Artigos de Opinião
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Carlos Mário Alexandrino da Silva
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Recentemente a mídia internacional e a FLEC-Renovada denunciaram que tropas de comandos portuguesas tinham desembarcado em Cabinda para reforçarem ações punitivas de forças armadas na verdade invasoras porque não são cabindenses e sim "angolanas" (do governo de Luanda), contra forças irregulares (face ao T. de Simulambuco será que podem ser assim consideradas?) nacionalistas da FLEC-RENOVADA que estariam mantendo em cativeiro alguns civis portugueses que consideravam intrusos no seu território. A embaixada lusitana em Luanda teria ficado enfurecida (?) com tal notícia, esquecendo que ficou inerte tempos antes, quando um caricato revolucionário teatral, de siglas OSC [oficial "indiano" da reserva portuguesa ex-puxa-saco do narcisista Antônio Spínola na Guiné-Bissau (eloqüentemente populista e possuído de verborréia demagógica, virulenta e violenta em lamentável -para a civilização ocidental e ...cristã- "show" público realizado, pelos inconseqüentes capitães dos cravos vermelhos, na Praça de Touros do Campo Pequeno, nos idos de 75, em que propôs "fuzilamentos" públicos de "fascistas", ele que até fora, quando cadete, a troco de dinheiro, porta-estandarte da também caricata... "SS" portuguesa, a "famígera" Legião Portuguesa que só treinava com sucata aos domingos dentro de aquartelamentos do exército enquadrado por aqueles "heróis de opereta cômica", a par do seu colega da Escola do Exército Melo Antunes, filho de um destacado e dedicado oficial da mesma organização para-militar )], se deslocou a Luanda para ali oferecer seus préstimos, a troco de muito dinheiro, como empresário de uma recém-formada empresa de mercenários... Portugueses. Segundo noticiou a mídia, foi recebido pelo presidente JES, usurpador do cargo ( pois não houve, até hoje, segundo turno para a eleição do chefe de estado da RA), com quem teve conversações referentes a uma planejada expedição punitiva contra os "rebeldes" de CABINDA.
Ninguém ignora que em Angola - e o próprio Itamaraty brasileiro já o reconheceu, ao negar que não se encontram militares das forças regulares brasileiras treinando as FAPLA, embora se admita que possam haver civis, ex-militares, dessa nacionalidade, prestando serviços dessa natureza mas de conta própria - há em Angola mercenários portugueses, brasileiros, sul-africanos (brancos, ex-racistas, ex-inimigos) e de várias nacionalidades e cerca de 10.000 mercenários cubanos que ficaram ali, sob o disfarce de "naturalizados", como novos angolanos, integrando a guarda pretoriana do palácio praieiro do FUTUNGO DE BELAS onde reside o ex-favelado (quando era homem do povo) personagem que se arroga o poder supremo no País. Sejam regulares ou mercenários, esses portugueses estão ilicitamente em Cabinda e quanto a eles e às FAPLA, à luz dos termos do Tratado de Simulambuco são, isso sim, tropas estrangeiras invasoras, cujos "patrões"- o governo socialista lusitano e o governo de JES- deveriam ser objecto de sanções imediatas da comunidade internacional.
Em 23 de Setembro de 1970 deslocou-se a Luanda o sr. William Finnigan. Diretor da Gulf Oil Company Eastern Hemisphare, acompanhado de um assessor, sr. Peter Hamilton. Aquele alto executivo da Gulf convidou para um almoço no Clube Naval, na chamada Ilha de Luanda, o então Encarregado do Governo Geral de Angola Desembargador Governo Montez, o qual, por não dominar a língua inglesa, solicitou a nossa participação para intermediarmos o diálogo a estabelecer com o enviado daquela poderosa empresa petrolífera. Encontravam-se presentes no mesmo almoço, os Secretários Provinciais das Comunicações e da Economia, respectivamente Ten.Cor. engº Carloto de Castro e economista Walter Marques, o capitão de mar-e-guerra Artur Rodrigues, o major Oliveira Martins, oficial-às-ordens do Encarregado do Governo Geral, o então diretor- geral da Cabinda Gulf em Luanda, sr. J.H. Beedford e Luís Lupi, relações públicas, em Portugal, daquela empresa. Durante a maior parte do repasto, Mr.Finnigan fez ao autor destas linhas, então diretor do Centro de Estudos Políticos e Sociais de Angola, várias perguntas sobre perspectivas econômicas de Angola, situação política na África Austral e particularmente naquela "província ultramarina" pouco depois "promovida" a Estado ultramarino, panorama da situação militar, etc.. Respondemos-lhe objectiva e resumidamente, sem nos termos apercebido de que estávamos sendo examinado. No final do almoço e depois de haver se despedido do Dr. Governo Montez e seus acompanhantes, aquele alto dirigente da Gulf solicitou-nos para que, no fim dessa tarde, o procurássemos no Hotel Continental, em Luanda, onde se encontrava hospedado, porque desejava falar-nos a título particular. Procurámo-lo e durante o jantar para que nos convidou, ele nos disse que, da conversa que tivera conosco durante o almoço no Clube Naval, concluíra sermos a pessoa que estavam buscando, porque reuníamos as condições almejadas, desde há mais de dois anos, pelo Grupo GULF, para contactos com órgãos do governo e para assumir a direção- geral da transnacional para a África Ocidental, com escritório-sede em Luanda. Depois de nos ter apresentado uma atraente proposta, entregou-nos o seu cartão pessoal e disse-nos que, sabendo do nosso compromisso como servidor público, nos dava dois meses para lhe respondermos...Acontece que havíamos estado, até data recente, mais de um ano, em situação de licença ilimitada, sem vencimentos, que requereramos devido a um acto injusto e arbitrário (em que, como autêntico ditador, era pródigo...) do ministro das Colônias Silva Cunha, "coveiro" do Ultramar Português; aquele antecedente, nos termos do Estatuto do Funcionalismo Ultramarino, impossibilitava-nos de adquirir de novo essa situação antes de decorridos dez anos. E entre o apetecível lugar que nos era oferecido para sermos diretor-geral da GULf na África Ocidental e à frente da Cabinda Gulf e a inevitabilidade de termos de pedir demissão da função pública, perdendo o vínculo e todos os direitos de 20 e muitos anos de serviço prestado ao Estado como militar e como servidor civil, embora ganhando muitas vezes menos do que iríamos receber da GULF, optámos por não aceitar o convite...fato que surpreendeu muita gente, como é óbvio. No dia imediato fomos assediado por telefonemas de executivos de várias empresas portuguesas, pedindo-nos que, uma vez que recusávamos o lugar, indicássemos os nomes deles, salientando-se pela sua insistência o capitão de Cavª, na reserva, Mendonça, diretor-delegado em Luanda da Companhia Angolana de Agricultura, uma das muitas empresas do poderoso Grupo Espírito Santo, de judeus portugueses...
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