Durão Barroso parece estar agora empenhado em olhar mais para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Já não era sem tempo. A avaliar pelo que aconteceu, há dias, num encontro de verão entre a Comissão Política do PSD, a que preside, e alguns dos dirigentes "laranja" ligados às comunidades portuguesas, o líder social-democrata parece mesmo interessado em olhar para os cerca de quatro milhões de portugueses espalhadas pelo mundo.
Aliás, o PSD sempre foi o partido que mais fez pela emigração.
Mesmo tendo feito pouco - e fez, de facto, muito pouco... - fez sempre incomparàvelmente mais do que os demais partidos. Não pondo "peões" seus na Informação, acabou por ser "penalizado" em alguns arraiais da emigração. Pouco se sabe do que o PSD fez ou pensa fazer. Ao invés, o populismo socialista faz vir ao de cima coisas que fazem e que não fazem. Ser honesto e não correr atrás de foguetes, designadamente através da Informação, tem os seus custos. E o PSD, nas últimas eleições para as Legislativas, pagou a factura.
Agora é o próprio líder a tecer considerações e a falar em temas que se nos afiguram válidos e cuja execução (se se concretizar) só
peca por ser tardia.
Abordar-se, agora, a criação de um ministro adjunto para as comunidades portuguesas, a funcionar no Ministério dos Negócios
Estrangeiros (MNE) e com a tutela designadamente dos consulados, não é mais do que bater numa tecla já estafada... mas que nunca foi afinada devidamente. A "autoridade de ministro", que se quer atribuir ao titular da pasta das comunidades, é importante, sobretudo por ser a "melhor forma" para a "valorização simbólica e reforço material e formal dos respectivos poderes", como Durão reconheceu. Já antes Manuela Aguiar - a política que mais sabe de emigração - levantou a mesma bandeira. Que não foi avante.
Há frases ditas que vale a pena arquivar. Sobretudo para depois se chamar a atenção a quem de direito se e quando o PSD for Governo. "Os consulados não devem continuar a ser repartições burocráticas do MNE, devem estar em perfeita articulação com tudo o que tem a ver com a promoção da língua e cultura portuguesas". Uma promessa, sobretudo se tivermos em conta o facto de ter dito que os socialistas, agora no Poder, têm uma "noção fechada e jacobina" da Nação. E se anotarmos que se partiu dali para a ideia de que a política de apoio às comunidades vai ser "uma prioridade estratégica" do seu governo. Aí acusou, ainda, os socialistas de terem usado "de modo faccioso" a RTPi durante o último acto eleitoral.
Mesmo não tendo dotes de futurologista, gostava de prever que o líder social-democrata cumpre as promessas. É que falou-se no ensino da Língua e na divulgação da Cultura Portuguesa, na recuperação da nacionalidade pelos que se naturalizaram antes de 1981. Falou-se na terceira idade, no apoio ao associativismo, no conselho das comunidades portuguesas, na política de informação para as comunidades e no apoio aos luso-descendentes. Se até se abordou a iniciativa de revisão constitucional do PSD no que respeita à reciprocidade dos direitos políticos para os brasileiros e para toda a CPLP.
Enfim, falou-se muito e bem. Resta agora estar atento ao cumprimento. É que de palavras estamos todos... fartos.
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