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Legado Português
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![]() O antigo Reino do Sião foi essencial para Portugal conquistar o mercado das especiarias de Malaca e, "tudo mais que por lá havia". Após Vasco da Gama ter descoberto o Caminho Marítimo do Oriente, em 1498, o Rei Dom Manuel I, desde logo tem nos seus planos a tomada de Malaca. A ilha é banhada pelo Mar de Andaman, ao sul da Baía de Bengala e o maior entreposto comercial de toda a Ásia onde dos reinos do extremo Oriente e das redondezas chegavam exóticas mercadorias. Entre estas a pimenta, a canela, a pedraria, o cânhamo o gengibre, o estanho, prata e as porcelanas da China. O mercado de Malaca, por séculos, foi absorvido pelos árabes que através das rotas do Golfo Pérsico, Mar Vermelho e depois por terra abasteciam os mercados tradicionais do Norte de África, Veneza, Piza e Genova, em Itália. Empórios que deixaram de ter qualquer significado mercantil, após os portugueses terem chamado a si o abastecimento das "coisas" da Ásia a toda Europa. Dez anos após a chegada dos portugueses ao Oriente, parte do comércio da Índia já era dominado pela Coroa Portuguesa e já eram conhecidas as riquezas de Malaca. Falta, apenas, explorar a costa do Coramandel e as da Ilha do Ceilão... São úteis e vitais para o bom sucesso da conquista, todas as informações, sobre os portos e rotas obtidas das tripulações muçulmanas que por inocência ou dinheiro as revelavam. Estava de fora, entre os árabes, que o objectivo dos portugueses seria arrebetar-lhes o secular monopólio da mercância de Malaca. Dom Manuel I vai recebendo, chegadas a Lisboa, as mensagens credíveis dos comandantes das caravelas que navegam de Cochin (Índia) tambem chamada a terra da pimenta, da imponência esplendorosa de Malaca. O Rei Venturoso, sonha, animado pelo espírito do Infante Dom Henrique, quer a todo custo transformar um Portugal, flagelado de peste e fome, numa potência económica na cauda da Europa. Em Abril de 1508 uma esquadra naval, sob o comando de Diogo Lopes de Sequeira passa a Barra do Tejo com destino a Malaca. Atraca, primeiro na Ilha de Sumatra, implanta um Padrão na cidade de Pedir, outro em Pecem e a sua frota está no porto de Malaca no dia 11 de Setembro de 1509. Sequeira, sem fanfarra e o rufar dos tambores de guerra, mas na pele de um mercador é bem recebido. Entretanto a conspiração movimentava-se na sombra. Escapou à morte devido à simpatia que uma muçulmana que nutria por ele e era proprietária da estalagem que, possivelmente, o comandante português frequentava para obter informações e levar a cabo, com determinação, a conquista de Malaca... Diogo Lopes Sequeira regressa a Lisboa, sem trazer a boa nova a Dom Manuel que Malaca já era praça de Portugal. Deixou, por má sorte, alguns portugueses prisioneiros. Entre estes, está Duarte Fernandes que viria a ser o primero português a pisar terra siamesa. Fernandes, durante dois anos de detenção aprendeu a língua malaia e um pouco de siamês. É de crer que Duarte Fernandes, durante os dois anos de permanência em Malaca, ganhou a confiança do Sultão que será estendida aos seus companheiros de cárcere. Com isto veio a gozar de total liberdade de movimentação. Afonso de Albuquerque, finalmente, é senhor de Goa. O indomável guerreiro e exímio diplomata, prepara uma armada e parte para Malaca em procura da sua conquista. Dá-lhe o primeiro assalto em 1511 e arrebata-a. Envia, como emissário, à cidade de Ayuthaya, Duarte Fernandes para informar o Rei do Sião que Malaca tinha sido conquistada. Fernandes é portador de uma espada esmaltada guarnecida de ouro para presentear o monarca siamês. Foi bem recebido pelo Rei Rama Tibodi II. O monarca não esconde a sua alegria pelo facto de Malaca ter saído da posse dos sultões, que há muitos anos se tinham recusado a ir a Ayuthaya prestar-lhe vassalagem e pagar, em ouro, o tributo. Malaca era um pequeno reino tributário do Sião, assim o eram mais doze do Sudeste Asiático onde se incluía Patani. Nenhum destes se houvera recusado da obediência ao seu Rei. Duarte Fernandes regressou de Ayuthaya a Malaca por terra, mar e cursos de água. Navega as primeiras 70 milhas pelo Rio Chao Prya até à Barra do Sião. Depois segue, possivelmente à "boleia" num pequeno barco costeiro, umas 300 milhas até Prachuap Khirikhan. Atravessa a região montanhosa de elefante e alcança o Rio Tenessarim. Navega em almadias, faz amizade com os siameses, graças ao conhecimento da língua e chega ao Porto de Mergui. Passados 14 dias de ter deixado Ayuthaya está a dar conta a Afonso de Albuquerque da recepção que lhe concedera Rama Tibodi II. Fernandes, de Ayuthaya, foi acompanhado por embaixador siamês, levando consigo ricos presentes e uma carta para o rei Dom Manuel I. José Gomes Martins |
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