A Aviação da MONUA e a 3ª Guerra Civil em Angola

O Andulo e o Bailundo têm vindo a ser, desde 5 de Dezembro, alvo de quasi diários bombardeamentos aéreos por parte da Força Aérea do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos, o que provocou o início desta 3ª Guerra Civil em Angola. Em pelo menos parte deste bombardeamentos o MPLA do eng. José Eduardo dos Santos tem vindo a utilizar bombas químicas, paralizantes, conforme já foi confirmado pelo jornalista do MPLA Gustavo Costa, em artigo para o semanário português EXPRESSO.

No Andulo e no Bailundo, assim como nas áreas circundantes, vivem para cima de 200 000 pessoas, homens, mulheres e crianças, pacatos agricultores angolanos, na sua imensa maioria.

Vive também, é conhecido mundialmente, a Direcção da UNITA e o seu Presidente, o dr Jonas Savimbi, subscritores do Protocolo de Lusaka e, por tal, merecedores da protecção da MONUA, única razão, aliás, para a mesma ter nascido e se ter mantido em Angola, até hoje. Aliás, única razão para a mesma se ter sediado em várias localidades de Angola, entre as quais o Andulo e o Bailundo.

Entretanto, o sr eng. José Eduardo dos Santos, no decurso, em especial, deste ano de 1998, foi preparando mais um dos seus múltiplos golpes de estado - assim, desde o PDPA_ANA, à FNLA, partidos com representação parlamentar, críticos do MPLA do eng José Eduardo dos Santos, foram alvo de inúmeras pressões por forma a tenderem a ser anulados enquanto partidos da Oposição Angolana, tendo-se chegado a assistir ao afastamento, administrativo do Presidente da FNLA, Holden Roberto. De seguida, o eng. José Eduardo dos Santos concentrou-se na componente parlamentar e governativa da UNITA e tentou tudo por tudo para inventar uma "nova UNITA", comprando homens como Jorge Valentim e Manuvakola, esperando ainda comprar o grupo parlamentar e os restantes membros do Governo da UNITA, o que não conseguiu, tendo esta parte do plano falhado estrondosamente.

Este falhanço foi, aliás, a razão do atrazo do início desta 3ª Guerra Civil em Angola que esteve prevista para iniciar desde Maio de 1998, como toda a campanha prómpla do eng. José Eduardo dos Santos desenhava, em boa parte da comunicação social, em especial em Portugal.

Em estado de desespero, o eng. José Eduardo dos Santos, com a desculpa da necessidade de "estender a administração do Estado a todo o território Angolano", iniciou os bombardeamentos sobre o Andulo e o Bailundo, assim como uma fortíssima operação militar sobre estas duas localidades Angolanas.

Pensava poder apresentar-se, o eng. José Eduardo dos Santos, no recentemente terminado Congresso do MPLA, com uma estrondosa vitória militar que prepararia com facilidade o golpe de estado partidário que realizou dentro do MPLA e que levou ao afastamento de inúmeros históricos deste partido.

Falhou na operação militar, completamente. Como explicou o representante da UNITA na Suiça, o dr. Vaikheny, as populações da região sublevaram-se contra esta investida militar e resistiram e resistem, heroicamente, à investida do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos, até hoje.

Perante todas estas manobras anticonstitucionais, ilegais e imorais, que chegam ao uso de armamento químico, o que tem feito a MONUA, a observadora do processo de Paz?

Pediu, desesperadamente, a retirada das suas forças, militares, do Bailundo e do Andulo, desde antes do iniciar dos bombardeamentos - para quê? Para que não existissem testemunhas destes bombardeamentos, desta forma original e brutal de extensão da administração do Estado, para poder manter em silêncio este terrorismo de estado caracterizador do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos.

A UNITA cumpriu e permitiu a saída de tais militares... e os bombardeamentos a que os mesmos assistiram puderam continuar sem testemunhas. Sem testemunhas que, até, conduziram a que o MNE português pressionasse a TSF para não enviar um seu correspondente de guerra para o Andulo e o Bailundo, como é sabido, ficando este MNE no rol dos que quiseram silenciar, milhares de Angolanos, sem que o Mundo o pudesse saber.

Claro que a MONUA, e o Conselho de Segurança da ONU, mais uma vez e à pressa, vieram condenar a UNITA, agora de forma mais envegonhada e por pressão do embaixador de Portugal na ONU, o sr António Monteiro. Claro que a MONUA e a ONU nada disseram, até hoje, sobre os bombardeamentos sobre populações civis em Angola.

Entretanto, a coberto coma utilização da bandeira da ONU, alguns aviões da MONUA tentaram continuar o que fizera em 1993/4 o PAM/ONU, dirigido pelo luso moçambicano Aranda - transformarem-se em aviões de transporte de militares e armamento do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos.

No meio da refrega, um desses aviões terá sido atingido. Terão morrido, ou desaparecido, 14 militares da MONUA. Imediatamente o sr Diallo representante em Angola da ONU, acordou do seu silêncio e iniciou a actual campanha a solicitar uma trégua entre beligerantes, para retirar militares do local da guerra.

Curioso este cidadão da ONU. Os pacatos Angolanos que vivem no Andulo e no Bailundo podem morrer sob os bombardeamentos dos aviões do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos. Os militares da ONU esses não!

Esta 3ª Guerra Civil em Angola foi iniciada pelo MPLA do eng. José Eduardo dos Santos, mas tem a mão, também, da ONU e dos que apoiam internacionalmente o MPLA do eng. José Eduardo dos Santos, como António Monteiro, Durão Barroso e parte se não todo o MNE português.

Esta 3ª Guerra Civil terminará com a derrota militar do MPLA do eng. José Eduardo dos Santos, finalmente. A Democracia, a Paz e o Desenvolvimento será então possível em Angola. Os Angolanos perdoarão o que lhes foi feito, como por exemplo as Sanções sobre a UNITA, ilegais e imorais, mas não esquecerão. Os Tribunais Internacionais terão de funcionar para julgar e condenar os culpados da morte de milhares de Angolanos sob a ditadura terrorista do eng. José Eduardo dos Santos.


Joffre Justino
Lisboa, Portugal
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail
Acrescentar como Favorito (414) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 1577

Seja o primeiro a comentar este artigo
Coemntários RSS

Só utilizadores registados podem escrever comentários.
Por favor faça o login ou registe-se.