A Associação de Teatro em Cabo Verde


Pretendemos com este texto informar aos visitantes desta página no mundo lusófono e noutros pontos do globo a actual da dinâmica teatral na República de Cabo Verde e principalmente na cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente, considerada a Capital Cultural do Arquipélago, personalizada na Associação Artística e Cultural - MINDELACT.

Ao longo da sua história Cabo Verde sempre viveu de ciclos onde a períodos de grande entusiasmo se seguiam outros de marasmo, inépcia e esquecimento. Com o aparecimento dessa Associação em 1996 e daquela que é uma das suas principais actividades - o Festival de Teatro - pretendemos evitar essa sequência de ciclos que obrigavam a recomeços desgastantes depois de alguns anos de vazio teatral.
Como escreveu Mário Matos - um estudioso da história do teatro cabo-verdiano - "O teatro em Cabo Verde evoluiu ao longo dos tempos de forma variada. Teve períodos bons, em que mostrou uma face francamente positiva, e momentos de retrocesso, próprios de sociedades de deficiente evolução, com crises mais ou menos agudas, que desde os primórdios da descoberta, caracterizaram o húmus cultural das nossas ilhas".

É importante referir que no teatro em Cabo Verde não há profissionalismo, ou seja, quando falamos de agentes teatrais, falamos de pessoas que tem os seus empregos, falamos de estudantes, que com todas as dificuldades inerentes ao amadorismo se entregam de alma e coração ao Teatro, e todos sabemos que os que fazem teatro no Arquipélago não vão tirar dividendos económicos das suas acções ou do seu trabalho criativo. Se isso acarreta grandes dificuldades e por vezes desânimos fatais, que poderão explicar os ciclos a que fiz referência, por outro lado, veste o nosso teatro de uma certa pureza, de uma poesia humana que nos orgulha, porque andar nesta andanças implica sempre uma grande entrega, um grande altruísmo e por vezes um enorme sacrifício.

São Vicente é uma ilha com algumas carências a nível económico e faz parte de um todo que é o Arquipélago de Cabo Verde, varrido ciclicamente por terríveis catástrofes naturais, como são exemplos as diferentes secas e fomes que dizimaram periodicamente os habitantes desde 1580 a 1948. É um país onde não chove (ou chove raríssimas vezes), onde ironicamente as nuvens que nos visitam são levadas para o oceano pelo vento alísio que vem do Leste, onde se importa quase tudo o que se consome. A sua riqueza está no homem "crioulo" (cabo-verdiano) e na sua rica cultura, esse produto maravilhoso da miscigenação de diferentes culturas - africanas e europeias - e que faz do cabo-verdiano um milagre humano. O escritor cabo-verdiano Germano Almeida, com a ironia que o caracteriza, conta-nos uma lenda que explica o aparecimento do nosso Arquipélago: "Deus estava muito ocupado a fazer o Mundo, os seus Povos e os seus Países; terminada a obra sacode as mãos algo sujas do trabalho realizado; soltam uns pequenos grãos de terra que vão cair no Oceano Atlântico: assim terão nascido as ilhas "mágicas" de Cabo Verde".

Isto para dizer que quem conhece as reais possibilidades geográficas e económicas do nosso País fica admirado com a quantidade de músicos, pintores, poetas, escritores que ele produz e alberga. Fazer trabalho criativo em Cabo Verde tem um cunho de magia e de transcendência e o teatro não foge à regra.

Como nasceu a ideia da criação do Festival de Teatro em Cabo Verde: no ano de 1995, alguns amantes do teatro residentes na ilha de São Vicente, saem para o terreno com um objectivo: organizar um Festival de Teatro, condizente com a tradição cultural de Cabo Verde, em geral, e da cidade do Mindelo, na ilha de São Vicente, em particular. Em cerca de 15 dias, os promotores do Festival viram concretizado esse sonho: Mindelo tinha um Festival de Teatro. O seu nome: MINDELACT. O Festival teve a duração de três dias, com cinco espectáculos teatrais a animar a cidade do Mindelo. A iniciativa, única na história do teatro em Cabo Verde com o objectivo de continuidade, teve um grande impacto junto do público e da comunicação social.

No programa do MINDELACT 95 dizia-se então: "Mindelo é uma cidade mágica. O teatro é uma das melhores artes que pode abraçar essa magia e pensamos, por isso, que seria um crime abandonar esta arte nesta cidade. Não queremos ser cúmplices deste crime e eis, pois, o porquê desta aventura que no futuro não o será, será, pois, uma certeza. Queremos que o MINDELACT funcione como um estímulo ao teatro cabo-verdiano e um desafio concreto à capacidade de criação e da realização dos colectivos teatrais e dos criadores individuais e que reflicta o processo de revitalização que se vem sentindo no teatro em Cabo Verde, principalmente em Mindelo, tentando resistir à indiferença, tentando sair do marasmo em que se encontra, com o aparecimento de novos grupos de teatro e a confirmação de outros que não tem desistido em presentear o público mindelense com as suas obras. Esses novos grupos, juntamente com aqueles que já se encontravam em actividade devem-se unir e essa união deverá funcionar como mola impulsionadora para uma verdadeira evolução do teatro das ilhas (...)".

Esses promotores concluíram que a partir desse momento histórico não podiam parar. Urgia fazer mais. Solidificar o projecto, dando-lhe personalidade jurídica e órgãos eleitos, institucionalizar a estrutura associativa, tornando mais funcional a organização do Festival de Teatro.

Foram assim criados os Estatutos de uma Associação Artística e Cultural, denominada MINDELACT, dado todos os "demarches" legais, aprovados os Estatutos e eleitos os órgãos da Associação, os alicerces estavam lançados para que nada mais fosse como dantes. O Teatro cabo-verdiano saiu a ganhar. É de salientar que nos anos anteriores fez-se uma tentativa para a criação de uma Associação de Teatro Amador, só que por motivos vários os seus promotores não conseguiram levar avante tal iniciativa.

A Associação Artística e Cultural - MINDELACT, definiu na sua primeira Assembleia Geral, os seus objectivos de acção que constam do Art. 1. dos seus Estatutos e que são os seguintes:
a) Promover e desenvolver a divulgação do teatro em Cabo Verde;
b) Organizar anualmente, sempre que possível durante o mês de Setembro, um Festival de Teatro, denominado MINDELACT - FESTA DO TEATRO, a decorrer na cidade do Mindelo.;
c) Promover e incentivar o aproveitamento de espaços subaproveitados como áreas de apresentação de espectáculos;
d) Incentivar e apoiar os grupos teatrais já existentes em Cabo Verde e os que se vierem a formar;
e) Promover acções de formação na área do Teatro.
f) Promover a apresentação de espectáculos teatrais de grupos estrangeiros no Festival, privilegiando o contacto com os grupos oriundos dos países Lusófonos, e internacionalizar desse modo o Festival;
g) Servir de elo de ligação entre os agentes teatrais cabo-verdianos e os promotores de programas de intercâmbio teatral entre os países Lusófonos.

MINDELACT é uma Organização Não Governamental, que pretende crescer com o teatro. É uma iniciativa ímpar no panorama passado do teatro em Cabo Verde, porque para além de pretender reunir, todos os anos, durante o Festival de Setembro, os mais interessantes criadores cénicos do Arquipélago, e revelar novos valores ainda não explorados, pretende igualmente ser um ponto de contacto entre culturas Lusófona, aproveitando de algum modo a aproximação linguística entre Cabo Verde e os povos irmãos de Angola, Brasil, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Timor Leste.

Em 1996, a Associação MINDELACT lançou-se imediatamente ao trabalho. Durante 17 dias reuniu na Festa do Teatro - MINDELACT 96, catorze grupos oriundos de cinco ilhas do Arquipélago. Em contacto directo com os responsáveis do Programa CENA LUSÓFONA - Associação Portuguesa Para o Intercâmbio Teatral, com sede na cidade de Coimbra e suportada em parte pela Câmara Municipal de Coimbra, foi possível levar a São Vicente uma co-produção Teatral e uma magnífica exposição de fotografias de Augusto Baptista, fazendo do Mindelo a "costa de largada" desta exposição itinerante. No programa do MINDELACT 96 escreveu-se então: "Mais uma vez Mindelo é escolhido para ser espaço cénico de reflexão sobre a nossa cultura e de convergência daqueles que sonham, montam e representam o nosso Teatro nas diversas ilhas do nosso Arquipélago. (...) Esta nossa resposta acarreta riscos inerentes a actividades do género, na medida em que a nossa cidade carece de mais e melhores meios para responder às exigências da sociedade. Mas conscientes do castigo que as dificuldades, que tem vindo a cair em jorros sobre os nossos artistas acarretam, procuramos dar asas à imaginação voando conscientemente o voo da águia para que toda a sociedade veja com determinação e estoicismo o desenvolvimento do Teatro em Cabo Verde é possível."

O Festival de Teatro MINDELACT 96 teve várias vertentes sendo de destacar: animações de rua a anunciar a Festa do Teatro; o aproveitamento dos vários espaços existentes na cidade; apresentação de alguns espectáculos nas Praças da cidade, em zonas essencialmente residenciais, onde foram montados palcos próprios dentro de uma filosofia de levar o Teatro às pessoas e não esperar que sejam elas a tomar essa iniciativa; o 1. encontro de agentes teatrais, onde diferentes personalidades e responsáveis dos grupos presentes discutiram pistas para o futuro do teatro cabo-verdiano e o inevitável e salutar intercâmbio entre elementos de diferentes grupos e de diferentes ilhas do País.

De 4 a 14 de Setembro, a 3 edição da festa do Teatro do Mindelo em parceria com a III Estação da Cena Lusófona ocupou novamente a cidade com os seus folhetos, cartazes, batucada e espectáculos, além de centenas de espectadores que ocorreram às salas de espectáculos, e artistas e agentes de teatro cabo-verdianos, angolanos, brasileiros, guineenses e portugueses.

Nesse Mindelact 97, estiveram presentes 4 grupos cabo-verdianos, 1 grupo angolano, 1 grupo brasileiro e 1 grupo português. Para além das honrosas presenças do Presidente da Associação Cena Lusófona, Augusto António Barros e de 2 elementos da direcção da mesma, os encenadores Cândido Ferreira e Fernando Mora Ramos, do produtor José Mora Ramos de Portugal, do dramaturgo e encenador José Mena Abrantes de Angola e do Representante da Secretaria de Estado da Cultura da Guiné Bissau, José da Cunha, todos membros do Concelho Geral da Cena Lusófona. Estiveram também presentes os técnicos Ricardo Madeira, José Bandeirinha e José Carlos Faria de Portugal e o encenador Rogério de Carvalho luso-angolano. A lamentar, embora por razões compreensíveis, a ausência do teatro guineense, moçambicano e santomense.

Devido às boas relações existentes entre a Associação Mindelact e a Cena Lusófona - Associação de Intercâmbio Teatral entre os Países de Expressão Portuguesa, a organização do Festival aceitou o convite de organizar o Mindelact 97 conjuntamente com a III Estação da Cena Lusófona, por ter sido Cabo Verde o país escolhido para receber esta actividade anual da Cena Lusófona que já vai no seu terceiro ano.

No que se refere ao teatro cabo-verdiano presente no Festival, é de se ter em conta a presença do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, ilha de São Vicente, que abrilhantou a festa da abertura do Festival com a peça teatral "As Virgens Loucas", numa co-produção Cabo Verde - Portugal encenada por Cândido Ferreira, que arrebatou de novo (uma vez que a peça foi estreada no ano passado), muitos e sinceros aplausos e grandes elogios pela soberba encenação, valorizando o espaço não vocacionado para o teatro - diga-se, um pátio de uma escola secundária, que se manifestou pequeno para o imenso público presente - com um décor sui-generis e uma convincente interpretação de actores que ano após ano vão-se afirmando com autoridade no espaço teatral cabo-verdiano.

Da ilha de Santo Antão veio o Grupo Teatral "Juventude em Marcha" que sob a direcção do actor Jorge Martins, trouxe ao Festival a peça "Destino Cruel", mais uma criação do mesmo Jorge Martins, um incansável pesquisador das tradições do povo santantonense e que nesta peça, como nas anteriores, consegue traduzir a alma dessa gente, numa linguagem simples, inteligível e acima de tudo teatral. E a exemplo das anteriores edições, consegue trazer para o cine-teatro Eden Park, um público numeroso e entusiasta. Bem haja o grupo, que já conquistou um espaço privilegiado no panorama teatral cabo-verdiano.

O Grupo Teatral "Ramonda" da ilha de Santiago com a sua segunda presença nos festivais da Associação Mindelact, veio confirmar a nacionalização do Festival de Teatro por um lado e por outro, que o teatro na maior ilha do nosso Arquipélago começa a ganhar a dinâmica dos anos 70 - 80, com uma linguagem actual, notando-se uma evolução técnica no seu estilo. Da autoria de José F. Martins, "Rabecindade de Família" é uma peça teatral que uma vez mais traz ao nosso conhecimento a vivência socio-cultural do interior de Santiago. O público viu, ouviu e aplaudiu. O teatro cumpriu de novo o seu papel de informar e formar todos quantos o procuram.

O Teatro Experimental Frank Cavaquim de São Vicente, dirigido por Espírito Santo da Silva, apresentou a peça teatral "Corcundas", um espectáculo essencialmente de características didácticas cruzadas com um carácter lúdico. O autor transporta os espectadores ao imaginário estabelecendo uma ligação possível entre terrestres e lunícolas, trazendo estes últimos a felicidade que os 3 corcundas (personagens da peça) procuram na nossa terra árida. Com caras novas no elenco de actores, o grupo esforçou-se por estar pela terceira vez no Festival Mindelact, transmitindo aos espectadores os seus sentimentos através de uma linguagem própria.

Ainda no repertório do Mindelact 97 - III Estação da Cena Lusófona não deixa de ser inédita em Cabo Verde a presença do teatro brasileiro com dois profissionais multifacetados e com muita experiência de cinema, televisão e teatro - Nelson Xavier e Via Negromonte, que trouxeram ao Festival "O Romance dos Dois Soldados de Herodes" de Osman Lins.
Fábula que nos mostra as reacções de dois soldados face a ordem do tirano Herodes para matar crianças nas cercanias de Belém. Na peça, Osman Lins faz uma mistura do ambiente da Palestina e do Nordeste brasileiro. Obra de grande qualidade, maravilhosamente interpretada por aquele que é justamente considerado um grande actor, coadjuvado por outra não menos excepcional actriz. O êxito obtido nas duas apresentações em Mindelo, não fez mais que confirmar o talento do Nelson Xavier e da Via Negromonte e a qualidade excepcional do seu trabalho.

De Portugal, a aposta recaiu sobre a "Companhia Teatral do Chiado". Com um admirável trabalho, os 3 actores, protagonistas de "As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos" de Adam long, Daniel Singer e Jess Borgeson, numa hilariante comédia, conseguem levar a assistência ao rubro com a sua forma de estar em cena, ao "apanharem" uma juíza do Supremo Tribunal de Justiça para ir ao palco "interpretar" o papel da Ofélia em Hamlet. Tratou-se de uma proposta de interpretação muito rica sob o ponto de vista do ritmo - muito acelerado (dir-se-ía, de alta velocidade) - confirmando a energia característica dos actores nesta peça, que é uma das melhores deste grupo, fundado por aquele que foi um dos melhores actores e encenadores portugueses Mário Viegas, infelizmente já falecido.

O espectáculo que nos propôs o Grupo "Elinga Teatro" de Angola, sob a direcção do encenador Rogério de Carvalho e que se intitulava "Luís Lopes Sequeira ou Mulato dos Prodígios" de José Mena Abrantes, tratou-se de uma co-produção Elinga Teatro - Cena Lusófona. Este espectáculo histórico-fantasista fala-nos de uma figura controvérsia de um oficial mestiço que no século XVII servia Portugal nas suas conquistas às terras angolanas. Os actores, enquanto decorre o espectáculo, tentam encontrar entre outras situações a explicação pela misteriosa morte do lendário oficial Luís Sequeira. Um espectáculo convincente do ponto de vista técnico e também comovedor. Um belo espectáculo, indispensável para quem queira conhecer alguns valores tradicionais e culturais angolanas.

Para além do teatro, o Mindelact 97 - III Estação da Cena Lusófona teve outras actividades paralelas, que ocuparam as manhãs e tardes, os amantes de teatro e gente interessada neste fenómeno de comunicação. Falamos das Palestras, Mesas Redondas e Sessões de Formação dirigidas e orientadas pelos técnicos portugueses, angolanos e brasileiros presentes.

A primeira foi a Formação orientada pela actriz brasileira Via Negromonte, sobre "A Importância da Musicalidade no Trabalho do Actor" e foi participada por actores cabo-verdianos e angolanos presentes no festival. De seguida o actor brasileiro Nelson Xavier dirigiu uma Palestra sob o tema: "O Actor no Teatro, no Cinema e na Televisão", que teve uma ampla participação da plateia que esteve presente no Auditório do Centro Cultural do Mindelo. Aproveitando a presença no Festival dos técnicos e encenadores portugueses e angolanos acima mencionados, a organização propôs para o programa uma Mesa Redonda sobre "As Co-Produções Teatrais no Espaço Lusófono", uma vez que a maior parte desses convidados já tivera uma experiência nas co-produções realizadas nalguns países do mundo Lusófono (Portugal, Moçambique, Cabo Verde e Angola). Para este evento, foi cedido o salão da Biblioteca Municipal, o qual registou uma razoável participação. Nesse mesmo espaço, dois dias depois, realizou-se mais uma Mesa Redonda sobre "Utilização de Espaços Alternativos para o Espectáculo de Teatro", que para além da participação dos já citados técnicos portugueses e angolanos, contou também com as contribuições do João Branco e Manuel Estevão da direcção da Associação Mindelact. Uma vez mais, o diálogo animado foi a tónica do encontro.

Neste intercâmbio que caracterizou o Festival, os cenógrafos e luminotécnicos cabo-verdianos, como Manú Cabral e outros, tiveram a oportunidade de trocar as suas experiências com os técnicos convidados, permutando mutuamente essas artes indispensáveis ao teatro.

E para completar a Festa, diariamente, no final de cada espectáculo, aos participantes do Festival eram oferecidas noites de convívio, música e jantar (com "Cachupa" - prato tradicional cabo-verdiano), no pátio interior do Centro Cultural do Mindelo, como forma de dar aos convidados a "morabeza" (amizade) do povo cabo-verdiano.

Referindo-se ainda aos momentos de confraternização, foi organizado em colaboração com o grupo teatral "Juventude em Marcha" e com apoio das Câmaras Municipais do Porto Novo e da Ribeira Grande, um passeio-convívio com todos os participantes do Festival, à ilha de Santo Antão, de onde regressaram extasiados pela beleza dessa ilha fantástica.

É de salientar as importantes intervenções nos espaços cénicos do cine-teatro Eden Park e do Centro Cultural do Mindelo, como trabalho preparatório do Festival, adaptando-os assim às exigências dos espectáculos.

No cine-teatro Eden Park, foi aumentado o palco cerca de 2 metros na direcção da plateia, facultando mais espaços aos actores em cena e a montagem de uma teia- técnica no tecto e suportes de projectores nas laterais exteriores da Caixa.

No auditório do Centro Cultural do Mindelo, montou-se também, uma teia-técnica para projectores, além de um pano negro de fundo e respectivas pernas laterais, tornando o espaço cénico numa verdadeira Caixa-negra. Os camarins foram todos equipados por forma a corresponderem totalmente às necessidades dos actores. Pode-se afirmar que esse auditório ficou com capacidade de acolher espectáculos de níveis de exigências mais elevados. Facto, aliás, constatado por todos quantos assistiram os espectáculos nessa sala.

Na sequência do Festival, efectuou-se a reunião do Concelho Geral Provisório da Cena Lusófona, que entre outros temas, analisou-se uma proposta do núcleo angolano no sentido de organizar a próxima reunião deste Concelho Geral em Novembro de 97, na capital angolana, Luanda e assim decidir sobre o país de acolhimento da IV Estação. E por último, o Concelho Geral, depois de ter feito um balanço da III Estação, integrada no Mindelact 97, "manifestou a sua satisfação e apreço pela evolução que o Mindelact tem vindo a registar e pelo destaque que vem assumindo no contexto do teatro cabo-verdiano, reforçando a convicção de que este festival ocupa já, e alargará no futuro, um espaço activo e central no movimento de intercâmbio teatral Lusófono". A Associação Mindelact foi também agraciado com um louvor especial, do Concelho Geral, pela organização do Festival Mindelact 97 - III Estação da Cena Lusófona.

Conseguiu a Associação Mindelact, nestes dois anos, através deste Festival chamar atenção de todos os cabo-verdianos e do mundo Lusófono, e não só, para esta actividade tão rica na cidade do Mindelo, que esperamos algum dia venha a ter a dimensão e o verdadeiro acolhimento que todos almejamos.

E num crescente interesse na divulgação desta nobre actividade, que passou a ser parte integrante da programação anual do Verão Cultural da cidade do Mindelo e consequentemente de Cabo Verde no geral, acompanharam e cobriram com grande interesse esta 3 edição da Festa do Teatro, os seguintes órgãos de comunicação social portugueses e cabo-verdianos: - Agência Lusa, R.D.P.-África, R.T.P.-África, Jornal "Público", Diário de Notícias, Diário de Coimbra, Diário das Beiras e a Grande Reportagem (de Portugal). - R.T.C. - Rádio e Televisão, Rádio Nova, Jornal "A Semana", Novo Jornal de Cabo Verde, Correio 15 e Agência Cabo Presse (de Cabo Verde). Foi sem dúvidas, o evento cultural com maior cobertura noticiosa em Cabo Verde, no ano de 97.

Sem falsas modéstias, o Mindelact 97 - III Estação da Cena Lusófona, foi um êxito, mas graças a todas as pessoas e instituições oficiais e privadas que, em grande número em Cabo Verde e na maior parte dos países Lusófonos, tornaram possível a realização deste evento.

Logo no primeiro ano, os dirigentes da Associação Mindelact demonstraram ter vontade de trabalhar para a internacionalização do Festival e dignificar, assim, a cidade e o país, quer no respeitante à organização, quer no que se refere à qualidade dos grupos participantes. De ano para ano o Mindelact vem conquistando no país o lugar que lhe é reservado como o impulsor de uma nova mentalidade teatral em Cabo Verde, porque a perseverança tem sido o leme dos seus organizadores.

Neste ano de 1998 de 10 a 20 de Setembro, o Festival terá a mesma dimensão do ano anterior estando já propostos espectáculos de grupos da Cabo Verde, Brasil, Portugal, Moçambique, França e uma co-produção Cabo Verde - Angola.

Contacto:
MANUEL ESTEVÃO - Vice-Presidente do MINDELACT
Email: mestevao@hotmail.com


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