Artigos de Opinião Portugal Em Linha

Fernando Cruz Gomes




Para o resto do mundo... os restos


Se fosse verdade... era bom. Andando nestas andanças da chamada emigração, há tantos anos, já nada nos deveria surpreender... mas, infelizmente ainda surpreende. Não é que o Governo de António Guterres - decerto que não em delírio - vem agora fazer um autêntico plano para valorizar e aprofundar os laços das comunidades a Portugal?! E, mais do que isso, um plano que parece fazer parte integrante do Orçamento para o ano de 2002. Se não é para atrair clientes... é a prova provada de que há quem se arrependa do que (não) fez e... prometa emendar-se. De acordo com as chamadas Grandes Opções do Plano (GOP) para o ano 2002, está previsto o desenvolvimento e aperfeiçoamento de políticas de cariz social e a qualificação e optimização dos serviços internos e da rede consular, por "forma a proporcionar uma melhoria da qualidade de serviços".

O Governo diz agora ir continuar a modernizar a imagem da rede consular, completar o projecto de informatização de modo a ligar a Lisboa, em tempo real, os postos consulares e redimensionar a rede consular com vista a acompanhar as tendência migratórias. Se até falam no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos conteúdos informativos da página Internet - permitindo a obtenção "on-line" de documentação administrativa - e a instalação do software específico de gestão consular e do sistema de emissão electrónica do novo modelo de passaportes!

E, claro, logo a seguir fala-se na dinamização do recenseamento eleitoral. Depois vai levar a cabo o quarto Encontro Mundial de Jovens Portugueses e Luso-descendentes e prosseguir com os programas "Portugal no Coração", "Estagiar em Portugal" (estágios profissionais para formação de jovens luso-descendentes), e ASIC (Apoio Social a Idosos Carenciados).

Apoiar o associativismo das Comunidades e incentivar projectos que visem a preservação e difusão da Língua Portuguesa no estrangeiro são medidas também previstas nas GOP/2002., bem como criar um Fundo de Solidariedade destinado a apoiar financeiramente os portugueses que, vivendo no estrangeiro em situação de comprovada carência, tenham sido vítimas de catástrofes naturais, crimes violentos ou outros acontecimentos extraordinários.

E A LÍNGUA PORTUGUESA?

Pois... também aí, este nosso querido Governo vai fazer coisas. Vai mexer. Para já, vão ser criados centros de Língua Portuguesa em Bissau, Hamburgo, Newark, Addis Abeba (sede da OUA), Oxford, Varsóvia e Windoek. O governo investirá principalmente na concentração dos serviços do Instituto da Cooperação Portuguesa, actualmente dispersos em cinco locais de Lisboa, num único edifício. Claro que vai haver, igualmente, um desenvolvimento de conteúdos multimédia sobre o ensino da Língua Portuguesa.

Revisões. Fala-se em diversas revisões, como a lei orgânica do Instituto Camões, que continua a privilegiar a Europa.

No resto, muita parra e pouca uva. A não ser em intenções de fazer obra de truz, designadamente nos países de Língua oficial portuguesa.

Estamos falados. Não há grande "margem de manobra" para aqueles que, na diáspora, acreditam que podem vir a ter um Governo que resolva algumas das questões que se põem à nossa maneira de ser e estar no mundo. Não. Não será ainda desta vez que a emigração do chamado Resto do Mundo recebe o que merece do Governo a quem tanto dá, quer no conjunto das remessas enviadas, quer até na "saudade" que continua a sentir.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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