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Fernando Cruz Gomes




VERDADE QUE JÁ O ERA!
Quem espalha mais morte no mundo?


Já o sabíamos. As informações que agora nos chegam apenas confirmam a ideia que, de há muito, tínhamos como certa. Os Estados Unidos da América lideram o mercado de venda de armas e metade das vendas é, afinal, para os países subdesenvolvidos. Branco é... galinha o põe - a adivinha com que os antigos esgrimiam quando desejavam pôr de pé uma verdade que já se conhecia.

Os números são, de resto, bem significativos. A venda internacional de armamento atingiu, em 1999, mais de 30.000 milhões de dólares americanos. Montante nunca antes atingido, a não ser em 1991, quando da Guerra do Golfo. Os principais vendedores? Pois, os Estados Unidos, a Rússia e a Alemanha. Dos Estados Unidos partiram quase metade dos armamentos vendidos, seguidos da Rússia, com 4.800 milhões de dólares.

Para o jornal "New York Times", as vendas nacionais de armamento foram mais de um terço de todas as outras operações, superando os Estados Unidos, de longe, os parceiros europeus. Ali se anota, também, que cerca de dois terços de todas as transacções comerciais de armamento, da parte dos Estados Unidos, se verificaram com países em desenvolvimento, aos quais os EUA venderam 8.100 milhões de dólares e a Rússia 4 100 milhões de dólares.

Embora se não fale, abertamente, em todos os países que "beneficiaram" destas vendas, sabe-se que a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egipto e Israel são, no Médio Oriente, os países que, tradicionalmente, mais armamento compram, vindo a seguir a África do Sul, que tem contactos mais estreitos, no entanto, com a Alemanha.

Se o povo - sobretudo o povo de alguns países de todos nós conhecidos - soubesse que os mesmos Estados Unidos, normalmente a esgrimir contra a falta de direitos humanos e contra as guerras, são os que mais lucram com esses conflitos... era bem capaz de se insurgir contra os seus próprios Governos. E de anotar de onde parte o vento que sopra a brasa da hecatombe...

Americanos a alimentar o fogo da desordem, com as suas próprias armas. Americanos, logo a seguir, a condenar a falta de direitos humanos, a corrupção, a falta de democracia, o pouco caso feito dos direitos e liberdades. Os americanos que, se quisessem não fornecer armas, eram bem capazes de acabar com mais de metade das guerras quentes e frias... que eclodiram, há muitos ou poucos anos, um pouco por toda a parte.

Só que a indústria, a tal indústria de armamento, ia à falência. E isso não querem os poderes instituídos - muito democràticamente, claro - na Casa Branca.


Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net

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