A notícia é fresquinha. Tem pouco mais de uma hora e bom seria que, antes de ser divulgada, tivesse sido pensada. Isto é, que a tal
portaria a que vamos aludir tivesse mesmo sido pensada. Com a cabeça e não com os pés. Só que pensar... parece ser uma tarefa que anda arredia das mentes do nosso querido Governo Central. E da Oposição, às vezes, também... Por isso, a notícia. Imaginem que a França passa a eleger quase metade dos100 membros do Conselho das Comunidades. Se juntarmos aos da França os lugares de países da Europa, hemos de ver que o Conselho das Comunidades Portuguesas passa a ser controlado pela França e pode bem chamar-se Conselho das Comunidades Portuguesas na Europa.
Para o círculo de fora da Europa... ficam os restos. Para compôr o ramalhete. Para inglês ver. Mas... para nós pensarmos, também, que este Governo discrimina, e grandemente, os Portugueses. Já o fazia em temas como o Ensino, em que dava tudo para a Europa e nada para o resto do mundo. Agora só vai "legalizar" uma medida que já o era. Com o Conselho das Comunidades entregue à Europa, é certo e sabido que a Europa vai cohonestar o que se fazia antes. O Ensino de Português continua a ser para a Europa, por exemplo, e o Resto do Mundo terá de se contentar com... os restos. Que venham, mesmo assim, porque agora nem restos há. Há apenas um zero redondinho e vermelhuço de vergonha.
Para não parecer tão mal, o diploma, que define os círculos eleitorais e a distribuição dos 100 mandatos, diz ter por base os
resultados conhecidos até agora da actualização dos cadernos eleitorais, que, só estando concluída a 26 de Setembro, dá já a este
(des)governo que temos "força" para avançar com estas alterações.
Enfim... valha-nos um burro aos coices e outro aos pinotes...
Quando tudo isto começou, em 1997, a França elegia apenas 16 conselheiros, passando agora para 48, enquanto o Brasil desceu de 25 para 11 conselheiros, quebra que se verificou também relativamente ao Canadá (de 11 para 6), Estados Unidos (10 para 6), Venezuela (8 para 5) e África do Sul (12 para 4). Como a Suíça é outro círculo eleitoral que ganha representatividade (de 3 para 5 conselheiros), bem como a Alemanha (de 2 para 3) e Reino Unido (de 1 para 2), fica a saber-se que é apenas necessária uma certa ginástica... para a França mandar em tudo.
Tudo visto, com esta distribuição, surgem perguntas pertinentes. Uma delas terá a ver com a seriedade da actualização dos cadernos
eleitorais. Depois importa questionar o Governo sobre se não valeria mais ter um Conselho das Comunidades "só" para a Europa, já que "só" a Europa pode mexer na bola... tendo como tem cerca de 62% dos conselheiros. Onde é que estão assim representados os 500 mil portugueses do Canadá, os 700 mil dos Estados Unidos e assim sucessivamente? Na Europa, claro. No quase milhão de portugueses que vivem na França.
A realidade da emigração portuguesa fica, de facto, com a portaria hoje publicada, francamente fora de contexto. Só que chegamos a pensar que é isso que quer este Governo que ainda temos.
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