Portugal está, de facto, numa encruzilhada. Tem um primeiro-ministro que perdeu o fôlego e, pelos vistos, a paciência
para continuar a governar. E tem um chefe da oposição que ainda não consegue fazer passar a sua mensagem (se é que a tem). Um a jogar o jogo de se esconder para passar despercebido. O outro... a expôr-se demais, talvez antes do tempo.
E quando todo o país esperava uma "rentrée" política viva e real dos dois maiores protagonistas, teve de se contentar com as figuras menos mediáticas dos outros Partidos. De um PP que tem em Portas a sua melhor figura e de um Bloco de Esquerda que diz coisas muito acertadas mas joga com as palavras de quem sabe que nunca vai poder pôr em prática as "mezinhas" que receita.
Assim sendo... pobre país! No nosso caso, ambos se esqueceram de que há 4 milhões de Portugueses fora das fronteiras nacionais. E que essa gente... ainda vai enviando muitas e variadas remessas em divisas de que tanto precisa o país.
Cá longe, não dá para entender. Mas, enquanto o PS conseguia atrair multidões em Valença, no Alto Minho, a sua mensagem não passou porque, ao público, só faltou bocejar. Em Ílhavo, com muito menos gente, Durão Barroso apresentou energia e determinação e fez com que os militantes acordassem para a realidade que se lhes afigura próxima, ou seja voltar ao Governo. Ao chefe do Governo faltou a chama que, por vezes, incendiava comícios e fazia passar mensagens. Ao chefe da Oposição, que teve a sorte da "Jota" estar a seu lado... faltou-lhe a dose de fé que ainda anima Guterres. Coisas! Para o PS, um líder a modos que "demodé". Para o PSD um líder que vê as multidões "laranja" sem acreditar naquilo que parece eminente: o regresso ao Poder.
No fundo as duas "rentrées" políticas devem ter mudado muito pouco na mentalidade das pessoas. De um lado, tenta-se explorar ao máximo o que parece ser um definitivo divórcio de um casamento que o não foi (PSD/PP). Do outro a falta de "força anímica" para pôr em ordem e ao seu serviço as zangas de comadres dos socialistas do Governo. Mesmo que Durão tenha capitalizado uns escassos meandros de aceitação, sobretudo quando se insurgiu contra a vontade socialista de fazer aprovar um orçamento com números pouco credíveis, motivo que o faz pedir (e de há muito) uma auditoria às contas públicas, chega-se a pensar que não chega ainda para tirar da cartola um coelho são e salvo para a mesa do Poder. Não.
A verdade é que falar em estabilidade, como o fez Guterres, já não dá resultado. E isto porque o povo vai acreditando pouco na
"estabilidade" que lhe é apontada... mas que na prática começa a funcionar como algo a que é preciso pôr cobro. E mesmo com o chefe do governo a insistir em que tem um gabinete "renovado", com "rumo e estratégia", ninguém parece ter visto nem a estratégia nem antever o rumo. De resto, a "máquina falante" que era António Guterres... já foi chão que deu uvas. Um discurso sem chama e sem garra. Algo monocórdico, em tom e em substância.
Tudo visto, ainda não foi desta que o povo português viu... para que lado vai cair a balança do Poder.
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