Com desamor. Mesmo com uma pontinha de qualquer coisa parecida com ódio. Aqui e além, pelo menos, a ideia de que uma certa
nomenclatura de notáveis que estiveram no Governo não tinha nada que os ligasse entre si, a não ser, evidentemente, a defesa do chamado "tacho". Por isso, as críticas e os amuos. Que começam a vir de muitos lados e a dar a dimensão de que António Guterres se terá de cuidar.
"Se alguns políticos portugueses, cuja função de o ser não fosse apenas a entrada num clube político, que é o partido, com o objectivo de obter protecção e projecção para os seus cargos políticos, mas sim se fosse o real interesse e trabalho para o correcto desenvolvimento do País, este Portugal estaria muito melhor e éramos todos muito mais amigos". A frase é de Manuel Maria Carrilho. Representa, afinal, uma forma de estar na política. Sintetiza, no fundo, o que muitos dizem pelos corredores e ele teve a ousadia - a que nem chamamos coragem - de chamar a primeiro plano, quando adregou de começar a escrever para o "Diário de Notícias".
Para muitos, não parece haver políticos - ou muitos políticos, se quiserem... - que tenham capacidade que vá para além da exploração dos sentimentos das pessoas... para lhes mendigar o voto.
Triste... mas real!
Da oposição, já nós esperávamos os remoques. Dos (até aqui) parceiros do Governo, não. Portugal - Governo e Oposição - tem de
encontrar uma saída para um problema que parece começar a afectar a todos. É que chegamos a pensar que só temos políticos quando faz sol. Quando chove... é vê-los a fugir. Como ratos. Abandonando o barco e dizendo, afinal, que ele vai sem rumo. Entende-se, assim, possìvelmente, o atraso de Portugal em relação à Europa em geral.
É que o mal estar e a desccordenação parece estar a bater até à porta da liderança socialista. Há demasiados rumores e o "homem do leme" vai fazendo que anda sem andar. E se é verdade que Guterres ainda tem o suficiente espaço de manobra para clarificar muito as coisas, não é menos verdade que o tempo está a correr contra ele.
João Cravinho, por um lado, Mário Soares, por outro, para não falarmos de uma tendência que tem mais a ver com Soares (filho),
parecem ter dado o mote para se entender que a luta política interna começa a aquecer no PS. Há que travar os jogos e ninguém consegue vislumbrar as medidas que Guterres terá de tomar para travar, até, certas ambições de sucessão.
É por isso que há quem fale na hipótese de levar a cabo um Congresso extraordinário para clarificar situações e para dar novo
fôlego ao próprio líder socialista. A situação interna do PS já começa a ser considerada, em determinados meandros, como explosiva. Soaristas e sampaístas vão acentuando clivagens que até aqui ninguém julgaria possível.
Será que Guterres vai ainda a tempo de levantar o moral das tropas?
Na oposição, não houve grandes lutas. Bem ao contrário, é fraca de morrer. Só que ser Governo e Oposição é capaz de ser demais para o PS de Guterres. E este tem de acordar para a realidade. Até porque Portugal já espera, há muito, que a clarificação apareça.
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