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Neste comentário de Janeiro alerta-se para a vivência de muitas mulheres nos países muçulmanos e fundamentalistas, situação muito preocupante que já inspirou a concepção de vários livros particularmente de escritoras oriúndas destes países. Apresenta-se a tradução de uma petição que durante este mês passou de caixa do correio em caixa do correio para sensibilizar os internautas para mais este ataque aos direitos humanos. Esta petição foi iniciada por Melissa Buckheit, que presumimos ser a autora do texto e foi assinada por muitas pessoas incluíndo a comunidade cíentifica e académica dos EUA, da Holanda, etc. O trabalho que aqui apresentamos inclui algumas outras opiniões recolhidas na internet e destina-se a fazer chegar aos lusófonos esta amarga realidade. Não é de todo agradável ler este texto, é mesmo doloroso e afecta mais ou menos a sensibilidade de cada um. Assim mesmo, torna-se necessário falar nas coisas que doem para que possam ser eliminadas. Não se pode tratar uma ferida sem mexer nela. · O governo do Afeganistão está a proceder a uma guerra contra as mulheres. A situação é tão grave que já foi comparada num editorial do Times ao tratamento dos Judeus na Polónia antes do holocausto. Desde que os Taliban tomaram o poder em 1996, as mulheres passaram a ter de usar burqua e têm sido espancadas e apedrejadas em público por não usarem o dito pano na cara, mesmo se apenas deixaram os olhos a descoberto. Uma mulher foi espancada até à morte por uma multidão enfurecida de fundamentalistas por ter exposto o seu braço acidentalmente enquanto conduzia. Outra foi mortalmente apedrejada por tentar deixar o país com um homem que não era da sua família. · Não é permitido às mulheres trabalhar ou mesmo sair sem a presença de um familiar do sexo masculino · Mulheres que exerciam várias profissões como professoras, tradutoras, médicas, advogadas, artistas e escritoras foram forçadas a deixar os seus empregos e fechadas em casas o que tem originado niveis elevadissimos de depressão. Não há forma de determinar com exactidão as taxas de suicídio numa sociedade Islâmica tão extrema, mas os assistentes sociais estimam que esta taxa tem aumentado significativamente entre as mulheres que, incapacitadas de conseguir tratamento ou medicação para as severas depressões de que padecem, preferem eliminar as suas vidas a viver nestas condições. · As casas em que vivem mulheres apresentam os vidros das janelas pintados para que não possam ser vistas do exterior. As mulheres têm de usar sapatos silenciosos para nunca serem ouvidas. As mulheres afegãs vivem com grande receio pela sua vida pelo menor erro · Como não podem trabalhar, aquelas que não têm marido ou familiares do sexo masculino passam fome e mendigam nas ruas, mesmo que possuam doutoramentos. · Práticamente não existem serviços médicos a que as mulheres possam aceder e muitos trabalhadores destes serviços, incluíndo psicólogos, necessários para controlar a subida em flecha das depressões femininas, deixaram o país como protesto. · Num dos raros hospitais para mulheres, uma reporter encontrou corpos quase sem vida jazendo sobre as camas, morrendo devagar embrulhadas nas suas burquas e incapazes de falar, comer ou fazer qualquer outra coisa. Outras enlouqueceram e são vistas enroladas nos cantos abanando continuamente ou chorando, na maioria cheias de medo. Um dos médicos planeava deixar todas estas mulheres na porta da residência presidencial quando a medicação finalmente acabasse como uma forma pacífica de protesto. · É de tal forma que a frase "violação dos direitos humanos" parece não chegar para descrever a situação. Os maridos tem poder de vida ou de morte sobre as suas familiares, especialmente as suas mulheres, mas uma multidão enraivecida tem o mesmo direito de apedrejar ou sovar uma mulher, frequentemente, até à morte, por ter exposto um centímetro de pele ou tê-los ofendido da mais ténue forma. · David Cornwell disse-me que nós nos Estados Unidos não devíamos julgar o povo Afegão por este procedimento pois trata-se de uma "coisa cultural" mas isto nem sequer é verdade. Até 1996 as mulheres possuíam relativa liberdade para vestir como queriam, trabalhar, conduzir ou aparecer em público sózinhas para trabalhar. A velocidade com que se verificou esta transição é a principal razão que justificam a depressão e o suícidio. Mulheres que anteriormente eram professoras, médicas ou usavam naturalmente as liberdades básicas são agora severamente restringidas e tratadas como seres sub-humanos em nome da Direita Islâmica Fundamentalista. Não faz parte da sua tradição ou cultura, é-lhes estranho e é exagerada mesmo para aquelas culturas em que o fundamentalismo é regra. Para além disso se desculparmos tudo por razões culturais não nos devemos admirar que os Cartagineses sacrificassem os seus próprios filhos, que se faça a excisão do clítoris das meninas em zonas de África, que, no sul dos Estados, nos anos 30, a população preta fosse linchada Unidos, proíbida de votar e forçada a submeter-se às injustas leis de Jim Crow · Qualquer pessoa tem direito a uma existência humana tolerável, mesmo que sejam mulheres dum país Muçulmano, uma parte do mundo desconhecida dos Americanos. Se podemos ameaçar as forças militares no Kosovo em nome dos direitos humanos da etnia Albaniana, os americanos podem certamente expressar pacíficamente a sua revolta contra a opressão, o assassínio e a injustiça cometida contra as mulheres do Taliban. Melissa Buckheit Brandeis University sara-bande@brandeis.edu O mesmo podemos fazer nós Lusófonos, Portugueses, Brasileiros, Guineenses, Angolanos, Moçambicanos, Timorenses, São Tomenses, Cabo Verdianos porque os nossos sofrimentos, apesar de enormes e tão dificeis de resolver, não são os únicos! Ana Pintão Seguem-se opiniões de cidadãos portugueses, brasileiros e americanos sobre a situação da mulher na sociedade dos seus respectivos países. Retirado de pt-net (majordomo@MINERVA.INESC.PT) Aqui no Brasil, este problema ainda é grave, mas já se faz alguma coisa, que eu considero muito válido: delegacias especializadas na mulher, onde desde a delegada até a faxineira são todas mulheres, e oferece-se proteção para as mulheres espancadas e ou violentadas, embora nem sempre funcione, aliás como tudo aqui no Brasil. Certos hábitos "culturais" não podem ser sacrossantos e intocáveis, não se admitem em países teoricamente civilizados, como o hábito de extirpar o clitóris das meninas em um certo país da África (que não me lembro agora qual é), ou touradas, ou violência contra a mulher, escravatura de crianças, pedofilia e tantos outros que já passaram por aqui! Fernando, Brasil, pt-net Criticar é fácil para quem está de fora e não sofre na pele! Ou para quem só toma conhecimento de casos destes pela comunicacão social, com o seu poder de banalizar e desvalorizar tudo ao ponto de já se começar a pensar/sentir que se nao aparece na comunicacão social é porque nao existe! Antígona, Brasil, pt-net Acho que uma grande parcela de culpa por esta situação é das próprias mulheres, que criam os filhos exatamente como seus pais, irmãos e maridos foram criados: uns machistas. Se as mulheres começarem a incutir na cabeça dos filhos pequenos que isso é errado, com certeza esses meninos serão homens menos violentos quando adultos... Fernando, Brasil, pt-net Enquanto uma sociedade nao reconhecer e impuser uma determinacao para tratar essas cenas como crimes, como devidamente sao, sera' dificil haver algum melhoramento na situacao. Aqui nos EU, pelo menos na area de NY, ha' casas de acolhimento para mulheres nessas situacoes. Tambem há agora mais tendencia de prender o marido num caso desses. Isso juntamente com maior presenca feminina na forca policial, já são uns passos positivos--infelizmente ainda pequenos demais. Ainda recentemente uma mulher foi assassinada pelo namorado apos o Juiz ter recusado uma ordem de proteccao (em q ele teria de se manter a uma certa distancia dele debaixo pena de prisao). Mais chocante ainda, foi um programa recente na CNN sobre o costume 'cultural' no Jordao de infligir a morte numa mulher, geralmente por um membro da familia, se determinarem que por algum acto ela 'envergonhou' a familia. A reportagem concentrou no facto de a familia poder requerer um 'teste' official de virginidade. Notaram que a maior parte das mulheres em q o teste eh negativo, aparecem mortas pouco depois--mortas pela familia. Muitas volutariamente vao para a prisao--o unico lugar aonde se sentem safas--por algum tempo. Intervistaram um cara q tinha matado a irma porrazoes semelhantes, a pena dele? 6 meses. A maioria destes casos nao chegam ir a tribunal. À porta do seculo XXI...e em certas coisas parece que ainda nao saimos do XV. Mark, USA, pt-net
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