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Fernando Cruz Gomes




Ventos calmos nos Açores


Os Açores. De momento, espera-se o veredicto do Povo. 15 de Outubro pode ser a data da viragem. Como poderá ser, também, a altura da manutenção de um "status quo" que tem amigos e detractores. A pouco mais de 30 dias das eleições, e se tivermos em linha de conta apenas as sondagens à opinião pública, Carlos César, actual presidente do Governo Regional, apenas poderá ter dúvidas quanto à forma de maioria que vai obter. Simples ou absoluta. Porque, de facto, pelos vistos, o seu Partido vai ser mais votado. Se ele até já atira ao eleitorado com a ideia de que aceita que o seu Governo de 4 anos... seja confrontado, em matéria de realizações, com os 20 anos do PSD!

A única dúvida - a jeito de nuvem a pairar sobre as ilhas - é saber se a situação política nacional não estará, nos Açores, também em jogo. Para já, e sem que o tema seja levado à conta de reflexo do que se passa lá para as bandas do continente, discute-se o facto de Cabral Vieira, um economista de destaque, ter entregue o cartão de militante do PSD, uma semana antes de ser dado como certo na lista de candidatos PS à Assembleia Regional. É como que uma incursão do partido no Governo ao sector oposicionista. Tanto mais grave quanto é certo que o líder social-democrata estava a estudar a hipótese de o chamar às fileiras de candidatos a deputados.

Ainda em maré de conjecturas, há quem se interrogue sobre o "peso" que o Bloco de Esquerda pode ter nestas eleições. Soprado de Lisboa, por ventos de sinal pouco evidente, o BE teve, nas últimas eleições para a Assembleia da República qualquer coisa como 2 por cento, o que, se tivermos em linha de conta a exposição que teve no Continente, lhe poderá dar um deputado pela zona de S. Miguel. Uma surpresa... com sabor amargo, quer para socialistas, quer para social-democratas.

Na oposição, de resto, a tarefa mais ingrata é capaz de estar reservada a Manuel Arruda, o líder do PSD, que não conseguiu ultrapassar dificuldades e fez uma escolha de candidatos a deputados regionais que não parece ter agradado a ninguém. Se não conseguir fazer melhor do que as sondagens dizem, bem pode fazer as malas da direcção do Partido, ou deixar armas e bagagens para Vítor Cruz, o actual líder parlamentar social-democrata, que parece ter sido o único do "aparelho" anterior a manter e a reforçar o seu prestígio quando da escolha das listas social-democratas.

Três partidos, duas coligações e um movimento político estão na chamada pré-campanha eleitoral. A 15 de Outubro, o povo vai falar. Se exceptuarmos a CDU, que não concorre pelo Corvo, todos concorrem a todos os círculos. PS, PSD, PP, Bloco de Esquerda e a Convergência Democrática Açoriana (CDA) - uma coligação constituída pelo PDA, PPM e PDC - concorrem aos nove círculos eleitorais.

Há, nas ilhas, cerca de 190 mil eleitores, para eleger 52 novos deputados. São Miguel elege 19 parlamentares, a Terceira 10, São Jorge, Pico e Faial 4 cada, Santa Maria, Graciosa e Flores 3 cada uma e o Corvo 2.

Os ventos que sopram das ilhas não parecem augurar nada de novo. Bem ao contrário, a situação político-partidária vai manter-se. E os açorianos vão, de facto, ter de escolher entre os socialistas que estão no Poder há quatro anos e os social-democratas que estiveram no Poder quase vinte...


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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