Poesia Portugal em Linha

Diana de Moura


Fui

Fui
Em pânico
Para te dizer
Adeus
Pálida estavas
No meu pensamento
Mas ver-te fria
Mãe-menina
Faz-me sentir
O vento eléctrico
Dum deserto
Na alma
Fui
Num K.L.M
Colados os olhos
Nas nódoas brancas
Do espaço
Cheguei
As pessoas
Nas pedras dispersas
Encosto-me
Ao ar que me circunda
A Paula soluça
No centro da terra
Ainda fresca
Que cobre a minha irmã
Uma a uma as rosas que comprámos
à pressa
caem aos seus pés
Quero estender-me
Nesse leito de morte
Senti-la
Acariciá-la
Aquecê-la
Mas não consigo
Transpor
A barrreira Aérea
Que nos separa
E aqui me fico
Fria


Tristeza com Orquídias

Gostava de matar o sorriso que me envias
E rasgar as palavras que me dizes
Mandar-te ao diabo
E aceitar o convite que um outro me propõe
Gostava de mais não sentir
A tua ausência
Presente como um castigo
E acumular no vasto espaço que dedico à memória
Imagens que não são tuas
Gostava de passear na minha alma sem cicatrizes
E respirar o ar frio duma manhã formidável
Após uma noite calma
Gostava de te ouvir como uma linda cancão
ligeira e agradável
Que me causa agora fastio
Gostava de pensar que foste
E já não és
E não mais sentir em bolsos inventados
As minhas trémulas mãos
E o gosto amargo da tristeza
Oferta tua preferida
Acompanhada de maravilhosas orquídias


Come da refeição...

Come da refeição
que eu preparei
cansada
depois de um dia de trabalho
mas não me digas a delícia
que era
Passeia-te
no chão que eu varri
juntamente com as ideias
minhas
Suja os cinzeiros
que o instinto já limpa
enquanto que a preguiça
refastelada ao teu lado
te adula
me provoca insolente
a minha passividade
Ouve da música
que instalo
no ar aprisionado
da casa
em Inverno que gela
as notas fugitivas
Mas não me digas
nada
e sobretudo
não me aumentes
o som
que me atormenta os ouvidos
vazios
Deita-te tardio
nos algodões brancos
que preparei,
já a pensar no sonho
Come regalado
dos meus lábios
avermelhados de febre
que não se debatem
Mas não me interrompas
o silêncio
Saboreia do meu corpo
estendido
Pisa do teu peito forte
o meu frágil
Que não te envia
portanto
o ritmado tambor
que abafo
Intoxica com o teu hálito
forte e acigarrado
o meu respirar
asfixiado
Ejacula-te
aonde quiseres
mas não me perguntes
se tive orgasmos
que eu entretanto vou espreitando
pelas brechas da azáfama
o sol que esqueço
que eu entretanto
vou espreitando
pelas frinchas do meu mover eterno
a neve que cai
agora enquanto
escrevo


Peggy's cove

As vagas explodem
no granito viajante,
que um tempo distante
trouxe,
numa nave de gelo.
A pedra cinzenta,
recebe impassível,
a bofetada do vento.
Frio, faz frio.
E na neblima
ela não encontra Norte.
Confundem-se os elementos.
No cinzento espesso.
A rocha,
cemitério de beijos
domina,
e ela solitária,
troca prendas.
O mar, recebe
o vermelho duma rosa.
Amor eterno.
Uma ferida.
E ela
uma pedra preciosa.
Que roubou a Peggy's Cove.
Uma lágrima repousa
nos lábios trémulos,
para se despenhar
na pedra beijada
pela alma amada,
que ali, tão longe dela,
encontrou pouso.
Peggy's Cove


Para não esquecer que ainda penso

São 2horas a.m.
Horas da minha insónia.
Horas da sua boémia.
Eu afundo-me no divórcio.
Ele emerge.
Eu enraizo-me nos meus filhos.
Ele foge.
Eu afundo a minha dor
Com lágrimas.
Ele com alcóol.
Hoje choro.
Por não ter conseguido
Manter
A familia unida
Ele goza da liberdade
Que nunca
Lhe foi vedada
Os meus filhos dormem.
Parecem sossegados.
Porque me sentem.
Faz frio. Lá fora.
E na minha alma.
Frio que sei passageiro.
Porque mereço,
que um sopro suave
me derreta este gelo.
Faz frio.
A neve, flor nascente,
brilha sob a lua.
Fosforecente.
Cnn, repete sem cessar,
os acontecimentos.
O terramoto na califórnia,
Clinton e as reformas
E eu falo de mim.
Por momentos
Para não esquecer
que ainda penso


Quem és?

Quem és
tu que envias estrelas
num sorriso
e manda sóis lá
aonde faz frio?
quem és
tu que ouves
escutas
analisas
e imaginas
o que está atrás
das cortinas
do pensamento?
quem és
tu?


Des palmiers en feu

La monotonie brûlante
me fait voir des mirages,
des étoiles qui tombent
sur des palmiers en feu.
Le prince d'Afrique,
En sandales rouges,
blessé dans son chateau,
brillants ses cheveux d'or
me fait vertige.
La mort bleu et froide
Domine avec passion
Son lit riche
Et coupe en tranches
Les rêves blancs
De son enfance.


A chave

Dei-te a chave
E deixo-te devagarinho
Entrares no meu mundo
De vez em quando
Páras pensativo
Em frente a uma estátua de gelo
Ou um óleo em fogo
E depois sorris
Quando reparas
que os pequenos nadas
e são muito os nadas
ocupam o lugar de honra
do meu palácio que reinvento
Olho-te pensativa
quando na brancura fria
apercebes sombras em movimento
E cores e sonhos
E espaços que encho de vida.
E sorrio,
Quando do meu mundo
transparente, te vejo chegar
ao meu palácio de gelo.


Je m'aproche d'une étoile diaphane

Je m'aproche d'une étoile diaphane
Autour des oiseaux volent en libertée
Le ciel en bleu se regarde
dans l'océan
Un bateau, dors
sous un soleil électric
et le marin crie
en désespoir
sa siréne disparue
Je m'éloigne de la mer,
du bateau, du marin,
du désespoir,
de la dolce vita avec son désphote,
du dard,
Je déflore ma vie
et je laisse les pétales
s'envoler
entremélées avec les oiseaux.
Et je t'ai rencontré


Me réveiller avec ton regard

Me réveiller avec ton regard
Et ne plus sentir les atteintes
qui refroidissent de peur mes os
m'arrêter avec le temps
et plonger dans les profondeurs
du vertige qui m'attire comme un iman
vers toi
m'isoler du monde qui m'ennuye
et eriger des cathédrales avec toi
Donner la main au destin
qui nous guident en silence
Sans offrir resistance
Sentir le sifflement des flèches
qui me touchent avec tes doigts de soie
Posseder les dons des fées
et tout te faire oublier
Te réveiller avec mon regard...


O meu amor é um anjo

o meu amor é um anjo
que me transporta
a um mundo
de magia e fantasia
e quando ele me sussura
mensagens de ternura
eu, suave loucura
recebo-o
com todo o meu ardor
bebo dos seus lábios silvestres
e ele bebe dos meus
acorda-me do meu sonho
para me entregar os seus
eu falo-lhe da minha lua
e ele semeia estrelas
na minha alma agreste
ah o meu amor é um anjo
que me faz sentir o sabor
do seu corpo
e me transporta
nas suas asas brancas
ao um mundo de alegria.


Um dia estrelas vou apanhar

Um dia estrelas vou apanhar
numa praia dourada
flor do mar beijada
contigo amor vou mergulhar
no teu atlântico
e envolver-te
com o meu cântico
de amor
Ah, um dia vou atravessar
as águas que nos separam
e trapezista vez-me chegar
no teu céu de luar
e vou-te amar
e vou-te fazer sentir
a magia adormecida
e vou-te amar, amar,amar
ah por ti eu vou atravessar
o mar



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