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Amaury da Silva Rego



A QUESTÃO DO PODER


Falar sobre o poder é falar sobre a própria subjetividade. O poder é um ato político e, como tal, alcança todo ser social.

Enganam-se aqueles que vinculam o poder as grandes fortunas ou aos cargos de alto escalão do Estado. A abrangência do mesmo é inerente a uma determinada situação e ao simbolismo que representa em determinado momento histórico.

Todo ser social detem uma expressão de poder. Para melhor compreensão podemos apresentar uma infinidade de exemplos. Assim, um mendigo-pedinte tem o poder de despertar para si uma sensação de piedade. Na dinâmica da dialética o doador da esmola também desenvolve a sensação de um ser superior, magnânimo. A beleza, a oratória, a força, sedução, cultura, são exemplos de infinitas situações de poder.

O poder é um ato político porque não se concretiza fora do espaço social e, como tal, podemos conceituar: "POLÍTICA É A LUTA PELO PODER".

Por ilação conclui-se que não haverá política sem poder. Por mais insignificante que seja a inserção de um indivíduo no campo social o mesmo estará praticando um ato político instrumentalizado pelo poder. Alguém já pensou que um simples namoro é uma prática política? Alguem já pensou que um indivíduo ao declarar-se APOLÍTICO está nos revelando que é um MEDROSO e/ou um OPORTUNISTA?

A expressão social do poder poderá resultar em práticas positivas ou negativas, levando-se em consideração uma série complexa de variáveis (Miséria, luxúria, concentração de renda, um discurso, etc. ...) que estão presentes em um dado momento histórico. Esta expressão é formada por um vínculo cuja amplitude vai desde uma relação dual até a quase unanimidade social, em um dado momento.

Dois outros aspectos relevantes do poder que devemos levar em consideração são a CORRELAÇÃO DE FORÇAS e a HEGEMONIA.

A correlação de forças, quando equilibrada, resultará em um espaço democrático, obviamente profícuo e propício ao diálogo. Sob o ângulo inverso poderá resultar uma situação social negativa. Em ambas as hipóteses todos os segmentos da sociedade estarão envolvidos no mesmo processo. Seja pela ação ou pela omissão. Acreditar que, para haver evolução, só há avanço social onde houver uma fração hegemônica no poder é cair em uma visão reducionista de mundo e muito perigosa. Tal fração, quase sempre, arroga-se como "DONA DA VERDADE", tendendo a implodir qualquer dinâmica social pacífica.

Tentar compreender e desmascarar o poder perverso implica no desenvolvimento de uma prática de cidadania alicerçada na CONSCIÊNCIA CRÍTICA.

Se nos permitirmos conceituar o poder como uma TENTATIVA POLÍTICA DE REALIZAÇÃO DE DESEJOS, responderemos ao enfoque da subjetividade do mesmo. Assim um ser político menos reprimido, ou que escoe com facilidade seus anseios, instrumentalizará sua prática social sob um prisma construtivista. Em caso contrário o poder tornar-se-á nefando, perverso, cínico.

A História Humana vem sinalizando atitudes altamente destrutivistas, ora pelo exercício perverso do poder, destruindo correntes ideológicas proponentes das chamadas utopias, ora pela própria autofagia. Essa História apresenta uma galeria de personagens-simbolos que vão do terror a divindade.
Podemos, através do processo histórico, afirmar que a predominância do poder perverso sinaliza para a necessidade de melhor aprofundamento na questão do desejo.

Introjetar o nosso saber, na tentativa do auto-conhecimento, é um caminho que poderá revolucionar a célula-mater da política- A FAMÍLIA! Descobrir, ou compreender (INSIGHT), traumas que resultaram em comportamento (Ódio/Medo) antissocial pode desestruturar o maniqueísmo e a necessidade hegemônica. O investimento na formação de CONSCIÊNCIA CRÍTICA não daria espaço para os ISMOS e descartaria qualquer reducionismo que impedisse o avanço qualitativo de todos os estamentos sociais.

Atualmente vivemos uma grande pobreza social, onde impera uma só fração do poder mundial: O FINANCISMO. Em nossa aldeia global já começamos a perceber o equívoco desta política pela grande tempestade que está atingindo "O MILAGRE DOS TIGRES ASIÁTICOS". Sem comentário quanto a máfia que hoje domina a Rússia!

Possa, em breve, alongar um tema tão complexo e polêmico. Espero ter tido a sorte de poder sintetizar e me fazer entender. Para os que se acham destituídos de poder indico o conhecimento do TAOÍSMO onde o WU WEI (O NÃO PODER) é uma eficaz arma do poder- O PODER DE NÃO COMPACTUAR COM A DESTRUTIVIDADE...!


Amaury da Silva Rego
Rio de Janeiro, Brasil
guada@vetor.com.br

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