Artigos de Opinião Portugal Em Linha

Fernando Cruz Gomes




Partidos a mais e política a menos


A Política e os que a fazem. Em meandros que o comum dos mortais nem sempre entende e cujos contornos, se é que os tem, perdem fulgor quando se trata de procura de "tachos" ou de "gamelas". E, no entanto, o ser humano precisa, pelo menos por agora, da Política e dos seus fautores. E precisa porque, hoje, a tal "Dona Democracia" exige que se faça Política, que haja Partidos.

Talvez por isso, Portugal tem Partidos a mais e Política a menos. E as siglas das formações partidárias nada parecem representar, a não ser para dividir o eleitorado e assinalar divergências entre eles.

De momento, o "bombo da festa", por muitos e bons motivos - o principal dos quais a ter a ver com o facto de liderar a Presidência da República, o Governo e a Assembleia da República - é o Partido dito socialista. Sem ofensa, o PS é apenas socialista de nome, sendo quando muito um Partido Social Democrata, que na prática de hoje é capaz de estar mais à direita do que o partido de Durão Barroso. E que, de momento, parece ter três facções convenientemente... casadas, como dizia, há dias, Abdul Cadre. As facções? A Trilateral, a Opus Dei e a Maçonaria.

A Santa Madre Igreja, sobretudo os seus sectores menos adeptos da Opus Dei, começam agora a esquecer o apoio que num ontem ainda próximo davam a Guterres. Começam a tirar-lhe o tapete em suma. O primeiro-ministro é, afinal, um bom rapaz, mas a enfermar do mal que, na Europa Ocidental, sempre norteou os que se dizem socialistas. Faz que anda... mas não anda. Quer agradar a todos e, sobretudo, aos que se entretêm com os muitos lobbies que há no país. Não consegue agradar a ninguém. Vai ter tempo para isso... mas não o vai conseguir.

De facto, o PS é Governo e vai continuar a sê-lo. Não por ser bom ou por merecer continuar. Mas por que os mais próximos candidatos... são ainda piores. O que explica muita coisa.

Vão ver, assim, que Jorge Sampaio - no mesmo combóio - tem a sua reeleição altamente facilitada. Mesmo o desejo de muitos que o queriam pelo menos numa segunda volta não parece ter pernas para andar. Talvez porque ele fez de conta que não existia - a jeito de um árbitro que é tanto melhor quanto menos for visto - e que ia gerindo as crises dos outros. Mas talvez, também, por que os outros candidatos são fracos de morrer. Não dão luta.

O Partido Socialista, pela via do presidente Sampaio e pela via do beato primeiro-ministro Guterres, vai manter-se por muitos e bons anos.

O engano é possível... mas com uma margem muita reduzida.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

Após a leitura deste artigo, pode enviar a sua opinião/comentário/pergunta para o autor. Fernando Cruz Gomes tentará, dentro da sua disponibilidade, responder às questões colocadas.
Participe! Envie a sua opinião/questão. Será aqui publicada.


Voltar à página de artigos | Voltar à página principal | Notas biográficas

PortugalEmLinha Logo
E-mail: info@portugal-linha.pt
Envie-nos o seu comentário para admin@portugal-linha.pt