Angola a caminho da esperança? Volta a reacender-se a chama
Gostávamos de acreditar. Gostávamos de voltar, um dia, a uma Angola pacificada. Gostávamos, designadamente, que os filhos dos nossos filhos, que lá nasceram, pudessem voltar à sua terra, sem receio. Gostávamos que as crianças do país pudessem crescer livres e felizes, tão fortes como os recursos existentes no solo e sub-solo daquele país portentoso.
Dizem-nos que voltou a reacender-se a chama da paz. O bispo de Uíge - cuja entronização acompanhámos há mais de 30 anos - disse agora acreditar na boa vontade de Savimbi e nos esforços governamentais. É apenas uma mensagem de esperança. Eivada, mesmo assim, aqui e além, de uma temática que faz entender que o "mau" é mesmo o líder da UNITA. De raspão aborda as incongruências do Futungo, branqueando-lhe as diatribes e passando uma esponja por sobre a gritante corrupção que faz parte do dia a dia do governo.
De qualquer modo, é preciso acreditar em algo. E aquele prelado, e com ele muita gente, acredita que os problemas nos países pobres têm raiz nos chamados países desenvolvidos. Angola não foge à regra.
Quanto mais nos embrenhamos nos meandros da guerra, mais chegamos à conclusão de que em Angola vivem e morrem os braços e as pernas dos que a fazem. A cabeça (e os bolsos, se quiserem) estão, porém, em Paris e Washington, em Lisboa e em Moscovo. Os que sofrem vivem por lá, paredes meias com a guerra fratricida de todos os dias e com a visão nítida dos dirigentes a engordar até mais não poderem.
Nesse aspecto, como em muitos outros, Savimbi não é, de forma alguma, o pior. E as pessoas sabem-no. Para haver Paz, Democracia e Desenvolvimento em Angola, importa saber quem é quem. Na busca da Paz, importa saber que se Angola não tivesse petróleo a guerra não reaparecia. E não só petróleo, claro. Em Cabinda - que é tão Angola como o gato é cão - há, sobretudo, para além do ouro negro, as chamadas madeiras preciosas. Que estiveram na origem do recente rapto dos portugueses, que trabalhavam naquela zona. E os diamantes nas Lundas. Para falar apenas em alguns produtos, que estão, directa ou indirectamente, na origem da guerra. Da guerra, não. Das três guerras...
Como alguém dizia, não há muito, os angolanos estão a suportar três guerras. A primeira é a guerra militar, imposta por um regime mais do que corrupto que entendeu poder destruir um partido político, com apoio internacional. A segunda é, afinal, a que mergulha raízes na economia. Que pretende, afinal, justificar a exploração violenta dos petróleos angolanos, para esconder que exploram mais dos que os anunciados 800 000 barris de petróleo por dia, sob os quais nem pagam impostos aos Angolanos e para explorar, também de forma violenta, os 4.3 milhões de carats/2000, em diamantes Angolanos, monopolizados pelo lobby russo israelita do sr Lev Leviev.
A terceira é a guerra da propaganda. Que acaba por ter "força" e raízes" nas outras três. Uma guerra que se movimenta subreptìciamente.
De Lisboa para o Rio e daqui para acolá, sem cuidar de saber "razões" porque prefere entender-se com os que fabricam quantas "razões" quiserem, ainda que à custa de milhares de mortos.
A verdade é que, de toda esta guerra, não há ainda história, por que ninguém a quer contar. Especialmente porque a própria comunidade internacional se amoldou às sanções contra a UNITA. E de tal forma o fez que as notas que chegam de Angola... são todas - mas todas - com a chancela do Governo. Imagens... só as que o Governo deixa passar.
Verdades... só as que o Futungo de Belas considera, ainda que sejam mentiras. .
A propaganda alimenta tudo e todos. É ela que faz com que a guerra continui, porque é dela que suga os milhões de dólares que recebe. Dizem-nos até que reside, hoje, em Portugal a central de propaganda do regime totalitário de Luanda. Mal para Angola e mal para Portugal.
Só que a chama da esperança volta a reacender-se. Mesmo no seio do chamado Governo há gente que não quer perpetuar um regime como aquele que diz ser legítimo governo em Angola. E as conversações para a paz - exigidas, hoje, em vários quadrantes - são disso prova evidente.
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