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Portugal Em Linha



Carlos Mário Alexandrino da Silva Carlos Mário Alexandrino da Silva


REINO DE ANGOLA : 25º ANIVERSÁRIO DA RESTAURAÇÃO DE SUA "INDEPENDÊNCIA"
DUAS "NAÇÕES MORIBUNDAS" E A PERDA DE DIGNIDADE COLECTIVA


UNAMUNO, PORTUGAL E OS PORTUGUESES


A obra de Miguel de Unamuno é mal conhecida em Portugal, facto esse que não é de estranhar, na medida em que a literatura espanhola é mal conhecida ali.. Parece existir uma certa má-vontade recíproca e teimosa, persistente, como se uma imensa muralha da China separasse os dois povos ibéricos... Mas Unamuno teve algumas condições para fugir a tal destino, pela proeminência que a geração espanhola de 1898 alcançou em muitos aspectos, aparentando-se com a geração lusitana de 70; ambas se revelavam muito tocadas pelo sentido da decadência das suas próprias pátrias ou, como disse Oliveira Martins, pela perda da «consciência da dignidade colectiva»...Catedrático da Universidade de Salamanca desde o ano de 1891, teve ensejo de visitar por diversas vezes Portugal e de estreitar relações de amizade com intelectuais Portugueses como Guerra Junqueiro, António Sérgio, Eugênio de Castro, Leonardo Coimbra, António Ferro e outros. Foi ele, que era basco, um iberista dos mais brilhantes, na senda de um Oliveira Martins e de um Antero de Quental. Destarte, acabou influenciando Fidelino de Figueiredo. Conquanto não poucos o considerassem xenófobo, a verdade é que Unamuno se interessou muito por Portugal e sua gente; por essa terra «por fora risonha e branda, por dentro atormentada e trágica», abrindo excepção para o «irmão peninsular». Tinha intenções mesmo, de escrever um livro, intitulado PORTUGAL, onde se propunha desvendar o que se oculta «sob aquele terrível verso de Nobre»: «AMIGOS, QUE DESGRAÇA NASCER EM PORTUGAL». Porém, não concretizou essa aspiração, ou melhor, escreveu outro em vez daquele, a que deu o título «Por Terras de Portugal e Espanha», com 26 capítulos, dos quais 12 são dedicados à pátria portucalense..

O facto de Unamuno ter juntado numa mesma obra os dois países, polariza a sua preocupação em contribuir para a aproximação entre os dois povos, "milagre" que esse livro, como está demonstrado, não conseguiu realizar. Depois da... «descolonização exemplar» parece ter-se transformado em outro «milagre» a favor dos espanhóis: em muitos aspectos, a economia portuguesa "e não só" está sendo «colonizada» pelos espanhóis, prenunciando de certa maneira um inevitável retorno lusitano à sua origem de simples «condado» do irmão mais velho. E por que não? Afinal, a globalização tem nuances pragmáticas que apontam para grandes espaços (como diria Adriano Moreira), não obstante aparecerem por ali e por acolá, alguns fenômenos "espúrios" que pretendem a "balcanização" (Madeira e Porto Santo "á la longue", Açores idem, Canárias, País Basco, Irlanda do Norte, os "dois" Canadás e até o..Texas!!!) Esse livro de Unamuno não foi nunca, que seja do nosso conhecimento, traduzido para português, nem sequer incentivou a tradução ou o estudo, em Portugal e nos restantes países lusófonos, da sua ubérrima obra de distinto polígrafo basco (ensaio, filosofia, novela, conto poesia e teatro, só uma pequena parte teve honras de tradução para português) . No entanto, POR TIERRAS DE PORTUGAL Y ESPAÑA obteve alguma repercussão no meio intelectual lusitano que, na sua época, não ficou indiferente à sombria imagem que Unamuno dava de Portugal (aliás, não mais sombria do que a que lhe mereceu a Espanha...).

Lope da Veja desnudou o português com a imagem de um eterno "enamorado". Mas, Unamuno pôs em evidência outra paixão do lusitano: a do SUICÍDIO. Daí o ter escrito « & etc - Portugal - Povo de Suicidas»....indo assim, fatalisticamente , ao encontro de ANTERO DE QUENTAL quando este afirma que «uma nação moribunda é uma coisa poética».

POVO SUICIDA - NAÇÕES MORIBUNDAS
DIGNIDADE COLECTIVA...


Povo suicida...o Português. "Nações moribundas"... talvez Portugal, talvez Angola.... Vem isto a propósito da comemoração(?!) em 11 de Novembro, corrente, do 25º aniversário da "independência" (!) do território ex-colonizado conhecido pelo topônimo ANGOLA, data em que o médico negro Agostinho Neto, nosso antigo consócio na extinta Casa dos Estudantes do Império - secção de Angola - de que fomos sócio-fundador e ele, mais tarde, sócio da delegação dessa colectividade em Coimbra onde, com bolsa de estudos salvo erro de uma instituição evangélica, cursava medicina, assumiu a mais alta magistratura do novo país: presidente da República... Popular de Angola, logo à partida ocupada militarmente por dezenas de milhar de mercenários cubanos que já estavam clandestinamente instalados e escondidos em pontos mascarados do litoral do território: Cabinda, Cuanza Sul, etc... Uma acção planejada em Havana com cumplicidade dos capitães dos cravos "vermelhos", como sempre levianos e inconseqüentes quiçá devido à sua falta de cultura ultramarina e histórica. Desembarcaram de navios cargueiros com bandeiras da Libéria, do Panamá, etc., esses contingentes mercenários cubanos, prontos a ocupar os quartéis lusitanos que foram então cèleremente desguarnecidos a mando do Alto Comissário, mais conhecido por Almirante Vermelho, que não sendo cravo era também flor, uma "rosa" rubra. Meses antes, um enviado do MFA, nos meados de 1975, "comediante indo-lusitano" que fora vendedor de apartamentos classe "A" no Algarve, mais do que "guerreiro hiplota" matador de guerrilheiros do PAIGC na quente Guiné-Bissau, conhecido "puxa-saco" (perdoem-nos a gíria brasileira) do "general governador narcisista de monóculo" (ex-oficial voluntário fascista da famosa Divisão Azul Falangista espanhola, reforçando a Wermacht germânica na Rússia nos idos de 40) foi visitar na capital cubana o Presidente vitalício Fidel Castro (filho de imigrantes espanhóis das Ilhas Canária, que tem primos vivendo na cidade brasileira de Lorena - S.P., um dos quais, paradoxalmente, nosso conhecido e homem garboso, já falecido, Juan C. Delgado, foi tenente da Legião Estrangeira Espanhola, portanto franquista, na Guerra Civil de Espanha), conforme na altura noticiou a imprensa lisboeta. Um emissário castrense da JSN, cuja "missão" foi omitida, ou seja, mantida no maior sigilo... Logo após essa visita, o caudilho cubano que adora o seu título auto-atribuído de "comandante" e tem seu mano Raúl como imediato ou lugar-tenente, anunciou sua intenção de prestar ajuda "internacionalista" a Angola, de acordo, claro, com as instruões recebidas do Kremlin soviético que iria também enviar material de guerra, dinheiros e "assistência técnica" juntamente com os PC´s dos países da Cortina de Ferro... Agora, o comandante Fidel, que nos merece todo o apreço pela sua coragem e tenacidade mas não pela forma como governa o seu povo, vai ser homenageado por uma falange de mil "peregrinos" brasileiros do PT-Partido dos Trabalhadores, capitaneada pelo seu presidente de honra (e, muito provavelmente, futuro presidente do Brasil) Luís Inácio Lula da Silva, nordestino de garra e ex-proletário. Vão manifestar-lhe sua fidelidade marxista... "stalinista"- no Santuário que dá pelo topônimo HAVANA, uma espécie de "lugar santo" dos saudosistas da era estalinista [ sem retorno e até ameaçada pela crescente onda de ocorrências neo-nazistas na América do Sul, mòrmente na Argentina, Uruguai e mesmo no Brasil], que apenas sobrevivem ainda de cabeça erguida nestas Américas ( a Ístmica ou Central e a do Sul) a Sul do império colonial ianque, onde ainda hoje estão banidos a bandeira e os símbolos, referências ou uniformes cinzentos das tropas de latifundiários dos estados secessionistas comandadas pelo famoso general Lee, conforme noticia o jornal O Estado de S.Paulo de 8/11/2000; publicou este importante diário uma interessante reportagem sobre a persistente fraternidade (sobretudo feminina, de famílias que conservam seus sobrenomes ingleses) dos descendentes, em 5ª geração, dos americanos confederados que, após a derrota sofrida pelos sulistas na chamada Guerra da Secessão, nos EUA, imigraram para o Brasil. Eles se radicaram, com o apóio do Imperador Dom Pedro II, que lhes distribuiu glebas, nas Províncias (hoje Estados) do Pará (Santarém e Belém) e de São Paulo (Santa Bárbara do Oeste e Americana, que tem este nome devido à origem dos seus fundadores). Escravistas, vieram porque no Brasil ainda havia escravidão e foi graças a esses imigrantes americanos, que tinham experiência de cultura algodeira, que se desenvolveram as grandes plantações de algodão em São Paulo e no Norte do País... A famosa cantora Rita Lee descende de um coronel confederado que veio nessa altura - 1866 -. No dia 4 de Julho, Aniversário da independência norte-americana, essas comunidades ou fraternidades de descendentes de americanos reúnem e içam, em praça pública a bandeira da Confederação, prestando culto aos seus heróis, cujos uniformes e fotografias emolduradas conservam e veneram.

INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA E AFRONTA AO BRASIL


O 11 de Novembro foi comemorado em Luanda pela primeira vez em 1975 estando presentes vários chefes de estado, os enviados da JSN, do governo "socialista" militar e seu órgão "soviético" - o chamado Conselho da Revolução- e da diplomacia portuguesa, representantes e embaixadores de Cuba, da URSS e dos países da Cortina de Ferro, mas sem a presença de representante dos EUA.... Ali estava, também, o embaixador do Brasil que, empolgado, aplaudiu, entusiasticamente, no largo do Palácio do Governo, a cerimônia de arreamento da estátua de Salvador Correia de Sá e Benevides, o homem que, à frente de tropas e de uma esquadra brasileiras, corajosamente derrotou os holandeses no século XVII e governou o território, acompanhado da sua índia Yara, durante vários anos. O pobre diplomata do Itamaraty nem sequer sabia a quem aquela estátua representava... e tampouco o que, historicamente, ela simbolizava para o Brasil! E, assim, aplaudiu a ...afronta ao Brasil!!!

25 anos se passaram desde essa data... E o que é e como está ANGOLA, afinal?... Guerra fratricida, fome. Opressão, miséria, ausência de liberdade de imprensa e de respeito pelos direitos humanos, inexistência de DEMOCRACIA, monopolização da mídia (TV, Radiodifusão e grande imprensa), uma feroz ditadura, mercenários estrangeiros, despesas fabulosas com compras de aviões MIG, ANTONOV 26, SUPER TUCANOS brasileiros (15 milhões de dólares cada um e só há pouco mais de um ano foram 6 de uma vez, da fábrica EMBRAER de São José dos Campos), lança-foguetes mortíferos fabricados pela AVIBRÁS também de São José dos Campos, blindados Urutus, 10 milhões de minas anticarro e anti-pessoal espalhadas arbitrariamente por todo o território e que, além de uma despesa anual de cerca de 20 milhões de dólares para sua remoção, vão demandar cerca de 50 anos, segundo os especialistas, para serem totalmente erradicadas do solo dito "angolano". Luanda, que tinha 400.000 habitantes em 1975, hoje tem mais de 1.600.000, é uma cidade infecta, de pedintes, de esfomeados, de doentes, de consumidores de drogas e narcotraficantes, de perigosos marginais, de deslocados pelo êxodo rural desencadeado desordenamenete pelo inferno das guerras fratricidas cuja responsabilidade principal cabe ao governo do MPLA que solapa eleições, contratando para isso empresas brasileiras de marketing político, com destaque para a PROPEG de São Paulo, que ganhou com o seu sujo trabalho 100 milhões de dólares na última eleição presidencial em que nem se cunpriu a realização do 2º turno, e a Orion, de Brasília e MG. A assistência médica e sanitária praticamente inexiste, 500000 angolanos estão contaminados pela SIDA (AIDS) e estimam as autoridades sanitárias que dentro de 10 anos o número de mortes devido a esta terrível doença deve atingir 1 milhão de pessoas. Não existem recursos para prevenção, as endemias tropicais que os colonialistas tinham já erradicado, retornaram em grande força, a fome, a miseria, o êxodo rural e o desespero avassalam o território, como tem sido denunciado pelas ONGs e pelas várias confissões religiosas. A situação é verdadeiramente dramática e por isso, a própria Assembléia Nacional já acusa a existência de uma crescente corrente oposicionista que pretende a demissão voluntária ou o impeachment de Eduardo dos Santos e o fim das sanções contra a UNITA e das perseguições à FLEC. Meio milhão de mutilados na sua maioria inocentes civis, crianças, mulheres, homens devido aos tais engenhos de artilharia destrutivos, fabricados e exportados por uma empresa brasileira - AVIBRÁS - e às minas que polvilham, por toda a parte, o potencialmente super-fértil, mas agora mortífero, solo angolano. Nada se produz, somente se destrói... O neocolonislismo econômico e a corrupção estão presentes, na sua máxima força, naquele território em que, como diz Carlos Pacheco, historiador angolano, militante do MPLA (ao que parece) e domiciliado em Luanda, num artigo muito objectivo (e imparcial, porque ele é ou era do MPLA, segundo nos disseram) publicado no jornal "EXPRESSO", de Lisboa, em 31 de Julho do ano de 1999, cujo título aponta para a guerra existente entre MPLA e UNITA, equacionando, como nós temos feito de longa data, o grave problema das profundas diferenças regionais, diversidades sociológica e cultural, além de histórica e etno-linguistica, e a identidade (bom seria que alguém lembrasse isto aos presidentes do Brasil e de Portugal e ao primeiro-ministro português e seu chanceler encarregado dos negócios estrangeiros que se nos afigura muito inábil, um tal Jaime Gama sem experiência colonial) dos detentores do Poder (MPLA), todos litorâneos, com o ex-colonizador e forma como eles encaram os interioranos ( caso do ambundos, do Savimbi e de outros), tratando-os como "sertanejos", como "matumbos", como "inferiores" sem direitos, sem se falar já nos recalcados e dizimados Bosquímanos (os khoi-san), primeiros povoadores que têm sofrido genocídio praticado pelos adventistas grupos Banto, nos cabindenses e iombes que nada têm a ver com Angola, porque, nos termos do Tratado de Simulambuco de Fevereiro de 1885, Cabinda - riquíssima em ouro, em diamantes, em madeiras exóticas de alto valor, nela abunda o petróleo, que é sacado pela Chevron/Cabinda Gulf Oil Company, texanas, com jazidas contendo reservas só comparáveis às do Kuwait- foi um PROTECTORADO e como tal considerado até pela própria denominação funcional do Governador Geral de ANGOLA e de... CABINDA, ainda em 1958/59, como pode ser comprovado pelo exame dos Diários do Governo e do Boletim Oficial de Angola, daquele tempo. Por conseguinte, em 11 de Novembro de 1975 Cabinda deveria ter proclamado também o fim da situação de Protectorado e a sua independência conmo estado soberano. O governo de José Eduardo dos Santos conta indevidamente com o apóio de vários países com interesses neocolonialistas disfarçados de fraternidade "lusófona" e da desacreditada ONU cujo representante do Secretário Geral está em Luanda porém não é reconhecido pelo Governo dimanado do MPLA (?!). Leiam bem o que denuncia em seu artigo aquele distinto historiador angolano, absolutamente insuspeito (ele não é da UNITA nem da FLEC-RENOVADA ou sem ser Renovada): além dessas desigualdades regionais e tradicionais que recomendam uma estrutura de Estado diferente da actual, recomendando - dizemos nós uma confederação ou união de estados como é a União Indiana, por exemplo,ou a Confederação Helvética, ou mesmo os Estados Unidos da América, a postura maquiavélica do MPLA, que já se fazia sentir ao tempo do ex-presidente do movimento e da República de Angola, nosso ex-colega e ex-companheiro dos tempos acadêmicos, da universidade, em Portugal, colega e amigo do nosso progenitor, Agostinho Neto (e provamo-lo aqui, anexando a este artigo uma carta de resposta que ele nos dirigiu em Outubro de 1977, apesar de todos, equivocadamente, julgarem que o autor destas linhas era execrado como inimigo por aquele poeta e médico, autor de um poema, entre vários de sua autoria, que muito nos tocou: MINHA AVÓ NEGRA.- Política, que não deve implicar ódios nem rancores, é uma coisa, amizade ou companheirismo antigo, é outra, bem diferente. Ele nem sempre pensou assim, mas depois de conquistar o almejado lugar no vértice da pirâmide do Poder, tornou-se moderado e mais cordato-). Carlos Pacheco revela que (salientamos nós - tal como José Eduardo dos Santos fez com o engenheiro Jeremias Chitunda e outros altos quadros da UNITA em 1992 mandando-os assassinar num só dia, de surpresa, pelos seus ninjas, treinados por policiais espanhóis), Neto abordou, num hotel do Algarve, Holden Roberto para que assassinassem o Dr. Savimbi e dividissem entre eles o Poder, repetindo a proposta, mas para eliminarem fisicamente o presidente da FNLA, junto de Savimbi... E esse personagem, médico e poeta (como Platão estava certo ao repudiar poetas e outros artistas para comando político!), dotado de tão "cativantes princípios éticos" foi o primeiro Presidente da República "popular" (ou "impopular"?) de Angola, da linha soviético-cubana, sendo modelo "exemplar" adoptado pelo seu sucessor, em torno do qual correm... "boatos"(?) de corrupção, pouco lisonjeiros, envolvendo relacionamento irregular com as grandes empresas, petrolíferas, nada menos de 35, que sacam in shore e off-shore o cobiçado ouro negro (petróleo) de Cabinda, que não é Angola, e de "Angola" que, afinal, são várias..."Angolas", como sempre dissemos!!!.

Ramalho Eanes, um dos capitães dos cravos "vermelhos" alcandorado a "general" e depois, como Costa Gomes e António Spínola (mas ignorando Humberto Delgado e Henrique Galvão, ao menos a título póstumo já que não estão vivos há muito tempo), a "marechal de campo" (" promoção" que nos consta ter dignamente rejeitado não compartilhando, pois, essa honraria militar com o semi-analfabeto Samora Machel, o ex-cabo Machel do exército colonial, já falecido, que eliminou, à "boa maneira banto", o esclarecido e preparado fundador e primeiro presidente da FRELIMO Dr. Eduardo Mondlane) fez, quando presidente por longos anos (assim vai o crédulo povo português...) um discurso sobre o "marxismo africano" de que o "engº", fabricado em Moscovo, José Eduardo dos Santos era acérrimo defensor até ao colapso da URSS, no qual disse que «os modelos de análise ocidentais» - reportamo-nos a um artigo intitulado O «marxismo africano» segundo o general Eanes» da autoria de José Pacheco Pereira - publicado em Semanário, páginas 27 e 28, de 25 de Maio de 1985- que foram utilizados por mera analogia para as sociedades africanas, revelaram-se inadequados, mas continuam a influencair o processo de decisão política relativo a África, levando a posições a que o dito oficial, agora confortavelmente bem remunerado pelos bolsos dos contribuintes lusitanos e privilegiadamente instalado na vida mesmo sem ter feito curso para o generalato, chama eufemisticamente... «.desajustadas». Daí que, também segundo o gen. Eanes,«a recusa no Ocidente» do «marxismo africano se deva à «incompreensão do seu valor instrumental» para a « afirmação nacionalista africana» e para a «coesão e coerência de um «modelo centralizado e verticalizado de poder». Que jogo intrincado de palavras "bonitinhas"!...By Jove!... Parece que durante a guerra colonial o então capitão ou major R.Eanes cursou Direito à distãncia, como aluno voluntário de acordo com o regime especial para militares que era uma..."mordomia" de que os civis... não podiam beneficiar.

Ele chamou de modelo «centralizado e verticalizado de poder», pura e simplesmente, à ditadura política que se vive em "ANGOLA" e noutros países africanos, o que levou o impoluto e digno ex-presidente sul-africano Dr. Nelson Mandela (advogado) a receber fraternal e amigavelmente o Dr. Jonas Savimbi, presidente da UNITA, apoiando-o, antes de deixar o seu cargo em Pretória, e repudiando a posição intransigente, por avessa ao diálogo e anti-democrática, do presidente de "ANGOLA" e do MPLA-PT (afim ao PT do Brasil embora muito ligado ao Grupo Odebrecht, capitalista, do Rio de Janeiro...)

Outra crítica a fazer ao sr. António Ramalho Eanes: Não existe... «marxismo africano»! O marxismo, como forma de socialismo científico com embasamento histórico, como doutrina econômica e filosofia política, emanou de Karl Marx e...F. Engels e é só um. O que vigorou muito tempo, foi o "sistema comunista mundial", maniqueísta; um social-imperialismo de inspiração estalinista, orquestrado e gerenciado, com densidade elevada de mídia radiofônica e proliferação de partidos comunistas e, no caso da África Negra, assente em "movimentos populares" (assim chamados para que o PC/URSS não fosse acusado de estar penetrando através de partidos comunistas...) estruturados e alimentados por Moscovo. O marxismo invocado por Lenine ou por Ho Chi Min ou mesmo por Mão Tse-Tung e Fidel Castro, não era "marxismo", porque este tem, necessàriamente, de ser ortodoxo para se poder falar de "marxismo" pròpriamente dito... Tratava-se de desvios, de revisionismos, de adaptações, de "marxismos depois de Marx", para os eufemistas, fórmulas que Marx decerto não aceitaria se pudesse fazer-se que sua "alma" virasse "matéria viva" e ele retornasse ao convívio dos viventes...

Finalizando este já longo artigo de opinião, julgamos oportuno transcrever uma passagem da carta que de Madrid nos enviou, em 14 de Maio de 1976, o autor do livro "ANGOLA - CHAVE DE ÁFRICA" (na edição francesa, original, "Angola - Clé d´Afrique") Doutor Mugur Valahu, ex-oficial do exército romeno, mutilado de guerra, anti-comunista, doutor em Direito pela Sorbonne, escritor e jornalista, naturalizado americano e domiciliado em França. Como essa carta, de que conservamos em nosso arquivo o original, é extensa , limitamo-nos a recortar dela a parte que interessa ao tema deste artigo. Dactilografada em inglês, fazemos a sua tradução para português, que é a seguinte:

"Pessoalmente sinto-me muito contristado pelo abandono de Angola de forma tão covarde ou irresponsável. Eu seria capaz de apostar que o Exército e os Portugueses em Angola lutariam até ao último sacrifício. Estava certo no meu livro, quando predisse que sòmente um Governo Comunista em Lisboa abandonaria Angola mas jamais pensei que o Exército Português poderia ficar na História como "traidor" ao seu próprio País."

AUTONOMIA PROGRESSIVA ATÉ À INDEPENDÊNCIA
COMUNIDADE LUSO-AFRO-BRASILEIRA


Recordamo-nos de, em 1963 ou 64, havermos escrito [por ordem do inspector superior do GNP Dr. Alexandre Ribeiro da Cunha, ex-secretário do presidente do conselho de ministros António de Oliveira Salazar e homem da confiança do velho ex-padre ditador], no Gabinete dos Negócios Políticos do Ministério do Ultramar, a cujo quadro pertenciamos chefiando então o serviço de imprensa e radiodifusão nacional e estrangeira, um artigo de fundo para o jornal "O Século", que neste foi publicado de forma apócrifa. Debruçando-se principalmente no equacionamento do problema de Angola e, em segundo plano, das demais colônias, abordava o tema "processo progressivamente autonômico" de descolonização orientada e coordenada, por fases, focalizando que essa via estava sendo inicializada, em fase de arrancada... Alvitrava-se ainda, a idéia da futura criação de uma fraterna comunidade lusófona, de uma união de estados luso-afro-brasileira destacando-se a importância econômica e estratégica do Atlântico Sul que dessa forma ficaria em mãos dessa comunidade, tornando-a polìticamente uma potência poderosa e actuante no contexto político internacional.

Ribeiro da Cunha deu-nos três horas ( iniciamo-lo às 12h00 ditando directamente para a melhor dactilógrafa do GNP/UM, Maria de Lurdes Guerra Ferreira, e terminamo-lo às 15h00) para elaborarmos esse artigo, a fim de submetê-lo à apreciação e aprovação do Prof. Oliveira Salazar que fora quem lhe dera a orientação tópica que ele nos transmitira e quem determinara que providenciasse a execução dessa tarefa naquele mesmo dia...para divulgação no dia imediato, com diapasão através das agências noticiosas nacionais e emissoras de radiodifusão e RTP. Agradou, não sofreu alterações e alcançou grande repercussão na mídia.

Carlos Mário Alexandrino da Silva


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