Resposta aos artigos do amigo Amaury da Silva Rego |
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Caro amigo Amaury: Os seus artigos revelam que é um humanista, preocupado com o bem-estar social e individual da sociedade. Não é fácil analisar a sociedade, mas também não é preciso ser-se sociólogo. Sem cair em simplismos diria que perpassa nos seus artigos a ideia de que o Homem do final de século vinte está a perder-se. Detem poderes que desconhece, forças que nem imagina mas teimosamente persiste na guerra da sobrevivência e da competição idiota. Em primeiro lugar o Homem terá de retornar à Natureza (nem que a Natureza seja Marte), reencontrar o equilíbrio perdido, urge pressionar os poderes para evitar a todo o custo a insana destruição ambiental. O pior é que ao retornar à Natureza o Homem corre o risco de a encontrar ferida e seria de evitar a massificação desse retorno com consequências imprevisíveis para o meio ambiente. É preciso também um ideal e não andar às turras toda a vida como um catavento. Não há mal nenhum em ser-se individualista e há que estabelecer critérios para o que é o egoísmo... Oxigenado, reequilibrado, o homem pode pensar melhor, preocupar-se consigo mesmo sem estar só meter-se na vida dos outros ou a olhar sempre o seu umbigo. Ser digno. Sem experimentar calçar sapatos que não são os seus não pode avaliar os outros. Fazer a sua parte, humildemente... respeitar o próximo... Eu nunca desdenhei de uma procissão! E se fumasse nunca o faria à frente dos outros... preocupo-me em não incomodar. Mas sou incomodado bastas vezes. E no fim ainda me chamam de burguês ! Hoje parece que as relações interpessoais carecem de uma password... Imaginar como o outro se sente, ser o outro por uns instantes é a maior prova de amor pelo outro e de que não se é egoísta. Só assim se poderá enviar aos outros o feed-back que o ajudará a crescer sem ferir a sua susceptibilidade. Nós não somos máquinas... somos seres sensíveis... só os insensíveis é que não entendem isto... querem que o Homem produza duas vezes mais em menos tempo. Não há mal nenhum em não conseguir matar uma galinha mas gostar de a comer. São coisas diferentes. É preciso saber unir sem confundir e distinguir sem separar. Hoje somos actores e fantoches, usamos de intermediários para não enfrentarmos a nossa cobardia e fazemos justiça pelas próprias mãos ditando regras ditatorialmente escondidas sob a capa da democracia. Outra coisa que me deixa perplexo é essa onda de novos investigadores sociais e da psique humana que fazem do ser humano o laboratório das suas experiências como dantes se experimentavam venenos nos macacos. Querer sondar a psique humana através deste método é tão cruel como a tortura da Idade Média. Há comunidades que por vezes caem na tentação de, perseguir (são a nova PIDE!) conspirar e de testar os de fora. E as massas são inconscientes... disso os socialistas ainda não se aperceberam. Enquanto condenam o individualismo que frequentemente tudo faz avançar despersonalizam-se no todo social a que dizem pertencer sem nunca serem fermento na massa. São meros joguetes nas mãos de outros e não passam de acéfalos e acríticos porque há sempre alguém no todo social que pensa por eles. Refugiam-se ... caminham pela sombra para não se queimarem ... sem um rasgo individual. Mozart morreu aos 35 anos mas é eterno! Nunca teve tempo para bodes expiatórios. Mas havia tantos que mereciam sê-lo e que faziam da sua vida um pequeno tormento. Quiçá ... terá morrido por isso...Há certas pessoas que passam a vida a bater pedra e nunca hão-de legar uma escultura aos tempos vindouros. Nas relações humanas há que ser agricultor e não pedreiro! É preciso semear para colher depois. Basta de falta de pedagogia ... até dos governantes. Sem uma moral e ética tudo se perde até o homem... faz-me certa tristeza aquela Mulher moça apresentadora de televisão que desejava o Amor eterno... mas não teve a coragem de sair da sua timidez e de se aproximar dando o primeiro passo ao encontro do Homem que a admirava estava disposto a dar-lhe amor eterno. Eu acredito no amor eterno. Se deixar cair uma pedra as águas de um lago elas provocarão ondas infindas... assim uma palavra mal medida ou um acto de traição a um amigo. E também um acto de amor... Para mim um amigo que não impede o seu amigo de cair a um poço é um hipócrita e não um amigo verdadeiro. Pelo menos não assista, não é? A abertura implica respeito e amizade... isto é amar o outro é ajudar o outro, fazer ao outro o que gostaria que me fizesse...o ódio camuflado na amizade é frequente, a vítima inocente para descarregar as agressividades resultantes do stress e frustração. Não há consciência crítica que sobreviva a uma amizade falsa. O Homem de hoje não carrega as suas baterias interiores e não tem disponibilidade para os outros. Também não sabe ocupar o seu lugar... Não pode também comprar a amizade ou o amor... já tão deturpado... Não gosto do teatro. Hoje tudo é teatro mesquinho. Não há relação autêntica, verdadeira, tudo é estudado, calculado. Assim existem milhões de James Bonds á solta. Ser desconfiado e camuflado ajuda à sobrevivência. Assim estar durante 24 horas do dia em contacto com seres humanos que se desconhecem, que negam a sua natureza, que são hipócritas e que não se respeitam gera angústia e neurose. Hoje assiste-se à urbanização da neurose. O próximo século assistirá ao poder devastador da mundialização da neurose urbana e rurbana...depois só nos restará Marte... AH se tudo fosse um acto de amor, se houvesse só Amor... inteligente, criativo amigo, apaziguador como todos eram felizes! Na era que se aproxima a salvação está no Homem e na inspiração artística, na sua alma e na educação moral e cívica e não no materialismo ou ateísmo, indiferença ou egoísmo. Carlos Silva Caldas da Rainha, Portugal Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail Acrescentar como Favorito (425) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 2779
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