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Fernando Cruz Gomes




Uma Pátria madrasta com palavras ternurentas de mãe...


É uma felicidade completa. Agora até o Presidente da República apela à participação cívica dos chamados emigrantes. Já não nos bastava o inefável Governo que vamos tendo, com alguns ministros e uns quantos secretários de Estado a dizerem que exconjuram os males que afectam... a tal emigração. Sobretudo a que transborda para fora da Europa. Agora é também Jorge Sampaio. Na Madeira, há dias, o chamado supremo magistrado da Nação apelou a todos para que tenham uma participação cívica activa nos países de acolhimento. Mais do que isso, disse a todos ser preciso "transformar a sua presença numa força positiva democrática que influencie aquelas comunidades".

Ora toma lá! Assim mesmo é que é. Pedem-nos a toda a hora que nos integremos nos países de acolhimento e que nos transformemos em "bandeiras activas" do velhinho Portugal. Com a saudade como bandeira e... motivo. Jorge Sampaio também. Segundo ele, é "indispensável" que os emigrantes se tornem em algo mais do que agentes económicos, insistindo em que "não podemos permitir que nos olhem só como pessoas simpáticas, que trabalham bem, têm excelentes valores familiares, mas que vivem isolados".

Noves fora... nada! É que ninguém nos dá meios para, de facto, sermos as tais "bandeiras de Portugal". E quanto à integração, o serôdio apelo cheira mais a quem quer que lhe "desamparem a loja". Que sejam portugueses, sim, mas longe. Que chorem a saudade fora das fronteiras. E - suprema ironia, para quem nada faz nesse sentido - que preservemos a Língua e a Cultura Portuguesas!

Muito obrigado. Registamos. Entendemos cada vez mais que a Pátria, sobretudo nas mãos de quem vai estando... quer, sobretudo, que fiquemos todos onde estamos. Que mandemos uns quantos milhares de dólares ou de marcos, de bolivares ou de randes. Que sirvamos de "promotores de turismo" e coisas do género aos nossos vizinhos e amigos. Que a "bandeira" que levantamos seja sempre Portuguesa. Que vamos aos nossos bolsos - alguns fracos de morrer - e que tiremos mais uns cobres para pagar a quem nos ensine os filhos a preservar o Português.

Uma Pátria (às vezes) madrasta... com palavras ternurentas de mãe!


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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