Nestes últimos três anos efectuados ao serviço jornal Gazeta Lusófona deparei-me com diversas situações que merecem uma séria reflexão.
Um deles é, sem dúvida, os casos de suicídio na comunidade portuguesa.
Mesmo se é um assunto delicado para todos, especialmente para as famílias dos que voluntariamente colocaram um fim às suas vidas, pelas mais variadas razões, começa ser um motivo de preocupação e que talvez mereça uma atenção pela parte das entidades oficiais, para se tentar entender o porquê deste trágico fenómeno - se assim podemos dizer - na nossa comunidade.
As idades dos casos que tive conhecimento variam entre os 21 e os 43 anos, todos do sexo masculino e aparentemente com razões muito diferentes e distintas entre si. Casos dramáticos que deixaram as famílias num verdadeiro estado de choque e com graves problemas sociais e legais com a comunidade de acolhimento. Não sou sociólogo, mas o facto preocupa-me muito aliado à desilusão de não conseguir respostas, se é que elas existem. Encontrar uma explicação que se possa dizer no mínimo atendível, não é fácil e não está ao alcance de todos. É certo, que o desespero humano leva por vezes a loucuras inatendíveis e desconcertantes mas, se a voz da vida que em todos nós existe for mais forte, a sobrevivência não pode padecer de fugas para o infinito. Os problemas fazem parte do quotidiano, sejam eles familiares, sociais, de dependência ou de outros, casos extremos como aqueles cinco casos que tive conhecimento não pode ser a solução.
A comunidade tenta esconder e até ignorar estes acontecimentos trágicos. Eu sou de opinião que se deve falar e alertar, até porque pode acontecer que o tema abordado desperte os mais sensíveis e os desencoraje para actos que não dignificam o ser humano.
Não se pode deixar de acreditar nem de lutar. A vida é uma constante roleta que nos põe à prova todos os dias, nos mais variados
quadrantes e origens. A procura para a vida eterna vem dos tempos mais primórdios das civilizações. Mas, o desalento compulsivo ou até mesmo a forma de chantagem que se paga com a própria vida, não pode ser a chave para a resolução dos problemas nem do mistério da vida. A angústia dos ente queridos que cá por este mundo ficam é dolorosa e com marcas irreversíveis até ao fim dos seus dias.
Não possuo estatísticas para saber se, em termos percentuais, este assunto possa ser considerado alarmante, em todo o caso, foram cinco vidas que eu tive conhecimento que colocaram um fim trágico aos seus dias, e mesmo que uma só fosse ...merece concerteza o nosso respeito e reflexão.
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