Portugal em Linha Novos Poetas Lusófonos

"O Mar e os Meus Pensamentos"
O mar puxa por mim p'rá poesia
As ondas são as Musas que me inspiram
E seja a bem, ou fantasia,
Há versos novos que no mar surgiram!

São sobre as ondas escritos os meus versos
Mirando aquele céu acinzentado
E com os pensamentos mais diversos
Escrevo, porque sei que estou inspirado!
Aproveito a hora a que as Musas
Se chegam até mim aqui no mar
E se ideias havia mui confusas
Nesse momento eu as sinto clarear!

O mar é um alfobre de tormentos
Mas muita coisa bela tem p'ra dar
Pois em mim são férteis os momentos
Em que há vontade enorme p'ra rimar!
J. Quintino Teles - Ilhavo - 1980
"Solidão"

Estou só Senhor
Estou sempre só de tudo o que me rodeia.

Só no meio da multidão
Mas sobretudo estou só do Mar
Que me dá vida e do
Sol que me dá calor
Só! só da família que me criou
Só! só do cheiro dos pinheiros e
Dos eucaliptos
Da maresia e
Da terra lavrada

Estou só Senhor
Mas sobretudo estou sempre só
Quando algo me faz o
Coração chorar e a
Alma se escurece

Só! quando de pés e mãos atado
Não consigo dar um passo
Só! só nas grandes e pequenas caminhadas
Nas grandes e pequenas decisões

E até só! nas grandes e pequenas encruzilhadas

Onde a vida e a morte se espreitam
E onde tudo oque sou
Está fente a frente
Com aquilo que eu não sou.

Onde o que eu posso ser
O que eu sou realmente
O que eu julgo ser
O que eu sou visto ser
Se encontram num só ser
Dando-me este sentir
De imensa solidão
Que até julgo sentir que
De ti Senhor tambem

ESTOU SÓ

Afonso Almondino da Silva - Toronto 12 Maio 1986

"Ser Só"

Se estas só não fiques triste,
Da ouvidos à solidão e fala com o outro lado de ti,
Ficarás assim em presençaa do teu maior amigo.
Aquele ser invisivel a quem pedes conselhos,
Com quem dialogas em pensamento,
A quem pedes compreensão para contigo.
Vais descobrir coisas lindas todos os dias,
Vais com ele até à tua infância,
Com ele, vais em busca do futuro,
Com ele dividirás tristezas e alegrias,
Com ele descobrirás a tolerância,
Com ele navegas pelo seguro.
Estavas só e triste,
Mas um novo aliado já descobriste.
Sê forte e continua as tuas descobertas,
Agora na outra face do teu ser,
Aqui há também um inimigo,
O que te tira o sono,
O que te tira o prazer.
Mas ouve-o, escuta-o com atenção,
Ele tem coisas para te dizer.
Coisas más, por certo,
Coisas terríveis, às vezes,
Mas não fiques triste,
Mantem o teu espírito aberto.
Este inimigo vai-te tentando,
Vai-te obrigando a fazer o que tu não queres,
Vai estar contra o teu amigo também,
Mas... luta, luta porque vale a pena.
São duas forças contra uma,
A tua e a do teu amigo,
São dois contra o exterminador.
Mas uma batalha perdida
Não significa perder a guerra,
Se tudo for feito com amor.
Como vês, não estas só!
Se não estas só, não podes estar triste.
Então abre o teu espírito à convivência,
Continua a dialogar contigo próprio,
Um dia sorrirás de alegria,
Quando olhares à volta do teu "EU"
E vires uma imensa multidão
Que te dá vivas e te adora.
Se estás só, não fiques triste,
Porque afinal a maior tristeza
É a de pensar que estás só.
Não tens razão para estar triste,
Porque afinal a palavra SÓ não existe!


Lobo Amaral (pseudónimo)



Se o fogo trás nas chamas
A alma que se agita
e que te acena
para que de um trago
a paixão ousada
te consuma
contempla o seu brilho
sem receio.
... Pra quê fugir da alma a que tens direito?

As raízes do teu ser
perdidas no infinito
crescem com a jovialidade
do turbilhão incessante
dos ideais não acabados
da tua idade.


fjunior@mail.telepac.pt

É só hoje

Não tem importância, é só hoje;
Amanhã o Sol vai brilhar e aquecer,
Enquanto esta agonia de mim foje,
Prometo que não voltarei a entristecer.

Sim, é só hoje que cai neve.
Amanhã o Sol brilhará com fulgor
Iluminando nossas almas ao de leve
Como se fosse a abertura duma flor.

É só hoje, e vai passar depressa
Este frio danado que nos fere a alma.
Esperemos que o vento não se esqueça
De mudar para o quadrante da calma.

Hoje cai chuva, e bem grossa.
Amanhã soprará uma briza morna
Para compensar esta amargura bem nossa
Que este inverno bem malditos nos torna.

Sim! amanhã, amanhã será o dia
Em que o Sol vai brilhar e aquecer,
Suave, o perfume das flores irradia
Nestas encostas e vales, quando o Sol nascer.

Amanhã é o dia reservado ao Amor,
E a fragrância das flores confunde-se na maresia.
Amemo-nos pois, e com todo o ardor.
Que felizes seremos, sim amanhã é o Dia.

...EM QUE HAVERÁ MAIS CALOR...

Afonso Almondino da Silva - em Toronto no dia 3 de Março de 1988

Exilado

Foi como um exílio voluntário
Que me aconteceu na despedida
E o meu coração é depositário
Das amarguras desta vida

Fugi de mim naquilo que era
Para não chegar a ser aquilo que sou
Mas não sendo o que eu quizera
Ao menos sei para onde vou

Fugi do que não estava bem
E não vim para melhor
Mesmo sem ter chegado mais alem
Já sei, aqui agora é pior

Não consigo jamais abandonar
Esta temática infernal
Foi por causa do Salazar
Que eu saí de Portugal

Tenho corrido os quatro ventos
Levando no peito a cruz de Cristo
Para afagar os meus lamentos
E não desesperar com tudo isto

Aqui estou eu bem desterrado
Fingindo que faço turismo
Por terras malditas desenraizado
E tudo por culpa do fascismo

Afonso Almondino da Silva - em Toronto a 28 de Janeiro de 1988

Há-de Haver

Há-de haver um tempo e um espaço só para nós
Há-de ser o vento a trazer-nos a emoção
Há-de ser o Mar a chamar-nos para o Amor
Há-de ser o arco-íris a canção de um trovador

Há-de ser o Sonho a segredar-nos o Pôr-do-Sol
Há-de ser o céu azul a violeta que seduz
Há-de ser a flor do jardim do coração
A mais bela prenda que cultivei só para ti

Hão-de ser as praças e os passeios da cidade
A brilhar meus olhos de encanto e de saudade
Hão-de ser castelos e os telhados destas casas
Os berços de oiro que embalam o Sol poente

Hão-de ser os sinos a juntar-nos num só fogo
E as andorinhas a indicarem os caminhos
Há-de ser o Sol a sorriso destas flores
A fazer nascer a Primavera em todos nós

Carlos Alberto Silva, 34 anos, Professor. Caldas da Rainha

Traída em pensamento

Teus olhos côr do mar
Me encantaram quando os vi
Teu cabelo côr da noite
Me veio ensombrar a vida

Vivo esta paixão doentia
Toda a noite e todo o dia
Não consigo tirar-te da mente
Desde o primeiro dia

Ao sol recordo tua pele
Bronzeada e tão macia
Á noite quando me deito
Sinto um cheiro que inibria

Sei que me amas
Sei que me queres
Mas sinto que pensas
Nas outras mulheres

Recorda o momento
Em que escrevo este poema
Pois será o primeiro dia
Do resto das nossas vidas.

Deitada no nosso leito
Com a minha cabeça em teu peito
Sinto que já fui traída
Nem que seja em pensamento.

Inês Lopes - Oeiras

Estreita Estrada

Pedi a Deus para que me ditasse um poema
Ele assim o fez enquanto eu meditava
Como uma mãe que com a sua mão dirige a pena
Fez-me escrever o que no coração já escrito estava.

Deu-me a rima e o engenho, até me deu seu tema
Inspirou-me qual a mansa luz da madrugada
Deixou-me ver em tudo e em nada um esquema
Qual passarinho cantar feliz nesta língua amada.

P'la mão de Deus, p'la sua mão de fada
Atrevo-me assim escrever poemas qual fados
Oleiro lhes dar forma e vida,toda a minha alma.

Um dia quando a vida tiver em mim sua obra acabada
Quero seguir o caminho destes seus traços
Seguir no encanto deles a estreita estrada.

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha

Salmo do bosque

Andando pelo bosque te procuro,
Amigo dos meus sonhos, anjo sereno
Por entre a luz e a sombra , ser bom e puro
Encontro-te na beleza do silêncio

Percebo-te em cada árvore, feto e arbusto
Em cada rama , tronco, ramo, rebento
Teu nobre ser adivinho, calado e mudo
Por alamedas contíguas ao pensamento

Oh Deus cheio de graça, assim te escuto
No cântico dos pássaros, gorgeio louco
Silvano, esquivo, subtil, alma do bosque

Apoiado a uma vara, Moisés seguro
Num momento de alma, tua lei de ouro
A tua presença me guia, me abraça e cobre

Silvério Gabriel de Melo - Vogelbach, Alemanha

Like a shadow in the dark

Tal qual uma sombra no escuro
Eu te vi pela primeira vez
Eras tão lindo e tão puro
Que me fizeste sonhar outra vez.

O teu cabelo côr da noite
E os teus olhos côr de mar
Me relembraram de novo
Que poderia voltar a amar.

Foi naquele dia distante
Que vi pela primeira vez
O triste e amargo semblante
De quem perde algo importante.

Estavas sentado ao luar
E em frente estava o mar
Negro, amargo, escuro e frio
Próprio das noites de Inverno.

Choravas por alguem distante
Que te teria deixado
Naquela tristeza errante
Porque não te tinha amado

Foi então que eu cheguei
E naquele mesmo instante olhei
Uma lágrima rolar
Nesse teu tão triste olhar

Por alguém que te deixou
E que não te soube amar.....

Inês Lopes - Oeiras

D. Sebastião-Emigrante
Devaneio Sobre a Bandeira e a Nação


Bandeira verde, encarnada,
Escudo amarelo ao meio -
Esperança que trespassada
O mundo escondeu no peito

Orgulho de homens de guerra,
De vitórias e conquistas,
De castelos, dessa terra,
Por quem deram suas vidas

Se fosse bandeira branca
Com cruz azul como era
Tão mais cor da Pátria mansa
De Sol e paz, seria ela

Tão mais da cor da história
De aldeias alvas, vazias,
Do trigo loiro, memória
Desperanças, de fé -perdidas

Terra de grei embarcada
-- El-rei D.Sebastião,
Quem fica não tem lembrada
As lutas dessa nação

Nossas vidas assim demos,
Caravelas à deriva.
Pelo mundo fora temos
Cinco quinas, nossa signa!

Contra os canhões não marchamos,
Menos valentes não somos
Deixando a terra lhe damos
Nova terra, novos sonhos

Bandeira cor numismal
Quem te quisera de origem
Com as cores de Portugal,
mar, céu, co a cruz branca, virgem

Nação minha emigrada,
Nação minha repartida,
Nova Israel embarcada
Alma minha dividida.

Silvério Gabriel de Melo. Idar-Oberstein 1987-1989

A Fotosíntese da Fé

Perante Deus cobre-te e descobre
Quele tanto ilumina como queima
Cada um de nós, cometas, pra ele corre
Na sua luz o nosso ser se ateia

Despista-se quem se aproxima muito
Nele se despenha, tomba, despadaça
Para o perceber, basta-se viver no mundo
Com a mesma magia da folha, a mesma graça

A folha que ao Sol seu coração abre
Com a clorofila o faz dar vida à terra
A clorofila, a fé que na gente arde
O transforma em sopro, em atmosfera

Perante Deus, cometas em ignição
Cada um de nós é um instante de espaço em combustão

Observação pela passagem do cometa Hale-Bopp, no seu percurso de dois mil e quatro centos anos.
Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha


Estado de Alma

Aí vem o peixeiro pela rua fora
Apregoando peixe, Eh chicharro fresco!
Brilha um Sol de oiro de manhã bem cedo
Vão de batas brancas as crianças pra escola

Sobre um muro pousa um pássaro, mas voa
Logo de seguida, pelo mundo a esmo
Ir com ele, erguer-me alto, o meu desejo
Ser livre voar pelo céu à toa

Pára aqui o padeiro com a sua carroça
Cheira a pão fresco, que divino aroma
Abre-se ua janela, alguém bate a ua porta

Lá ao fundo o mar, luzindo se mostra
Manso, até parece que dormindo, sonha
Ali a minha alma se quer tem de volta

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha

Aquela Taverna

Aquela tasca, aquela taverna
No canto ao fundo da nossa rua
Porta de par em par, sempre aberta
Quer houvesse Sol, quer houvesse chuva

Era ali um centro de ameno convívio
De jogo de cartas, de se entrar e beber
Onde se falava alto, se encontrava com um amigo
Se ouviam fados, se fumava com prazer

Onde se ouvia o relato de football
Com vigor e ferpas se discutia política
Onde já quente até se vinha sentar o Sol.
Onde se vinha viver, encontrar-se com a vida

Aquela tasca, aquela velha loja
De cascas de tremoço, pontas de cigarro
Onde eu criança entrava em sobressalto
Para rebuçados comprar, ou qualquer outra coisa

Ali era um centro de façanhas, falatório
De encontros, desencontros, pragas, palavrões
De amizades, negócios, vantagens, serões
Brigas e vanglórias, impudência e ócio

Quem lhe atiraria a primeira pedra?
Quem lá não entrava para provar uns copos
Petiscar ou comprar uma caixa de fósforos
Beber um café, um pirolito, quem era?

Animava a rua, dava-lhe vida e carácter
Sem ela morreria algo- nenhum assobio
Se ouviria ao passar de mulherio qualquer
Encheria a rua só o silêncio e o vazio

Fechando os olhos na geografia da alma
A avisto ali com sua porta vermelha
Onde o Sol à soleira aquecendo brilhava
- Vou daí e entro, para encontrar ua centelha

Vem entra comigo amigo pra jogarmos,
A vida sem tempo num copo provarmos

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha

Estradas do Pensamento

Imerso num mar de idéias, em silêncio
No escuro do quarto, não consigo dormir
Ouço ao longe o som d'uma estrada, o movimento
O zumbido, rugido de veículos num ir e vir

Cerrando os olhos, submergindo em mim, tento
Deslocar-me ao tempo que vivi a sorrir
Reactivar lugares e gentes, um momento
de felicidade , de vida, de sentir

A vida é sim uma via em sentido único
Ficam-nos nos olhos as lágrimas, o desejo
De se nunca chegar ao fim da viagem

Viver é um passar, seguir um certo rumo
Com os nossos sentidos, nossa alma mesmo
--Cada dia vivido, parte da paisagem

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha

Fim de Verão
Homenagem a Diana, a Princesa do Povo e Mother Teresa de Calcutta


Partem em forma de V, para terras de luz e calor
Elevam-se no céu no fim do Verão-- as andorinhas
Esta seguindo aquela, todas em linha, direitinhas
Sobem, cheias d'sperança no seu voo de fé e candôr

Irmãs do Sol, como custa o adeus--tão grande a dôr
A natureza toda diz que começa o Inverno, se doiram as vinhas
Atrás ficam as memórias esmagadas -- lagares de sinas
Voam alto, muito alto, para longe em vôo de amor

Almas libertas, almas princesas, almas rainhas,
Seguem no céu entre castelos de nuvens finas
Um rumo fixo, um rumo certo, um rumo puro

Ficamos nós já finda a ceifa, já nua a messe
Com um não sei quê na alma, um peso-prece
Que leve eleva, que leve segue rumo ao futuro

Silvério Gabriel de Melo. Vogelbach, Alemanha 97

Quando você sentir vontade de...!

Quando você sentir vontade de chorar, não chore.
Pode me chamar que eu choro por você.
Quando você sentir vontade de sorrir, me avise
Que venho para nós dois sorrirmos juntos.
Quando você sentir vontade de amar, me chame,
Que eu venho amar você.
Quando você sentir que tudo está acabado, me chame,
Que eu venho lhe ajudar a reconstruir.
Quando você achar que o mundo é pequeno demais para suas tristezas, Me chame, que eu faço ele pequeno para sua felicidade.
Quando você precisar de uma mão, me chame, Que a minha é sempre sua.
Quando você precisar de companhia, naqueles dias nublados e tristes, Ou nos dias ensolarados, eu venho, venho sim.
Quando você estiver precisando ouvir alguém dizer: EU TE AMO! Me CHAME que eu digo a você a toda hora. Pois o meu amor é imenso.
E quando você não precisar mais de mim, me avise, Que simplesmente irei embora, orando por você.

Autor Desconhecido - Contribuição de Ruth Moreira

Página Seguinte
Publique aqui os seus poemas

homeVoltar à página principal | Literatura Lusófona

Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia
E-mail: info@portugal-linha.pt
Envie-nos o seu comentário para admin@portugal-linha.pt