeira Turma do Curso Superior de Tecnologia em Gestão da Tecnologia da
Informação, da FATEC Bragança Paulista, pertencente ao Centro Estadual de
Educação Tecnológica Paula Souza, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado
de São Paulo.
Acrescentar como Favorito (291) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 1927
Só utilizadores registados podem escrever comentários. Por favor faça o login ou registe-se. |