O amigo Lino Guedes Pires, jovem médico brasileiro identificado com a Medicina Natural, é um novo, excelente e benvindo colaborador ( O HIV CAUSA AIDS ? ) do nosso querido Portugal em Linha. O citado artigo é uma verdadeira metralhadora giratória ao atingir todos os segmentos alienados de uma sociedade portadora da SÍNDROME ADQUIRIDA DE IMUNODEFICIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA.
Para que nossos amigos, não habituados com a terminologia médica, possam melhor compreender o artigo do Dr. Lino, convém explicitar o que seja SÍNDROME- "Conjunto de sinais e sintomas que tipificam uma determinada doença". Os sinais são elementos concretos, determinados por qualquer tipo de percepção (olfato, gustação, tato, visão, audição e instrumental). Os sintomas são subjetivos, influenciáveis e interpretáveis, relatos próprios de cada pessoa. Dito isto, retornemos ao artigo do Dr. Lino.
A SIDA, como toda pandemia- e também as epidemias e endemias- é um efeito causal produzido, quase sempre, pela ação social humana. A História sinaliza uma concomitância entre grandes e rápidas mudanças sociais e suas expressões ecológicas. A Peste Negra, a Gripe Espanhola e o Ebola são exemplos por demais conhecidos.
No começo a SIDA configurou-se preconceituosamente como uma DOENÇA AFRICANA ou DOENÇA GAY. Assim posto, o raciocínio simplista, baseado nas excelências da lógica aristotélica e da física newtoniana, facilitou a solução do problema. Escudados nas aparências limitamos o fenômeno aos segmentos marginalizados pela ideologia dominante. Gerou-se e fomentou-se, de imediato, um novo marketing de medo e de faturamento. Efluiram novos puritanismos, mercadorias produtoras de "esperança vital", verbas governamentais para "pesquisas". Emergentes necessidades permanecem anacrônicas quanto a articulação das atuais dificuldades e a intocável questão básica humana- A ALIENAÇÃO.
Vinculando ao nível de consciência de cada elo da corrente social humana deveríamos nos questionar desde as mais simples dificuldades até as mais complexas. Das mais simples perguntaríamos: Por que o incremento da promiscuidade e violência ? Por que os governos tentam equilibrar orçamentos na falácia economicista dos voláteis capitais especulativos ?
Querem mais ?: Por que verdadeiras "sumidades" em epidemiologia "silenciam" quanto a possibilidade do látex utilizados nos preservativos serem ineficazes na retenção (porosidade de qualquer material) do HIV ?
Por que a industrialização incrementa o surgimento de bolsões de miséria ?
Em relação aos mais complexos, permanece uma falta de habilidade total quanto a clarificação das nossas subjetividades. Não investimos nada que desenvolva um profundo conhecimento sobre PODER, AFETO e PRÁTICAS REVOLUCIONÁRIAS. Persiste uma visão de mundo contaminada pela doença da miopía destrutivista.
Estagnados sob o ângulo dos imediatismos e das aparências entronamos a realidade na conveniência do "Pensamento Científico", sendo este detentor da verdade absoluta isenta de contaminação e manipulação ideológica. As maravilhas do Mercúrio e do Arsênio foram substituídas pelo AZT. Esquecer os erros e as fantasias do passando não oferece meios de os evitarmos na atualidade. Repetimos as mesmas técnicas salvacionistas !
A questão da SIDA pode ser colocada no mesmo saco-de-gato de outras mazelas sociais: fome, violência, agressão ao ecossistema, desemprego, escravagismo, colonialismo, infanticídio,... O vício de uma prática social fudamentada no determinismo destrutivista enjaulou nossas consciências no hábito narcísico. Somos espelhos paralelos reproduzindo infinitas imagens de práticas psicóticas. Atolados na inércia não temos atitudes que possam quebrar nossas práticas psicóticas. Recordo um amigo que não cansa de repetir: "Neste filme só há bandido. Ninguém mais deseja ser mocinho".
Os movimentos sociais alternativos geram conflitos que poderão iluminar o caminho para a formação da consciência. Os homens de fé descobrirão o inevitável soçobramento da Nave dos Insensatos. Abrir mão do poder, indiferença, individualismo, hipocrisia, cinismo, inveja, ódio, é fortificar nossa imunidade das infecções oportunistas da alienação. Delegar a DEUS a salvação de nossas mazelas produz e reproduz uma prática infantil que O transforma no imperfeito PAI DO PATERNALISMO.
Amigo Lino, estamos nadando no imenso mar, tentando chegar em uma nova praia que batizaremos de ESPERANÇA. Nós e outros mais tivemos a coragem de abandonar a Nau dos Insensatos.
Amaury da Silva Rego
Rio de Janeiro, Brasil, 14/01/1999 guada@vetor.com.br
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