Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia Eça de Queirós
Cronologia

Eça de Queirós
1845 - Nasce na Póvoa do Varzim, no dia 25 de Novembro. Filho natural do juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, então delegado do procurador régio em Ponte de Lima, e de Carolina Augusta Pereira de Eça, residente em Viana do Castelo - foi entregue aos cuidados de uma ama em Vila do Conde, onde foi baptizado a 1 de Dezembro.

1845-1861 - Infância e adolescência na região do Minho e na Costa Nova. Em Vila do Conde, o pequeno José Maria permanece com a ama mulata Ana Joaquina Leal de Barros até uma idade indefinida, tendo esta falecido em 1851. Por essa altura, passa a viver com os avós paternos em Verdemilho, perto de Aveiro, até 1855. Ingressa então no colégio de Nossa Srª da Lapa, no Porto - dirigido por Joaquim da Costa Ramalho, pai de Ramalho Ortigão, e onde este último leccionava francês -, aí completando os estudos secundários até 1861.

1861-1866 - Matriculado na Universidade, em Coimbra, desde cedo toma parte, enquanto espectador nas escadarias da Sé Nova ou com maior envolvimento, em sucessivas manifestações estudantis - primeiro, contra o reitor (1862-63), com o episódio do abandono da sala dos Capelos quando esse discursava; depois, contra as praxes, transformado em revolta contra o governo do duque de Loulé (1864); finalmente, liga-se à jovem geração que, sob a proeminência de Antero de Quental na chamada Questão Coimbrã (1865), logrou atingir a maioridade crítica e literária. Participa, como actor, no Teatro Académico e envia para o Teatro D. Maria II uma tradução da peça Philidor, antes de formar-se em Direito.

1866-1871 - Período de instabilidade, em que sucessivas vezes se estabelece em Lisboa e se afasta da capital, o insucesso na advocacia, antes de aceder à carreira diplomática, contrasta com rápida notoriedade nas letras: através de colaboração jornalística, a escrita abre-se ao mundo com crónicas, poesia boémia e impressões de viagem com o mesmo éclat com que, finalmente, se estreia no romance, ainda «bárbaro» na forma.

1871 - Participação nas Conferências Democráticas do Casino Lisbonense (Junho), com uma intervenção provavelmente intitulada «A Nova Literatura. A Afirmação do Realismo como nova expressão da Arte». Publicada a portaria que proíbe as Conferências, subscreve o protesto contra o seu encerramento.

1872 - Termina a colaboração em As Farpas (n.º 15, Set.-Out.).A 16 de Março é assinado o Decreto por João d'Andrade Corvo que nomeia EQ. cônsul de 1-a classe nas Antilhas Espanholas (Cuba). A 9 de Novembro parte de Lisboa para Cuba, via Cádis. Chega a
1873 - Viaja, em missão oficial, pelo Canadá, Estados Unidos e Grandes Lagos, e América Central.

1874 - O diário de Notícias distribui como brinde dos seus assinantes o conto Singularidades de uma rapariga loura. A 8 de Junho E.Q. é nomeado adido junto à Direcção dos Negócios Estrangeiros. A 13 de Novembro o Governo Portugues solicita ao Governo Inglês a nomeação de Consul para E.Q. A 30 de Dezembro tomada de posse do consulado de Newcastle.

1875 - É publicado O Crime do Padre Amaro (1ª versão) na Revista Ocidental (Lisboa). Inicia imediata revisão deste romance.

1876 - Publica a segunda versão de O Crime do Padre Amaro, em livro. Prepara O Primo Basílio.

1877 - Concebe e comunica ao editor (Chardron) o projecto das Cenas da Vida Real, depois designadas Cenas da Vida Portuguesa e Cenas Portuguesas. Colaboração com o jornal A Actualidade («Cartas de Londres»). Escrita provável de A Capital!

1878 - Publicação de O Primo Basílio (1ª e 2ª edições). Cônsul em Bristol, passa a conviver mais de perto com os meios de Londres. Redacção d'A Catástrofe e de A Tragédia da Rua das Flores. Edição clandestina de O Crime do Padre Amaro (2.ª versão) no Rio de Janeiro.

1879 - Escreve o prefácio para a 3ª versão de O Crime do Padre Amaro ("Idealismo e Realismo"), que ficou inédito na sua quase totalidade. Inicia a colaboração, aliás duradora, na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Data provável do manuscrito de O Conde de Abranhos.

1880 - É publicada a terceira versão d'O Crime do Padre Amaro (2ª edição em livro).
Publicação de O Mandarim, em folhetins, do Diário de Portugal e dos contos "Um Poeta Lírico" e "No Moinho" (ambos em O Atlântico).

1883 - É eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências.

1884 - Publica-se a 2.ª Edição de O Mistério da Estrada de Sintra. Publicação da tradução francesa de O Mandarim (Revue universelle internacionale), com uma carta-prefácio do autor. Prepara Os Maias. Célebre almoço do "Grupo dos Cinco" no Palácio de Cristal, no Porto.

1885 - Reaparece Carlos Fradique Mendes (em carta a Oliveira Martins datada de 10 de Junho). Publicação do conto «Outro Amável Milagre» (em Um feixe de penas). Visita Zola em Paris, pouco antes da morte de Victor Hugo. Pede a mão de Emília de Castro Pamplona. Os pais declaram que José Maria é seu filho legítimo.

1886 - Passa a viver em Vashni, arredores de Bristol. Prefácios a O Brasileiro Soares, de Luís de Magalhães, e a Azulejos, do Conde de Arnoso. Casamento com Emília de Castro.

1887 - Publicação de A Relíquia, primeiro em folhetins de A Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro e, de seguida, em livro. Escrita provável de «O Francesismo», bem como do manuscrito de Alves & Ci.ª. A Relíquia é preterida na atribuição do prémio D. Luís, a favor de O Duque de Viseu de Henrique Lopes de Mendonça.

1888 - Publicação de Os Maias em dois volumes e no periódico A Província de São Paulo.
Publicação de algumas cartas de Fradique Mendes (Gazeta de Notícias e O Repórter). Formação do Grupo "Vencidos da Vida". É nomeado cônsul em Paris.

1889 - Começa a ser publicada a Revista de Portugal, onde surgem algumas cartas de Fradique Mendes. Janta, pela primeira vez, no Hotel Bragança, com os "Vencidos da Vida". Prefácio de Aguarelas, de João Dinis.

1890-1891 - Próximo da questão nacionalista levantada pelo Ultimatum inglês, publica o primeiro volume de Uma Campanha Alegre, compilação da sua colaboração em As Farpas, cujo segundo volume sai no ano seguinte.
31 de Janeiro de 1891 - a revolta republicana do Porto causa-lhe perplexidade. Narrativas sobre vidas de santos. Suicídio de Antero de Quental. Tradução muito livre de As Minas de Salomão, de Henry Rider Haggard.

1892 - Termina a Revista de Portugal. Publica o conto Civilização (na Gazeta de Notícias).

1893 - Publica «Positivismo e Idealismo» e «Tema para Versos II» (ambos em A Gazeta de Notícias); o segundo será postumamente intitulado «A Aia» (Contos). Interrompe o texto de S. Frei Gil para iniciar a redacção da vida de Santo Onofre.

1894 - Dá à estampa «As histórias»: «O Tesouro» e «Frei Genebro», na Gazeta de Notícias, onde inicia as crónicas «Ecos de Paris». Escreve A Ilustre Casa de Ramires. Morre Oliveira Martins. Projecta, com Alberto de Oliveira, a revista O Serão que não virá a público.

1895 - Edita o conto «O Defunto» (na Gazeta de Notícias), durante estada de seis meses no país, em que aluga a Quinta dos Castanhais, em Sintra, chega a encomendar a Columbano ilustração de capa para O Serão. Organiza o Almanaque Enciclopédico para 1896 e escreve o seu prefácio: «Almanaques».

1896 - Um Génio que era um Santo, texto da sua participação no In Memoriam de A. de Quental. Conto: Adão e Eva no Paraíso, prefácio ao Almanaque Enciclopédico para 1897.

1897 - Os Contos «A Perfeição» e «José Matias» saem impressos na Revista Moderna, de Paris, periódico que tem a sua orientação. Aí inicia (Novembro) a publicação de A Ilustre Casa de Ramires.

1898 - Publicação do conto «O Suave Milagre» na Revista Moderna.

1900 - Morte, a 16 de Agosto, na casa de Neuilly; a 17 de Setembro, funeral em Lisboa.
Publicação em livro de A Correspondência de Fradique Mendes e de A Ilustre Casa de Ramires (semi-póstumos).

Diana Portugal



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