É uma emoção muito fervente, um sentimento a ser destruído e de se arrancar de dentro de mim, ou de qualquer outro ser vivente que o ouse a sentir.
Porém se eu cometo a ousadia de sentir um momento mais do que eu deveria sentir, a emoção afunda-se dentro de mim e então tudo se confunde.
Desde o momento em que eu me entrego, já não se trata mais de um simples sentimento, o fôlego então começa a faltar e assim esses sentimentos se entregam de corpo e alma. A certo ponto, já sentindo demais, o sentimento deixa de ser um simples fato para se tornar uma profunda paixão, que, se
muito descontrolada, vem um tempo depois explodir como esta noite de verão, muito quente, e que de fato o ar não venta. Então essa paixão descontrolada insiste, embora meu universo ainda é muito confuso. Trata-se de um momento dramático, como um grave sentimento de ocupação. Nesse
ponto, por onde anda aquele sentimento simples? Ele se foi quando a Lua se foi. Como eu não soube como segurá-lo, ou eu me entrego à agressividade desta paixão ou recolho-me a escuridão desta minha solidão. O sentimento inicial está flutuando no universo de astros e estrelas dessa noite quente
- até que escuto um grito e, de súbito acordo e vou agradecer a este grito que me desperta e me liberta.
Pela ordem a situação é a seguinte: Eu e uma pessoa sentíamos qualquer coisa, um pelo outro, um simples sentimento.
Eu me agarrei a esse sentimento, então mergulhei dentro. Fui obrigado a segurar isso. Mesmo se eu estivesse de fato contra e engolisse os momentos com o ar quente dessa noite, mesmo assim eu já estaria
comprometido com os meus mais profundos sentimentos. Era como se eu já estivesse sentindo um aperto de fora para dentro a me comprimir. E nesse aperto meus instintos fixaram-se nessa paixão e com a certeza que todos esses sentimentos vêm completamente de súbito.
Eu comecei - sem nenhuma intenção de ir muito fundo, e, quando acordei já estava vivendo isso intensamente. Era como se o destino estivesse atrás de mim insistindo. Onde esse destino fervente quer me levar? A uma nova paixão?!
A luta para não viver mais intensamente levou-me, para certa confusão, uma espécie de mistura de sentimentos e emoções, tentando balancear o que era significante e o que não era. Isso eu fazia a meu
modo: com muita experiência, jeito e com sentimentos. Eu me segurava. Numa dependência por mim descoberta, talvez um pouco tarde, eu por meu lado tentava loucamente descobrir o essencial e o o que não era, pois estava perdido dentro de mim mesmo, porém todo o esforço era vago e difícil, e as
lágrimas escapavam-se constantemente. Pensando na noite passada eu tive a estranha sensação de pegar-me de qualquer maneira falando sobre essa minha paixão, sentindo-me na escuridão - a emoção de estar vivendo essa paixão me assustava. Porém já era dia, eu não tinha dormido um pouquinho que
seja, e já era dia.
Tudo era uma situação que me deixava perdido. Quer dizer, algo que eu poderia narrar para mim mesmo, dentro de minha própria emoção, que se encontrava lacrada dentro de mim. E dentro do meu quarto, eu sem dormir ficava sempre de olhos abertos. As pessoas precisam tanto falar de suas próprias paixões, porém quando tinham não tinham o que falar, eram mudas.
Com um movimento súbito, eu me levantava da cama, pois já era dia. Tentava fazer um balanço de minha vida, nesse balanço os sentimentos insistiam em cravar intensamente dentro de mim, eu descontrolado com tudo que me esperava através do dia. Meus pensamentos se colidiam dentro do meu cérebro. Era uma situação que chegava a ser intensa.
Tudo acontecia. Por dentro eu fervia. Na verdade tudo estava parado, porque não movimentava, não criava e não passava para o ar e para mim o vício obrigatório da questão do dever a cumprir. Eu nunca esqueceria de cumprir meus deveres. Misturava-se em meus pensamentos uma análise confusa de que sou uma pessoa entre bilhões em todo mundo. Não sei se sou igual a todos, só sei que sou ser humano. Pertenço a esse universo. O meu papel eu cumpro, com certo sentimento e emoção. Sou pessoa desconhecida dessa multidão.
Acredito que tudo começou com o passar do tempo, no entanto, agora se tornou constante. Às vezes sufocante. Eu abri a casa porque fazia muito calor. Parece que eu vivo todo esse tédio, como se estivesse sem comunicação. O meu medo fazia parte de uma trajetória de sentimentos vividos. Finalmente como tudo não era era de se compreender, e se encontrava superior a mim, se fosse escrito no papel eu não entenderia - tudo isso lacrado é como silêncio dentro de uma multidão de vozes, e a
garganta seca mendiga sequiosa um pouco d'água. É uma vida sofrida que nunca quis.
Vida sofrida, porém não terminada. Na verdade é uma vida de buscas e sonhos. Quando falam de mim, falam que sou excêntrico, dizem que escrevo demasiado, de uma forma ou de outra dizem: "Ah, esse leva a vida escrevendo." Dizem porque não me conhecem, e não sabem que levo uma vida também de luta, junto com as palavras. Não é verdade que vivo só de sentimentos e poesias. Mas também de realidade. Embora em alguns momentos eu mergulho dentro dessa realidade. Tudo penetra fundo onde ninguém pode alcançar.
Quando volto do trabalho, essa realidade toca com mais freqüência, pois sinto a vida dura, vejo como as faces do nosso povo são duras e sofridas, trem lotado, olhares cansados. Nesses momentos a realidade sempre pinta, e lembra aquele sentimento simples que se tornou complicado. Nesse trajeto de volta do trabalho a realidade emerge, o futuro parece tão distante e até impossível. É impressionante como a
realidade me toca os sentimentos, os preços, a inflação, a cultura e até mesmo o respeito pelos outros e o respeito por mim mesmo. Dentro do trem eu medito e olho todo este povo e digo em meu pensamento: "Esse é um exército humano contra mim." Não sabem o que eu penso, no fundo são boa gente, e, também pensam.
Eu não tinha nada que pensar. Eu pensava no erro grave do sentimento que, tantas vezes, me abre e fecha portas. Eu me torno submisso, obediente por amor à simetria dos simples sentimentos, que
acabam se transformando em fortes paixões. Chego à conclusão de que, sem sentimentos não se pode viver - é um trilho a seguir, por vários cantos do mundo se chega a mesma conclusão. Por outro lado continua minha fantasia, e então chego a minha própria conclusão e com isto as idéias se transformam em um mar de sentimentos, e então minha outra parte mergulha fundo. Para mim os sentimentos são simbólicos, como poeta e espiritualista eu gosto de viver muitas paixões, pois essas dão-me muitas inspirações e me deixam crescer espiritualmente. Parece um absurdo, mas é assim que penso. Por ser sempre aberto à paixão, essa é para mim como um vício incontrolável.
Meu mundo masculino precisa viver sentimentos, agarrar paixões e viver de procuras, porque o sacrifício do sentimento, do amor e da paixão é que me dão inspiração e conforto espiritual. É um mal necessário, que eu preciso viver. Quanto a esses sentimentos e paixões, quando se acabam, eu mergulho fundo em busca de outros que se tornarão ainda mais complicados.
Desesperadamente sentimentos e conseqüentemente paixões me rodeiam, eu busco esses sentimentos e paixões, como alguém que busca um novo dia, que o envolverá de luz e de novas emoções.