Mulherzinhas de saguão. Desaguizados servidos ao jantar. As comadres a zangarem-se. António Guterres tem andado num vai-vém sem tréguas a tentar insuflar um pouco mais de coragem na sua máquina rosa, agora, pelos vistos, em derrapagem. E mesmo quando as coisas começam a azedar-se no tocante a um que outro problema familiar... ele lá está, dedo em riste, a apontar caminhos que todos deveriam trilhar.
Perante as notícias que envolveram a sua mulher , o inefável primeiro-ministro de Portugal outra resposta não teve que a de atirar
um "deixem em paz a minha família" e "acabem com a devassa..."
Isto para Marcello Rebelo de Sousa é mau. Cheira a "conversa de comadres". Sim, porque o país precisa é de "política". No seu
entender, a própria Catarina Vaz Pinto defendeu-se bem e não precisaria destes "remendos". Até porque, na óptica do professor, "há
o legítimo direito do público de saber exactamente o que se passou" nesta história da atribuição de subsídios do Estado enquanto Catarina ocupava o lugar de secretária de Estado da Cultura.
Entendamo-nos. O país precisa de saber todos os pormenores de uma eventualmente má atribuição de subsídios. Mas... não precisa desta "política" que lhe é servida ao pequeno almoço, almoço e ao jantar. Não precisa destas "páginas tristes" de um livro político que alguns teimam em escrever.
Quando vemos e ouvimos determinadas figuras da nossa política a entrarem em contacto com as "bases", infiltrando-se nos campos e nas fábricas, dissecando problemas nas feiras... entendemos que o país real se começa a aperceber de que há muitas maneiras de fazer política. Que as pessoas normais sabem até onde vão as suas necessidades e entendem a linguagem da verdade. Agora mais do que nunca, há quem comece a perceber que não há uma "verdade única" e que os Partidos não são detentores únicos da luta política que pode conduzir à governação. Sobretudo em matéria de autarquias.
Entende-se, assim, a recente reunião de autarcas e candidatos a autarcas fora das vias partidárias. Paulatinamente, os que não
entendem as estruturas pesadas e as máquinas cinzentas dos Partidos começam a tentar trilhar outros caminhos. Mais de acordo, talvez, com as suas próprias consciências e mais de acordo com as necessidades do povo. Se assim continuarmos, ainda havemos de ver, em breve, deputados que não obedecem à máquina partidária e talvez políticos... que não jogam o "crês ou morres" que há ainda hoje em determinadas formações partidárias.
Quando o Povo quer... tudo é possível. Sobretudo nos meandros de uma democracia que ainda não deu tudo o que tinha a dar.
Possível será até que haja gente válida que se atire para a "fornalha" das lides autárquicas sem estar à espera das bênçãos partidárias.
E aí, quando (e se) isso acontecer, será a democracia levada ao seu mais alto expoente. Com o povo, quase directamente, a dizer o que quer e para onde vai... Será a democracia como "poder do povo".
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