Artigos de Opinião
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Carlos Mário Alexandrino da Silva
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Aquele movimento denunciava já um futuro pacto secreto (que se efetivou) entre Portugal, a Federação das Rodésias e da Niassalândia (que daria origem à Zâmbia, Rodésia do Sul - hoje Zimbábue - e Malavi) e a República da África do Sul, com vista a assistência mútua das respectivas forças armadas brancas... Segundo a FUA, essa era a razão por que os Portugueses teriam planejado construir milhares de quilômetros de estradas no Sudoeste de Angola que se destinariam, principalmente, a nelas poderem se deslocar, rapidamente, forças tarefa militares colonialistas e os "grupos ultras" despachados por Sir Roy Wellensky, supremo magistrado colonial da Federação, e pelo Dr.Verwoerd , presidente sul-africano do regime racista de Pretória. Tais convicções explicariam a razão pela qual a FUA, implantada nas supra citadas regiões, se mostrava extremamente prudente quanto ao desejo de fazer eclodir uma insurreição armada....Essas preocupações da cúpula da FUA revelar-se-iam sábias e objetivas, a curto prazo.
Nessas declarações constava ainda, que o movimento tinha"500 membros activos" contando com a simpatia de metade da população européia e sendo "o primeiro movimento nacionalista europeu numa das colônias portuguesas, apoiado por alguns mestiços e negros que desejam a independência de Angola e o estabelecimento de uma sociedade multirracial, na qual africanos, brancos e mestiços terão igual desempenho."Dos sete membros do comitê central, três viviam no estrangeiro, entre eles o presidente, Dr. Sócrates Dáskalos, como dissemos já ex-vice-reitor do Liceu de Benguela. Seu sobrenome denuncia ascendência paterna helênica. Tudo concorre a supor que, apesar de ser o presidente, foi ele, talvez, um dos primeiros a se passar para o MPLA.
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