Artigos de Opinião
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Carlos Mário Alexandrino da Silva
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Nessa altura, o idoso e famoso capitão Henrique Galvão, ex-deputado salazarista e ex-inspetor superior de administração colonial a quem tiranicamente (até os muito inteligentes fazem besteiras irreparáveis quando viram autócratas) Salazar cassara o mandato parlamentar , demitira da função pública e incriminara levando-o ao cárcere comum na Cadeia Penitenciária de Lisboa donde se evadiria apesar de ser já septuagenário, criando em Cuba as suas brigadas revolucionárias e realizando o seqüestro do paquete SANTA MARIA na sua última viagem para o Brasil; tencionava com ele dirigir-se a Benguela a fim de ali se juntar à Oposição angolana e portuguesa, reunindo forças para proclamar a partir de Angola um governo democrático de "Portugal Livre", façanha que não se cumpriu porque aquela intentona revolucionária fracassou e seu caudilho foi capturado e internado pelas autoridades brasileiras... É transparente que a FUA fazia parte desse enredo novelístico... Como frisamos no apontamento secreto sobre a FUA elaborado em Abril de 1963, como primeiro oficial do Gabinete dos Negócios Políticos, documento esse que foi levado ao conhecimento do presidente do conselho de ministros, Dr. Oliveira Salazar, "a acção das nossas autoridades teria impedido os dirigentes da FUA, desde a sua criação, de entrarem em contato com os movimentos que se empenhavam já numa luta clandestina eficaz, mas que, privados de meios de ligação, não podiam estender a sua ação nem alargá-la a outros setores e a outros distritos da província." Tudo leva a crer que o ex-padre ditador não ficou impressionado com esse movimento angolano que apenas contava com algumas centenas, se tantos, de militantes, e que a PIDE dizia estar já desmantelado...
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