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Entrevista virtual |
Corria o mês de Maio, cantavam os passarinhos e as flores abriam devagarinho libertando os seus aromas gentilmente. Misturava-se com estes cheiros aquele tão característico e não tão agradável das Termas de S.Pedro de Moel. Os vapores de enxofre tão afamados para o tratamento de várias doenças têm como contrapartida lembrar-nos os ovos velhos que, nos surpreendem quando abertos pela sua côr e odor nauseabundo. Por sorte era Maio, pois as narinas da visitante, não acostumada com estes eflúvios, resistiram com alguma facilidade ao esgar que certamente ofenderia o dono da casa, amante dos ares e da terra.
No ambiente doce de um jardim, refúgio preferido do poeta durante o verão, falámos com Afonso, que nos disse como trabalhava melhor aqui do que na cidade cujo bulício o dispersava e como a natureza envolvente, a proximidade do mar e da floresta o inspiravam. Gostava também de Lisboa no Inverno e adorava viajar pela Europa e para países de climas quentes preferindo o Brasil e a África.
Discutimos alguns temas que o interessavam como a Liberdade de Imprensa e os Direitos do Homem.
Ficámos com a recordação de um homem de refinado gosto (excepto pituitário), conversador, informado e com idéias avançadas e progressistas, muito de acordo com a conjuntura renovadora e culta que se vivia em Portugal por essa época, a chamada Renasçença Portuguesa a que pertenciam os seus numerosos amigos. Que saudades!
A última cantiga (1897):
Esta palavra saudade
Aquelle que a inventou,
A primeira vez que a disse
Com certeza que chorou.
Ana Pintão
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