Atentado aos EUA: outra visão |
|
Além de pobres e miseráveis, os "neo-bárbaros" (palestinos, africanos, sérvios...) ainda são tidos como frios, desalmados,
sem-cultura, sem-valores, sem-honra, sem-passado, sem-futuro...O mundo se "globalizou", mas não são todos que participam da brincadeira. Os "neo-bárbaros" foram alijados deste mundo pós-moderno que, liderado pelos americanos, cultua ídolos de plástico, valores descartáveis e os belos (porém utópicos) ideais de "liberdade, igualdade e fraternidade". Quando o desprezo é cultivado, o próximo passo é o ódio. E aí o caminho é sem volta. Os "neo-bárbaros" já passaram a odiar há tempos...e o troco está vindo e continuará a vir banhado em sangue e violência. Este é o "mal-estar da humanidade". Esse maniqueísmo que o mundo e suas instituições nos passa não existe. Na trajetória do homem pela Terra nunca houve mocinhos ou bandidos. Cada ato, de crueldade ou bondade, foi (e será) justificado por pelo menos uma das partes - por mais absurdos que os argumentos apresentados pareçam. O difícil é tentar se colocar (algo nos meandros da minha personalidade me diz que o mundo do "se" não existe) no lugar de alguém que sofre algum tipo de violência - física ou moral - e compreender o turbilhão de sentimentos e sensações que invadem este alguém após tal ato. No caso específico do que ocorre na Palestina e adjacências é preciso se ter um bom background da situação para se emitir qualquer opinião ou julgamento. Após saber e refletir sobre o assunto a primeira conclusão que se pode tomar é a seguinte: árabes (os da Palestina especificamente) e judeus já não alimentam desprezo uns pelos outros, já é ódio mesmo. Porém, o que ocorre entre estes povos é uma contenda a la Davi e Golias, e ironicamente (algo que aprendi é que a vida é tão irônica que dá vontade de rir toda hora) Davi (que foi um rei judeu) é representado pela figura dos árabes. O Estado de Israel, que foi criado - através de uma decisão da ONU em 48 - na Palestina para destroçar a espinha dorsal dos árabes - uma etnia que há tempos não aprecia manter relações muito estreitas com o mundo externo - da região, mantém boas relações com as potências mundiais (alguém disse EUA?) e a causa sionista é louvada por todos os seres "politicamente corretos". Apenas uma pequena digressão: alguns judeus acham que Israel fica na Palestina porque na Torá Deus "diz" que aquela é a terra prometida do seu "povo sagrado". Ainda existe ingenuidade no mundo... Já os árabes não gostam (existem as exceções, claro) que metam o bedelho em como sua estrutura social seja conduzida, e utilizam uma forma bem peculiar de tentar manter sua identidade cultural, através de teocracias extremamente fechadas e radicais. Por causa do comportamento "antisocial" (de forma exagerada: se um árabe recebe um tapa na cara, corta a cabeça de quem o deu) do povo de Alah o "mundo civilizado", cantado/arrotado em prosa e verso por americanos e europeus, o vê com olhos assustados. Por isso as potências econômicas querem alguém na região com quem se possa conversar, no caso os "civilizados e politizados" judeus, sobre petróleo - o ouro negro que brota da terra e move o mundo - e outros assuntos de interesse econômico. Todos sabem que com árabe a conversa é mais difícil... E como no mundo "globalizado" ou você faz o jogo dos grandes ou cai fora, o povo de Alah fica meio deslocado e passa a pedir migalhas para nações mais benevolentes. Agora, o que gera mais revolta é ver os EUA, que financiam Israel sempre que podem, mediando "acordos de paz" entre árabes e judeus da forma mais hipócrita possível. É mais ou menos assim: os EUA viram para palestinos e hebreus e dizem: irmãos, sejam educados e apertem as mãos; logo após o aperto-de-mãos "amarelo" os EUA vão para os bastidores e viram para Israel: e aí, tenho uns mísseis balísticos para vocês jogarem na Cisjordânia, estão a fim de comprá-los? É o cúmulo da hipocrisia e podridão! Só não vê quem não quer. E a revolta é ainda maior quando vemos que os EUA são uma nação que tem como um dos pilares fundamentais de sua sociedade a arma. Ora, uma das primeiras emendas da Constituição americana dá o direito a cada americano de possuir uma arma. Uma nação que nasceu guerreando e não hesita em derramar sangue por qualquer causa (dela ou não), contanto que o resultado final a beneficie. E esses americanos ainda posam de "paladinos da moralidade" e defensores da "democracia e liberdade"... Democracia é o escambau! Vou jogar algumas palavras e se você for esperto(a) vai entender o "x" da questão: Dresden, Hiroshima, Nagasaki, Vietnã, napalm, Coréia, Golfo... Pegaram? O que quero dizer com isto é: quem fere, semeia a discórdia e não respeita a vida humana não poderia ter o direito de reclamar quando é ferido por um bando de extremistas que só querem dizer o seguinte: ei yankees, nós odiamos vocês e seu modo de vida (inveja talvez) e vamos atormentá-los até não podermos mais. Como eles não têm ogivas nucleares, para intimidar os yankees (como os russos lhes fazem), acabam apelando para uma das formas mais vis de violência que é o terrorismo, cuja máxima é: "ninguém é inocente e ninguém está a salvo". Com estes argumentos não quero fazer apologia da violência extrema, nem justificá-la de forma plausível (legitimá-la seria o cúmulo da estupidez e falta de humanidade), pois os valores que me foram passados não me permitem tomar tal posição. Mas a cretinice e o mar de mediocridade em que estou submergido me deixam furioso. Não agüento mais perguntas e comentários do tipo: "mas por que tanta violência?" e "temos que aprender a viver em paz". Parece que as pessoas não aprenderam que o ser humano é extremamente complicado e que a violência e os atos de crueldade extrema fizeram, fazem e farão parte da sua história, como ser social, apaixonado, neurótico e cheio de complexos. A questão não é tentar compreender a violência e sim o homem e o que o leva a tomar certas posições. Só que ninguém se toca para isto...Só a tragédia (que tem que ser de ricos e famosos) importa. Para concluir, só quero expressar que os atos de terrorismo cometidos contra os EUA são deploráveis, mas tiveram um motivo, sim - talvez mais aceitável que o motivo que os americanos acharam para pulverizar duas cidades japonesas. E os homens que perpetraram tais atos defendiam uma causa, sim (por mais absurda e radical que pareça para você). E afirmo que aquela imagem do avião se chocando contra uma das torres gêmeas é pura poesia visual, já que a mensagem que ela passa é fortíssima, é trágica, e nos faz pensar até em quem realmente somos e no valor da vida humana num mundo de plástico, onde o poder econômico vale mais que tudo. Gustavo Pereira Salvador, Bahia, Brasil - 14/09/2001 Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail Acrescentar como Favorito (399) | Refira este artigo no seu site | Visualizações: 3121
Só utilizadores registados podem escrever comentários. |
||||