Greve, pois claro. Greve pura e simples. E uma greve que surge em época algo conturbada. Por muitos e bons motivos, surge "fora do tempo". Diga-se que já deveria ter sido levada a cabo. E mesmo que nem sequer se saiba se a convocatória da greve dos funcionários consulares e das missões diplomáticas é mesmo para ir em frente. É bem possível que sim, já que há razões mais do que suficientes para isso.. Só que o Sindicato dos Trabalhadores Consulares e Missões Diplomáticas... nem sempre leva avante as ideias que traça. Adiante e vamos aceitar como boas as datas de 2 e 3 de Novembro, para a greve dos trabalhadores consulares, cansados de esperar a aplicação do respectivo estatuto profissional.
Bem... a greve vai afectar, e grandemente, muitos dos utentes dos Consulados. Passaportes? Procurações? Bilhetes de identidade? Espere. Espere, pelo menos, dois dias. Eles, os funcionários consulares, estão também há cerca de um ano à espera da aplicação do diploma relativo ao seu estatuto profissional. Assim, e através do seu sindicato, já entregaram um pré-aviso de greve ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. E o pior é que o tal estatuto deveria entrar em vigor até 1 de Abril (o tal dia das mentiras...)
Durante muito tempo, estes trabalhadores eram tudo menos funcionários. Eram assim a modos que uma "mulher a dias" ou um "homem à jorna". O Governo, depois de muitas lutas e de... desculpas, lá pôs, preto no branco, a lei que faz que o pessoal consular... entre na senda dos funcionários públicos. Seja igual, em suma, a todos os seus colegas...
Pois... mas da lei até à sua implementação... vai um "salto" que ainda ninguém teve a coragem de dar. Um salto que está, naturalemnte, a prejudicar muita gente. E que, nesta e noutras situações de greve, vai prejudicar o próprio utente. Perigoso, até, se tivermos em atenção que o recenseamento está agora a ser ultimado, tendo em atenção, as próximas eleições presidenciais, que são as primeiras em que o chamado emigrante pode votar.
Nem sequer sabemos se a greve de 2 e 3 de Novembro tem em vista outras "razões". É que o pessoal das embaixadas queixa-se ainda de receber muitas vezes tarde e a más horas os seus salários. Ainda no mês de Outubro assim aconteceu. E vai acontecer mais vezes, a avaliar pelo que nos dizem.
Uma outra notícia diz que há missões diplomáticas e postos consulares que estão sem dinheiro para satisfazer muitas das suas
obrigações, tais como a água e a luz. Isto parece ser um sinal evidente - como dizia Carlos Albino, no DN - de que a crise financeira
está instalada nas Necessidades cuja direcção-geral de Administração parece revelar-se impotente para administrar a conflitualidade latente com a poderosa 6.ª Repartição do Ministério das Finanças. Como se uma fosse superiormente orientada pelo sr. Guterres e a outra... por um qualquer Zé da esquina. Não há dúvida que há algo a fazer.
Jaime Gama e Pina Moura têm, forçosamente, de se encontrar. Têm de dialogar. Têm de enfrentar um "touro desembolado" que está a entrar, matreiro, por tudo o que é buraco, no estrangeiro, onde os trabalhadores consulares, com muita razão, vão entrar em greve, a 2 e 3 de Novembro.
Se os dois ministros se não entenderem... aí temos nós a obrigação de pedir a António Guterres... para intervir. A menos que queiramos que, a seguir a esta greve... outra se siga.
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