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Fernando Cruz Gomes




Guerra entre salteadores?


Tanto quanto nos apercebemos, Vital Moreira terçou armas, não há muito, pelo Governo do MPLA, à frente dos destinos de Angola, desde que Portugal de lá saiu. Sabendo-se o que se sabe acerca dos desmandos de toda a ordem que o chamado partido que está no poder tem praticado... não se entende muito bem o apelo. Sobretudo se desse partido Vital Moreira partir para uma quase "obrigação" de Portugal e os Portugueses apoiarem os senhores todo poderosos de Luanda...

De facto, como Miguel Sousa Tavares fazia há dias no jornal "Público", importa perguntar por que é que se há-de tomar partido pelo MPLA e pelo Governo de Luanda? Em nome de quê? Do interesse de Portugal é que não.

Recorde-se que muitos dos elementos da "Grande Família" que (des)governa Angola têm os filhos a estudar em Portugal, têm contas caladas na Suiça e alguns até são capazes de ter escondido, em qualquer gaveta secreta, um passaporte português para o que der e vier. Se são de esquerda ainda o não provaram já que governam no meio de luxo e nos meandros da corrupção, deixando o povo na miséria.

De resto, se se fala nos interesses... a meditação tem de ser outra. É que há dívidas imensas que Angola não paga... e se há negócios eles são com empresas que, com o aval do Estado português, para lá foram fazer como que um frete, à espera de melhores dias. E se há interesses, eles são de meia dúzia de empresas portugueses com capitais dos contribuintes, a "fundo perdido".

Por outro lado, a UNITA é capaz de não ser melhor escolha de apoio. O seu (quase) romântico chefe, Jonas Malheiro Savimbi, terá as mãos tão tintas de sangue como os "meninos bem" que pululam à volta de José Eduardo dos Santos.

Assim sendo, Portugal tem de estar longe da "fogueira". Em todos os domínios. Sem pena do que fez, em tempos de combate ao terrorismo... porque fez muito menos que os militaristas angolanos estão a fazer.
Ter pena do povo? Sem dúvida. Mas... a uma certa distância.

Até porque a terceira guerra civil de Angola, como dizia Miguel Sousa Tavares, é uma guerra pelos diamantes, como as outras foram pelo petróleo e pelos negócios de "import-export". Seria assim uma guerra entre salteadores, entre os saqueadores do povo angolano. Tomar partido em Angola, entre o Governo ou a UNITA, é como escolher entre a Mafia e a Cosa Nostra. Não podemos deixar de concordar com aquele comentarista do "Público".


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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