A terceira guerra civil de Angola continua a dar que falar. São mais que muitas as notícias que as agências internacionais despejam por sobre as bancas dos Jornais e daqueles que, ainda hoje, têm o... feio hábito de pensar em causas e efeitos. E dia após dia, como que à compita, a informação partidária de um e outro dos lados tenta "fazer valer o seu direito", chamando muitas vezes a terreiro casos e factos que se nos afiguram pelo menos pouco fiáveis, mas que querem enaltecer... talvez para que se "transformem em verdades..." Como acontece, de resto, em todas as guerras que metem dois casmurros, como o nosso povo chama a quem não é capaz de recuar... em situações de extrema gravidade.
Os que se interrogam sobre o porquê desta fase de uma guerra que já tem anos a mais... parecem começar a perceber que o objectivo da UNITA é tornar Angola totalmente ingovernável, criando o caos nas maiores cidades angolanas, designadamente na sua capital. Abdul Cadre, que de longe vê e
sofre o problema, dizia-nos, há dias que a Luanda chegaram, recentemente, uns 100 refugiados que ficaram sem socorro de qualquer espécie e, não fora uma organização humanitária holandesa, teriam perecido à míngua de recursos de qualquer espécie.
Claro que este é apenas um caso. A esmagadora maioria nem sequer vem às páginas dos Jornais. Por aqueles refugiados o MPLA, que controla Luanda, nada fez nem tem intenções de fazer. Porque, de facto, o desprezo que o Futungo de Belas nutre pelo povo só terá comparação com a indiferença que os dirigentes da UNITA têm para com o mesmo povo.
Nas últimas horas chegava, entretanto, a notícia de que a chamada UNITA renovada, cujos prosélitos estão a alinhar com o MPLA, expulsaram das fileiras parlamentares do movimento o deputado Abel Chivukuvu (da UNITA de Savimbi). E acusam-no - imaginem - de falta de disciplina partidária, só porque, eleito pelos seus pares como chefe da bancada, aquele homem de confiança de certos meandros políticos americanos, não alinhava com o aventureirismo do Jorge Valentim e seus sequazes, embora
criticasse também o sistema militarista de Savimbi.
Surrealista, ou quase, é a indicação de que o actual governo de Angola vai cair por todo o mês de Janeiro, sabendo-se, no entanto, que os representantes da UNITA no chamada Governo de unidade nacional vão manter-se nos lugares.
A Serra Leoa fica entre a Guiné Conacry e a Libéria, tendo como matéria prima mais importante o diamante. Pois... está a ferro e fogo.
Para Abdul Cadre, é preciso que todos se interroguem. Até porque, notícias de Cabo Delgado acentuam que a exploração de petróleo em Moçambique vai ser uma realidade. Talvez infelizmente para o povo
moçambicano. A tragédia do povo angolano é ter nascido em território rico em diamantes e... em petróleo.
Não beneficiou nada com isso. Antes, pelo contrário...
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