Cada país tem os campelos que merece. E Portugal tem o seu. A dar a entender, afinal, que a Política é a ciência do possível e a
mostrar-nos como na actualidade ainda há Maquiavel, perpetuado através dos muitos seguidores que deixou. Alguns, na sua ânsia de se poem em bicos de pés... nem aos ditos lhe chegam.
O sr. Campelo acaba agora mesmo de dar mostras de que algo vai mal no reino do faz de conta em que estamos mergulhados. Com malabarismos mil e peripécias de quanto baste fez passar o Orçamento Geral do Estado, à revelia da instituição política que o fez nascer para a notoriedade. E fê-lo passar com um golpe de asa, medíocre na temática e na essência, fazendo valer a sua "abstenção" como se de um grupo parlamentar se tratasse. Só que fê-lo a troco de benesses para a sua região... e talvez algumas para si próprio.
A sua atitude é desculpável no tal reino do faz de conta. A atitude do sr. Guterres é que nos parece mais condenável. Sobretudo porque, conhecendo como conhece os meandros da Política - e até da Democracia - sabe bem que é contra natura este voto.
Entendamo-nos. Compreende-se, às vezes, que a Democracia é algo difícil de cumprir. Para muitos deputados será difícil engolir os sapos vivos que às vezes têm de engolir para dizer, no Parlamento, o contrário do que disseram, quando foram eleitos, pela população que representam. No Canadá, há o exemplo de um deputado que, defendendo durante a campanha, exactamente como o seu chefe, a "morte" de um determinado imposto - o GST - teve depois, por coerência ou não, de abandonar o partido e transformar-se em deputado independente... É que ele quis mesmo levar à letra o que disse na campanha. O seu chefe,
para mais primeiro ministro, não.
A Democracia é, de facto, difícil. Como dizia Winston Churchill, "é uma porcaria que vai de mal a pior..." Vale a pena acrescentar e fazer nossa a sua asserção de sequência à anterior: "quando encontrar melhor... mudo".
O sr. Campelo - o Campelo da nossa angústia - não quis mudar. E mesmo no Parlamento, feito por Partidos e para Partidos, achou que deveria agir por si. Tentou, talvez, levar para casa, para a sua região, umas quantas benesses. E vendeu o seu voto, a troco do prato de lentilhas, cujos contornos ainda são imprecisos. Deu mais uma machadada nas estruturas políticas. Imaginem o que seria aquela Assembleia da República se, de repente, houvesse meia dúzia de deputados... a seguir-lhe o exemplo.
O País ficaria, assim, ingovernável. Pois... mas se ele começa mesmo a estar ingovernável, face aos muitos campelos que enxameiam os corredores daquele areópago nacional que deveria ser o espelho da "decência" democrática de uma Nação!
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