Sangue na auto estrada, no Natal de 96 |
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As emoções de preparar a viagem a Portugal, estavam presentes naquele dia de 20 de Dezembro de 1996. Era levar o espírito natalício para esquecer a azáfama do dia a dia, o trabalho e canseiras, para o respirar de uma quadra, que a todos nós toca de uma forma muito especial. Assim a família Lopes partiu com o seu veículo de Lucerna pelas 19 horas por estas auto-estradas fora.
Pelas uma e trinta da manhã, 21 de uma madrugada ensombrada, vê um acidente ao longe na autoroute A9, em Saint-Auprés, Hérault, França, como precaução abranda e dá sinal de presença com os quatro piscas, até ter possibilidades de contornar o sinistrado. Quando vê que tem a oportunidade de o fazer, recebe um violento embate na parte traseira esquerda do seu carro, que o arrasta para a única via livre, e naquele preciso momento ouve as últimas palavras em vida de sua esposa, a Sra. Fernanda Lopes; --Olha bateram-nos!!--, para a décima de segundo seguinte um outro carro ainda com mais violência lhe embatesse de forma brutal e mortal. O senhor Lopes foi para o hospital como a filha menor Vera, com várias escorriações e traumatismos múltiplos, quem teve morte imediata foi a referida senhora, que não pode levar o espírito de natal aos seus, mas sim a dor e o tormento de um sofrimento que ainda perdura dos que cá ficaram. O mais impressionante neste terrificante acidente é que os carros que provocaram esta tragédia eram de portugueses residentes aqui na Suíça, e que iam, também eles passar a quadra natalícia, por essas estradas fora sem o necessário cuidado e atenção, nunca querendo dizer com estas que foi prepositado. Foi um natal de pesar e lamentos por tal sorte madrasta, foram lágrimas de sangue e acutilantes onde a mágoa sobrepõe ao bom senso e à boa vontade de se poder esquecer, pois tal não será mais possível. Passados catorze meses, o processo ainda está longe de ser resolvido, as companhias de seguro dos dois veículos que provocaram esta tragédia, não se entendem quanto a indemnizações, é um correr a advogados, como a pedir processos à polícia francesa que tomou conta do ocorrido. Uma menor ficou prematuramente sem o carinho e cuidados de uma mãe, que viu a morte nas estradas aos quarenta e cinco anos. Quanto aos dois portugueses residentes aqui na Suíça, o senhor Carlos T. de St. Croix, e o senhor Fernandes G. de Zürich, que se viram como protagonistas involuntários, mas causadores deste terrível caso, pecaram por não terem dado uma palavra de conforto e de condolências ao marido da vítima, senhor Fernando Lopes, prostando-se estes para um silêncio comprometedor. Não gostaria de terminar, sem lembrar os nossos leitores de terem sempre cuidado com a velocidade e o cansaço depois de longas horas a um volante, para os perigos que isso pode originar nas idas de férias, de sair para uma viagem tão extenuante depois de um cansativo dia de trabalho, onde a frescura de reflexos e de movimentos não pode ser a mesma de um corpo com descanso. Quanto ao senhor Fernando Lopes, as últimas palavras da esposa em vida são um recordar ininterrupto na sua mente;--Olha bateram-nos!! . Adelino Sá Lucern, Suiça Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail Artigo anteriormente publicado no jornal Luso-Helvético, o jornal da Comunidade Portuguesa na Suiça Acrescentar como Favorito (407) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2767
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