O "Verão quente de 2 000" parece estar para durar. As críticas ao Governo "rosa" sobem de tom e anuncia-se, agora, uma moção de censura.
Moção que está, desde já, fadada ao insucesso e é capaz de servir apenas para ensaiar a eventual rejeição do Orçamento de Estado para 2 001, que o Governo prepara, afanosamente, agora sem a ajuda do secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, que acaba de se demitir.
Um ensaio que comporta vários riscos, como é evidente. Riscos que vão machucar os socialistas que governam e os social-democratas que engendraram a moção, decerto, para se imporem às tropas da oposição e não ficarem atrás do PP que há pouco mais de dois meses fez idêntica moção que teve... idêntico (in)sucesso.
De facto, tudo parece indicar que o Orçamento vai surgir na continuidade da política actual. E a moção de censura mais não faz do
que chamar a atenção para a necessidade que todos os partidos têm em assumir as suas próprias responsabilidades. Dizia o político
"europeísta" Pacheco Pereira que o Governo tem de perceber que não pode continuar a vergonha que é a política de segurança e a verdadeira ausência de alguns ministérios que ganham dinheiro dos portugueses sem qualquer validade. Como é o caso do da Igualdade, como sublinha.
Sendo assim, começa a ser menos do que nada a apresentação da moção. Para ensaiar o que será feito quanto ao O.E.? É pouco. O
Governo, de facto, parece não governar e quando o tenta fazer, fá-lo mal, mais parecendo interessado em evitar que se façam reformas. O que chega a parecer que os tons "rosa" de que salpicam algumas das propaladas intenções não são mais do que um esquema para fazer com que a máquina ande... sem andar.
Toda a gente, de facto, espera o Orçamento. Entende-se assim que o PSD e o CDS se tenham unido nas críticas ao PS, como se compreende que o PCP insista, por agora, que a moção de censura é polìticamente insustentável, já que se insere - como os comunistas dizem - numa luta de galos do poleiro da direita portuguesa.
O PP entende, cada vez mais, como o fizera há cerca de dois meses, que não há reajustamento que valha a este governo. Até porque, na óptica de Paulo Portas, não há ninguém com capacidade que se disponha "a entrar numa nau à deriva com naufrágio anunciado". O naufrágio é capaz de ser o da queda do Orçamento de Estado e pouco terá a ver com a moção de censura. Há, entretanto, quem sublinhe, como o fez o líder parlamentar social democrata António Capucho que só alguns socialistas
não vêem a crise, já que há ministros que estão, mesmo pùblicamente, a pedir uma remodelação governamental.
A "marcação de campos à direitaŠ é, na óptica do líder parlamentar socialista, Francisco Assis, a razão de ser desta moção, que não vai a lado algum.
Enfim, um Governo que não governa e uma oposição que não se entende. O Povo português lá sabe por que fez a habilidade de dividir os votos tão ao meio. Metade para o Governo. Metade para a Oposição. É que nem uns nem outros mereciam, de facto, a maioria. Como se comprova todos os dias. À saciedade.
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