O Mendigo

O Mendigo
 
Afeito ao abandono e ao escárnio                                                 
surgiu  nu na rua e começou a rir sozinho.
Ria feito criança que vê algo engraçado,
ria olhando todos
como um pobre desgraçado.
 
Dava vivas à vida em altos berros,
anunciando que acabara de nascer.
Dançava igual bailadeira, na calçada
cantando em melodia estranha:
“Agora já posso morrer,
a única coisa que me tinha nesse mundo
era a roupa que acabou de me perder.”
 
Dançou tanto, cantou tanto, chorou tanto,
que exausto caiu no chão.
A moça boa lhe trouxe um manto
Um copo de leite e um pedaço de pão
 
O mendigo furioso
Atirou tudo pra longe
e sussurrando, disse sorrindo:
Agora não precisa mais...

Adormeceu num suspiro profundo
e não acordou jamais.

 
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