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Fernando Cruz Gomes




Combate ao Terrorismo


É fartar, vilanagem...

O terrorismo é para combater, não é? Sendo assim, e por estarmos com a mão na massa..., somos capazes de assistir, muito em breve, a uma "caça às bruxas" em vários países do mundo. Em Angola, por exemplo, onde um punhado de angolanos, que já serviram os Estados Unidos quando foi necessário expulsar tropas cubanas de Angola, são agora apelidados de "terroristas". Se não nos enganarmos... o "combate ao terrorismo" também por ali vai fazer (mais) vítimas.

É que o ainda auto-proclamado presidente angolano, José Eduardo dos Santos, manifestou há dias o seu apoio à ofensiva militar que os EUA lançaram contra o Afeganistão na sequência dos atentados terroristas de 11 de Setembro em Nova Iorque e Washington. Seguiu - e muito bem - o exemplo de outros países. Para ele, "a guerra travada contra o terrorismo insere-se no consenso dos países democráticos", recordando ainda que Angola é um país que "sofre na carne há quase três décadas as acções terroristas da UNITA".

Um "democrata impoluto" este senhor. Para ele, "nada justifica que se recorra ao terrorismo para a resolução de questões políticas internas, que podem e devem ser analisadas e discutidas num clima de paz e tolerância recíproca". A exemplo do que ele faz, talvez...

Só que uma certa frase, de tão velha, perde a paternidade. Não a "força". A repetição, de facto, não transforma uma mentira numa verdade. Parece que foi Franklin Roosevelt, antecessor na Casa Branca de George W. Bush, quem o disse. Curiosamente, frase explorada e martelada pelos mentores de um sistema que se dizia comunista na ex-União Soviética e cujo conceito "escorreu", ao contrário, para países como Angola, na altura em que os sistemas governativos vigentes eram de cariz estalinista.

É que a IRIN, agência noticiosa das Nações Unidas divulgou agora que o regime de Luanda está a recrutar - no sistema habitual, ou seja, à força - mais 15 000 jovens, para as suas fileiras. Já aparecem até notícias de raptos de jovens (em igrejas, imaginem), raptos esses atribuidos logo aos malandros da UNITA. A despeito de, não há muito, o próprio IRIN lembrar que as anteriores acções de "recrutamento" envolveram raids da polícia militar nas vizinhanças das áreas urbanas...".

Terrorismo, não é? Talvez construido com as bombas a napalm, a fósforo, a desfolhante? Terrorismo da UNITA? Decerto que sim. Mas... não só. E para dançar, são precisos dois. Como dizia Indira Gandhi, estadista indiana, "não poderemos apertar as mãos se tivermos os punhos cerrados". De facto, há demasiados punhos cerrados em Angola, na área do Futungo de Belas. Muitos. Os punhos que só se abrem para o regime de Luanda dispender, em menos de um ano mais de 1 000 milhões de dólares, em armamento e comissões na aquisição desse mesmo armamento. E a despeito da comunicação social esquecer isto, "os factos não deixam de existir só porque são ignorados", como alguém dizia.

Mais guerra em Angola? Cremos bem que sim. Sobretudo nesta fase de "luta contra o terrorismo". Que para Luanda só tem um rosto...


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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