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Fernando Cruz Gomes




Razões de segurança...


Muito em breve, as "razões de segurança" vão estar na moda.
Depois do 11 de Setembro, não há lei - por mais justa que pareça - que a elas se sobreponham. Os governos, sobretudo com determinado matiz propenso a "jogatanas" que tocam as raias da ditadura, vão cortar liberdades e mais liberdades. Algumas delas demoraram anos a atingir. Serão agora travadas e expurgadas do seu conteúdo e intenção, sempre que o "aprendiz de ditador" quiser. Em Portugal como na China e no Canadá como na Mongólia. Todos e por toda a parte se estão a tentar servir da emoção que sucedeu ao "11 de Setembro" para levar a água ao seu moinho.

Recalcitrantes a fazerem manifestações contra o Governo? Isso foi chão que deu uvas... a não ser, evidentemente, que essas manifestações agradem ao dito Governo. Sindicatos a "darem cartas" nos mais diversos meandros da actividade diária? Era mesmo o que faltava. Estamos a dois passos de assistir, pelo menos, ao seu controlo. E tudo... tudo, por razões de segurança. E com o aplauso, generalizado, das maiorias. A "razão de segurança" vai sobrepôr-se a todos os conceitos.

O mundo está, de facto, envolto em manto de terror. Se até a ultra-segura América foi atingida e humilhada! E se, de facto, os Estados Unidos podem ser assim atingidos, o que poderá acontecer com os outros, sem os meios sofisticados de defesa que os americanos possuem?

Entenda-se que os autores dos atentados já atingiram o seu objectivo: espalhar o terror. Terror que se abateu por sobre todos os continentes, em todos os escalões da sociedade moderna. Não deixando de fora nem pobres nem ricos. Nivelando todos pela mesma bitola. O terror campeia por toda a parte. E como os nervos à flor da pele, espicaçados pelas imagens que vão correndo mundo, são maus conselheiros, o que se vai passar não augura nada de bom. Dizia, há dias, alguém, que a globalização irracional do terror poderá criar um terror ainda maior.

Os terroristas - "bons" e "maus", que é isso que estamos a criar - vão tingir de vermelho uma boa parte deste mundo. Há riscos de que a página seguinte deste livro que o terror está a escrever seja ainda pior. Há indícios de que o apocalipse pode não estar longe. Pelo menos na sua versão passível de ser levada a cabo pelo homem. Em democracia, e contràriamente ao que todos vão dizendo, hoje, a luta contra o terrorismo não vai ser eficaz. Todas as polícias de todo o mundo dito ocidental - e umas outras que não pertencem a esse mundo... - estão a preparar investigações cada vez mais sofisticadas. E o que se vai descobrindo deixa o mundo estarrecido. Sobretudo os americanos vão-se interrogando como é que foi possível tanta gente a preparar-se para os actos de terror sem que ninguém conseguisse detectá-los? Para mais a actuarem em território americano, preparando-se em escolas de pilotagem americanas? Como é que foi possível... tudo isto nas barbas da polícia do país mais seguro do mundo?

São perguntas que ainda não têm resposta. Ninguém quer acreditar... que foi possível acontecer o que aconteceu. O que é que falhou na segurança nacional dos EUA e nos seus serviços scretos? É que os Estados Unidos transformaram-se, num ápice, num alvo extremamente fácil de atingir. E com meios relativamente fáceis de conseguir. Sem meios sofisticados. Apenas com uma dose de "coragem criminosa" e... qualquer coisa parecida com um canivete. Aqui residiu a demonstração de que o fanatismo religioso ou político conseguiu o que até aqui ninguém julgaria possível.

As "razões de segurança" parecem ser assim naturais. A dar para tudo, qual mèzinha milagrosa, que tende a espalhar-se pelo mundo.

Hão-de ver que, muito em breve, as "razões de segurança" acabam por ser as leis de excepção, que muita gente já começa a sentir na pele. E que dão para tudo. Com aplausos de todos a entenderem que, de facto, há que lutar contra o terrorismo. Talvez por isso... vamos já cortar as barbas para não sermos confundidos com o "suspeito n.º 1" que os Estados Unidos acusaram e, mesmo sem o ouvir, já condenaram. E estão a tentar... matar, talvez antes que chegue a um tribunal internacional.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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